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PORTUGAL ANTIGO E MODERNO
VOLUME PRIMEIRO
PORTUGAL ANTIGO E MODERNO DICCIONARIO
Geographico, Estatístico, Chorographico, KHeraldico, Archeologico, Historico, Biographico e Etymologico
DE TODAS AS CIDADES, VILLAS E FREGUEZIAS DE PORTUGAL
E DE GRANDE NUMERO DE ALDEIAS Se estas são notaveis, por serem patria d'homens célebres, por batalhas ou outros factos importantes que n'ellas tiverem logar,
por serem solares de familias nobres, ou por monumentos de qualquer natureza, alli existentes
NOTICIA DE MUITAS CIDADES E GUTRAS POVOAÇÕES DA LUSITANIA
DE QUE APENAS RESTAM VESTÍGIOS OU SÓMENTE A TRADIÇÃO
POR Au gusto Soares Azevedo Barbosa de Pinho Leal
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LISBOA LivraRIA EDITORA DE MATOS MOREIRA & COMPANHIA - 68-- Praça de D. Pédro=608 * 1873"
Ouvi, que não vereis com vans façanhas, Fantasticas, fingidas, mentirosas, Louvar os vossos, como nas estranhas Musas, de engrandecer=se desejosas. . Às vossas proprias glorias são tamanhas
Que excedem as sonhadas fabulosas. Excedem Rodamonte e o vão Rogeiro, E Orlando, ainda que fôra verdadeiro.
(CAMÕES —LostaDas)
AOS LEITORES
Acceitam-se, agradecem-se e publicar-se-hão, em supplemento, quaesquer esclarecimentos ou recti- ficações com respeito ao que por ventura faltar em algumas povoações ou localidades descriptas n'este Diccionario; bem como qualquer advertencia so- bre omissões, que possam haver n'esta obra, de si tão complexa,
Correspondencia ao auctor — Praça de D. Pe- aro, 68, Lisboa.
DECLARAÇÃO
- Umdos editores desta obra é Henrique d'Araujo Godinho Tarares, subdito brasileiro.
PORTUGAL ANTIGO E MODERNO
ABA
A —no antigo portuguez era a conjunção e. Empregavam indistinctamente a, ha e e.
A-—Na antiga conta romana, usada em Portugal nos primeiros tempos da nossa mo- narchia, e cujo uso datava dos romanos, A valia 300, e À 5:000.
AARÃO — Vide Arão.
ABAÇÃO-—(S. Christovão) freguezia, Minho, comarca é concelho de Guimarães, 24 kilo- metros de Braga, 360 de Lisboa. 45 fogos 1.
É palavra arabe, composta de abi (pae) e cam (assignalado) vem a ser—aldeia do pae do assignalado. Era appellido de uma fami- lia arabe, É no arcebispado e districto admi- nistrativo de Braga. Fertil.
ABAÇÃO — (S. Thomé) freguezia, Minho, comarca e concelho de Guimarães, 20 kilo- metros de Braga, 360 de Lisboa, 71 fogos. Esta freguezia e a antecedente constituiam uma só, que foi dividida no meiado do se- culo xvir.. A mesma etymologia. O mesmo distrieto e arcebispado. Fertil.
- ABAÇAS-—freguezia, Traz-os-Montes, dis- tricto administrativo, comarca e concelho de Villa Real, arcebispado de Braga.
É situada proximo da margem esquer- da do pequeno rio Tanha, (que nasce ao norte de Valle de Nogueiras, passa na Ponte Pedrinha e entra na esquerda do Córgo, no sitio de Fervide). 90 kilometros de Braga,
1 À população dada em toda a obra a cada freguezia, é segundo a estatistica official de 1868.
ABA
340 de Lisboa, 400 fogos. Parece derivar-se da palavra arabe habaxa. Sendo assim, signi- * fica aldeia negra. Orago S. Pedro. D. San- cho I lhe deu foral em 24 de abril de 1200. Livro 2.º das Doações de D. Affonso HI, fl. 4 e livro de foraes antigos de leitura nova, fl. 90, v., col. 1.2
ABADIM — Vide Abbadim.
ABAMBRES — freguezia, Traz-os-Montes, comarca e concelho de Mirandella, 70 kilo- metros de Bragança, 420 de Lisboa; 90 fogos. Orago S. Thomé. Bispado e districto admi- nistrativo de Bragança. Era vigariaria que o bispo de Miranda (hoje de Bragança) apre- sentava, por ser do seu padroado. Produz centeio, trigo, milho e algum azeite, vinho e linho; do mais pouco.
ABAREGADA —portuguez antigo, proprie- dade em que o emphyteuta ou colono não habita. Corrompeu-se em vergada.
ABARGA — logar de pescaria, e tambem certa rede feita de vergas, para pescar sa- veis e lampreias, E palavra antiga, hoje diz- se varga.
ABARITAM — (portuguez antigo) contrac- ção de Abiron e Datan. Vale o mesmo que dizer — Sepultado sejas tu vivo nos infernos, como foram Coré, Datan e Abiron. —Esta praga era muito usada antigamente, até em eseriptores, e nos emprasamentos dos frades.
ABARRACAMENTO--Nome que ainda até ao principio d'este seculo se dava aos quar-
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ABB
teis militares. É por isso que ainda hoje, em | celho de Cabeceiras de Basto, districto ad-
Lisboa, se dá esse nome ás ruas onde hou- ve quarteis; v. g., rua do Abarracamento de Peniche e rua do Abarracamento de Valle de Pereiro, etc.
ABASMAR — (portuguez antigo) concluir, completar, etc.
ABBADE DO NEIVA—(tambem lhe cha-
mam Condevão) freguezia, Minho, comarca |. “de outubro de 1514. Francisco Nunes Fran-
e concelho de Barcellos, 12 Kilometros de Braga, 360 de Lisboa, 160 fogos. Esta povoa- ção foi fundada por a rainha D. Mafalda, mu- lher de D. Affonso I, em 1152 (ou 1190 de Cesar). A rainha D. Mafalda quiz aqui fun- dar um convento de freiras. Não se coneluiu a obra do mosteiro, mas o que se fez era de grande sumptuosidade. Pagava (e não sei se ainda paga) esta freguezia 10 alqueires -de azeite, annualmente, ao hospital da miseri- cordia de Santarem. O abbade d'aqui (no- meado pela casa de Braganca) era ouvidor perpetuo de Fragoso. Nomeava juizes, rece- bia luctuosas, gados do vento e coimas, sem que o rei recebesse a terça. Ha n'esta fre- guezia a casa de Fayal, que era da commen- da de Christo, que aforou D. Manuel d'Aze- vedo e Athayde, senhor da honra de Bar- Deita. É da casa de Bragança. Orago Santa Maria.
Abbadesvem d'ab-bat, que em syriaco quer dizer pae. Os primeiros monges deram este nome aos seus superiores. Outros dizem que vem do hebraico abba, que significa que- rer bem. A primeira etymologia é mais se- guida e mais verosimil. D'abbade vem abba- tina (batina) habito dos padres.
Districto administrativo e arcebispado de Braga. Esta freguezia é bastante fertile cria muito gado.
ABBADE DE VERMUIM — freguezia, Mi- nho, comarca e concelho de Villa Nova de Famalicão, 18 kilometros de Braga, 360 de Lisboa, 23 fogos. Orago Santa Maria. Distri- cto administrativo e arcebispado de Braga. Era abbadia da mitra archiepiscopal.
É muito fertil em cereaes, vinho, azeite, fructas e legumes. Cria muito e bom gado bovino, que exporta.
ABBADIM— villa, coutoextincto, freguezia, Minho, comarca de Celorico de Basto, con-
ministrativo, arcebispado e 40 kilometros de Braga, 395 de Lisboa, 130 fogos. É pa- lavra árabe (abbadin) nome verbal do nu- mero plural do verbo abada (que significa adorar, dar culto, ser religioso) vem pois a ser: povoação dos observantes ou religiosos. Orago 8. Jorge.
D. Manuel jhe deu foral em Lisboa a 12
klin não menciona este foral, nem na pri- meira, nem na segunda edição da sua Memo- ria; mas não é essa uma razão para negar a sua existencia (do foral) porque lhe esea- param muitos, dados pelos nossos reis, e mui- tos mais ainda dos dos por conventos e por senhores das terras, como se verá pelo de- curso d'esta obra.
Abundante de cereaes, fructas, vinho, col- meias, gado, caça e pesca.
N'esta freguezia estão as ruinas da Torre do Bairro (que foi prisão). No logar da La- ma ha outra torre ameada, mais moderna, que se diz ser o solar dos Badins. Foram seus donatarios os Camões, de Guimarães, e em 18141 0 era D. Rodrigo d'Alencastre.
É situada no monte da Ranha. Della se vêem varias freguezias, a serra do Marão e outras. Tem principio n'esta freguezia a ser- ra do Arrochado.
Foi tambem senhor d'este couto e do de Negrellos, o dr. Diogo Lopes de Carvalho, desembargador do paço, que foi o institui- dor destes dois morgados. (Vide Guimarães).
As armas dos Carvalhos são : em campo azul, uma estrella d'ouro, entre uma qua- derna de meias luas de prata (crescentes). Timbre, um cysne de prata, com uma es- - trella d'ouro (como a das armas) no peito, armado d'ouro. a!
Teve, até 1834, juiz ordinario, e os respe- ctivos escrivães e mais empregados do couto.
ABBADIM- aldeia do Minho, na freguezia de Gontinhães, concelho de Caminha. Sitma- da na margem direita do rio Ancora, que aqui é atravessado por uma ponte de canita- ria, de um só arco, construida pelos roma- nos, é em optimo estado de conservação. Clna- ma-se a ponte de Abbadim. A mesma etynmo- logia da palavra antecedente. Esta ponte: é,
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metade da freguezia de Gontinhães e meta- de da de Ancora; pelo que, vem a ser me- tade do concelho e comarca de Vianna, e metade do concelho de Caminha, da mesma comarca.
ABBEDIM — freguezia, Minho, comarca e concelho de Monção, arcebispado e 48 ki- lometros ao noroeste de Braga, 405 de Lis- boa, 150 fogos, districto administrativo de Vianna. Uns querem que seja a mesma ety- mologia d'Abbadim, outros porém sustentam que o nome lhe provém do rei Abidis, 'que pretendem ter aqui sido creado. Foram do- natarios os Camaras Coutinhos, de Pico de Regalados. Os Abreus, de Merufe e Regala- dos, apresentavam o abbade. Depois passou aos seus descendentes, os Magalhães, de Braga. Orago Santa Maria. Tinha um bene- ficio simples. Ha aqui a capella de S. Marti- nho, na Forna, que tinha dizimos. Vide adiante.
Nos limites d'esta freguezia, entre Coura e Monção, ha um monte onde dizem que ap- parecem de tempos immemoriaes, todas as noites duas luzes, que se vêem de muitas leguas, até à madrugada! (Esta é do padre Cardoso). Fronteiro a este sitio ha dois pi- naculos, n'um dos quaes esteve uma torre “de cantaria lavrada, muito larga, da qual ainda ha vestigios. Um abbade d'aqui a fez -demolir no seculo xv. Chamam-lhe' ainda «castello de S. Martinho da Penha». Véem- se escadas abertas a picão nos rochedos pro- ximos, ea fortaleza tinha duas estreitissi- «mas entradas, uma para Este, cujo ingresso é perigosissimo e só um pratico dá com ella : a outra era do lado do Oeste, mas está ob- siruida pelos entulhos. Nos arredores d estas ruinas ha bons prados, mas ineultos,'com vestígios de serem antigamente cultivados e murados. Ha n'este monte muitos arbustos e abundancia de loureiros e outras arvores.
Nos limites d'esta freguezia ha a betula- alba; w que aqui dão o nome de vidieiro. Da casca d'esta arvore, que é muito lisa e alvissima, se serviram os antigos (principal- mente os romanos) para escreverem, em quanto se não inventou o pergaminho.
No principio d'este pinaculo ha uma ca- verna, que póde conter dez homens, nia qual
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ha uma fonte de boa agua, que nunca sececa. Mais acima tem outra caverna, tambem com uma fonte perenne, que póde conter 200 ho- mens, e á qual se seguem outras mais pe- quenas. No alto estão as ruinas da torre. Junto à torre estão tres caixões de tijolo, en- terrados no chão, que parecem ser sepultu- ras. Ha aqui uma pia cavada na rocha, sem- pre cheia d'agua, que dizem ser muito: effi- caz para a cura das molestias cutaneas. Pre- tendem alguns que esta pia era uma sepul- tura e que n'ella esteve depositado S. Mar- tinho de Dume, e que é d'isso que provém a virtude therapeutica d'esta agua. A ver- dade é que é simplesmente agua da chuva ; em todo o caso, a fé é que nos salva.
Na falda do monte, ao oeste, está a ermi- da de S. Martinho da Penha, encostada a um grande penedo.
É tradição da gente da terra, que a torre foi mandada fazer por uma tal rainha Isa- bel (?) mulher de um rei gentio, a qual, fu- gindo à perseguição de seu marido, se es- condeu n'esta serra com sete bispos (!!!) e que, vindo seu marido cercal-a, se conver- teu ao christianismo, por a rainha lhe man- dar (durante o cerco) de presente ai tru- tas!
Outros dizem que esta rainha se chama- va Araqucia (ou Argucia?) e era mulher de um rei d'Aragão. Vide Boivão.
ABDEGAS — vide Ourem.
ABDON — vide Adon.
ABELHA — serra, Traz os Montes, comar- ca de Miranda, limites de Villariça. Tem 2 kilometros de comprimento e 2 de largo. Só produz lenha e matto e tem muita caça.
ABELHAS — (serra das) Beira Alta, proxi- mo do rio Tavora, concelho de Aguiar da Beira, comarca de Linhares. É sécca e este- ril e tem alguma caça. No fundo d'esta seér- ra se descobrem vestígios de alicerces de um grande: castello, que dizem ter sido de mouros.
ABELHEIRA — serra, Algarve, de peque- na extensão. Tem minas de carvão.
ABELHEIRA — aldeia, Extremadura, fre-
guezia, concelho e proximo do Tojal, termo
e 48 kilometros a N. E. de Lisboa. Grande fabrica de optimo papel, fundada pelo falte-
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“eido conde: do Tojal. É movida por vapor e em uma quinta do mesmo conde. É junto do rio da Abelheira, que agora se chama Tran- Esta quinta era dos frades cruzios de 'S. Vicente de Fóra (Lisboa) e uma das melho-
res do termo. Os frades aqui estabeleceram.
wma fabrica de papellão e papel pardo. Em 1836 foi esta quinta vendida ao negociante
João d' Oliveira (depois barão e conde do 'To- |
jal) por: 40 réis de mel coado. (Por 72 con- tos em titulos desacreditados, que nãq va- liam 15 contos. — Hoje vale mais de 600 con- tos, com os melhoramentos que se lhe teem Jeito.) |
Oliveira nos primeiros annos conservou a fabrica como estava, fazendo-lhe apenas al- guns melhoramentos; até que em 1841 man- dou vir machinas do systema-continuo e au- gmentou o edificio da fabrica. «
Por morte do conde os diversos proprie- tarios da fabrica lhe foram introduzindo no- vos e grandes aperfeiçoamentos, a ponto de ser hoje das melhores (senão a melhor) de Portugal. Tem duas machinas a vapor, uma da força de 7 outra de 45 cavallos, servin- do-lhe tambem de motor a agua do rio. Tem um grande reservatorio de agua, feito pelos frades e outro maior feito em 1865. Empre- ga (alem do pessoal de eseriptorio) 80 ho- mens e 70 mulheres. Produz annualmente uns 450:000 kilogrammas de papel de todas as qualidades, mas a maior parte de impres- são. O trapo é-a materia prima. Tem-se fei- to ensaios de outras substancias, mas sem resultado: satisfatorio. Os productos: d'esta fabrica foram premiados nas exposições de Londres, de 14851 e 1862; na de Paris; nas do Porto, 1857, 1864 e 1865, ena de Lis- boa, de 1863. É hoje propriedade do in- glez mr. William Smith, cunhado do funda- dor.:
ABELHEIRA serra, Alemtejo, concelho de Moura, comarca de Beja. E um ramo daser- ra da Adiça. Produz matto, hervas medici- naes e caça. E
Na freguezia de Montalvo; por Wade pas- sa esta serra, ha um boqueirão de grande profundidade, junto ao qual houve uma er- mida em remotos tempos, habitada por dois
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ermitas. Ha aqui minas em ouro que se não
exploram.
| ABELHEIRA — serra, Trat os Mónoia, c0n- celho de: Miranda. 1 quasi toda cultivada. Para o oeste estende um ramal até o sitio chamado Egrejinha. Diz-se que lhe vem es- te nome por aqui ter havido em tempos re- motissimos uma egreja, da qual só restam. tijolos, caliça, telha e alguns ossos humanos.
Continua esta serra para o sitio chamado Gastellinhos, em cujo came ha vestigios de: fortificações mouriscas.
ABELHEIRA —-monte na serra de Ossa, Alemtejo, comarca de Evora. — Nasce aqui
“um pequeno ribeiro, que morre no Degebe.
Produz matto e algumas arvores silvestres. Tem boas pedreiras de marmore de cores e branco. Caça miuda.
ABÊSSO — portuguez antigo, sem-razão, injustiça. Tambem absurdo.
ABETUREIRA — aldeia, Douro, na mar- gem direita do Douro, freguezia de Sebolli- do, concelho de Gondomar. Ha aqui uma mina de cobre, no leito de um regato cha- mado Ribeiro de Couce. Não se explora.
Ha em Portugal muitas aldeias d'este no-
me. Vem de abéto e significa logar plantado
de abétos.
Muitos escrevem---erradissimamente--Ha- bitueira, dizendo que é derivado de habito ! — Qutros-——Avetureira — suppondo esta pa- lavra derivada de Ave.
É incontestavel que não tem outra ortho- graphia nem outra etymologia senão a que lhe dou.
ABETUREIRAS —-fregúezia, Extremadu- ra, comarca e concelho de Santarem. 90 kilo- metros de Lisboa, 350 fogos. Orago Nossa. Senhora da Conceição. Districto administra- tivo e patriarchado: de Lisboa. Foi vigaria- ria, apresentada pelo prior de Mafra, que era sempre um: conego da Sé de Lisboa. —
A mesmaetymologia. Terra muito fertil. Era
reguéngo da corôa, com juiz ordinario.
ABISMO — ou-— ABYSMO — Algarve, fre- guezia de Moncarapacho. É uma cova pro- fundissima (que dizem não ter fundo!) no principio: do: Monte da Cabêça, do lado do mar. É entre pesto e está ssa gama de agua: tn 6 abel
ABI
ABITUREIRA --vid. Abetwureira.
ABIÚL — villa, Extremadura, comarca e concelho de Pombal, districto administrativo de Leiria, bispado e 40 kilometros ao sul é da diocese de Coimbra; 160 ao norte de Lis- boa, 420 fogos. Orago Nossa Senhora das Neves. Feira no 1.º domingo de agosto.
Está situada em um valle cercado de ou- teiros, junto ao ribeiro do seu nome. No 4.º domingo de agosto (em que se faz a feira) é a festa da Senhora das Neves. Havia antiga- mente nesta occasião muitas festas de tou- tos; cannas, justas, cavalhadas, ete. etc. Ha- via na praça um grande forno que se accen-
dia na sexta feira antecedente, e depois de
arder até ao domingo (para o que gastava
12 ou 43 carradas de lenha) lhe mettiam'
dentro um bôlo (fogaça) de 10 ow-12 alquei- res de trigo (é grande! ...) indo um 'sujei- to, préviamente confessado e sacramenta- do, dentro do forno virar o bôlo.
Sobre a instituição desta qualidade de festas, e sobre fogaças, vide Pombal e Fo- gaça.
Consta que em 1561 e 1562, houve uma grande peste n'esta villa, que matou a maior parte da gente da freguezia. Um figurão d'a- qui prometteu então fazer todos os annos a festa do bôlo e a da Senhora das Neves, que fez logo cessar a peste. Por morte do tal figu- rão se continuou a festa, por muitos annos à custa da camara e depois foi feita por mor-
domos voluntarios. D. Manoel, os duques de:
Aveiro é o povo reedificaram e augmenta- ram a egreja em 15145.
Esta villa foi antigamente dos mph dé Aveiro, aos quaes cada morador della pa- gava 3 réis (está feito não era muito.)
Ainda existem as ruinas de um grande
palacio que os mesmos duques aqui tive-:
ram, e ruinas de varias casas nobres que aqui existiram em eras passadas.
Este palacio foi mandado fazer por André da Silva Coutinho, do qual os'duques: de Aveiro herdaram este senhorio. Existiam aqui muitas familias de fidalgos, que com- mettiam toda -a casta de despotismos e ar- bitrariedades ; e tantas queixas fez o povo, e tantas alçadas aqui vieram, que por fim ficou a aldeia limpa de gente tão damninha.
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Querem alguns que Abiúl seja derivado da; palavra arabe — Abizoude, composta de abi (pae) e zoude (augmentada) —sendo as- sim, quer dizer — Povoação do pae da au- gmentada. à
Outros suppõem que é nome proprio he-
| braico— Abiud — Abiud, era da geração de
David, filho de Zorobabel e pae de Eliacim, e um dos ascendentes 'de Jesus a se- gundo o Evangelho.
Foi primeiramente priorado e depois' vi- gariaria de Lorvão, tendo então 3 beneficia- dos, que cantavam as missas nos domingos e dias santos, sem obrigação de côro; mas 6 mosteiro de Lorvão tinha só o padroado da, egreja e suas rendas, ou, pelo menos, só fi- cou com istó, passando: o senhorio da villa aos Silvas Coutinhos, de quem o herdaram os duques de Aveiro, que o possuiram até 1759, passando então para a corôa, por elles te- rem perdido tudo (até a vida no supplicioty por crime de alta traição e tentativa de re- gicidio. A maior parte do que aqui tinham: os duques de Aveiro, for comprado ao esta- do pelos fidalgos Alvins.
Pela freguezia passa a'serra de Sicô ea rio do Seiçal.
Tinha capitão com duas pon de ordenança.
Tinha foral (em latim) feito por o abbade João, de Lorvão, em dezembro de 1475. D.
“Manoel lhe deu novo foral em Lisboa, a He
de julho de 1545.
O 4.º foral desta villa (de que não falla Franklim) foi-lhe dado por Diogo Peariz e sua mulher D. Exemena (Ismenia) em 1467 sem outro fóro mais do que a decima de to-
'| do. o pão, vinho, linho, alhos, sebolas e le-
gumes: Passando 'Abiul para o mosteiro de Lorvão (por doação de D. Afionso T, em 1175) o abbade e frades lhe deram outro fo- ral, mesmo em 4475. Não pude averiguar porque Diogo Peariz e sua mulher, 8 annos: depois de darem o foral, já não eram senho- res d'esta villa.
“No foral que o mosteiro são Lorvão ho deu, diz :-Et in servicio unam fugazam de
duobus alqueiris tritici, et unum caponem. (Is- to alem do mais.) Os mesmos frades lhe deram
outro foral em dezembro de 1476. Livro dos
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foraes novos da Extremadura, fl. 243 v. col. 2 e gaveta 14, maço 6, n.º 33. Torre. do Tombo.
(Vide Fogaça.) D. Manoel I, os duques de de Aveiro e o povo reedificaram a matriz em 1520.
ABOADELLA — freguezia, Douro, comar- ca e concelho de Amarante, 48 kilometros ao N. E. de Braga, 365 ao norte de Lisboa, 400 fogos.
ABOBADA — Vide S. Marcos da Abobada. ABOBOREIRA — Vide Alboboreira.
ABOIM — freguezia, Minho, comarca de Barcellos, districto administrativo, arcebis- pado e 24 kilometros a oeste de Braga, 360 ao N. de Lisboa, Orago S. Martinho. Foi vigariaria do convento de Carvoeiro.
ABOIM —freguezia, Minho, comarca de Ce- lorico de Basto, concelho de Cabeceiras de Basto, 35 kilometros ao N. E. de Braga, 360 ao N. de Lisboa, 150 fogos.
ABOIM — (Santa Maria de) freguezia Mi- nho, districto e arcebispado de Braga, co- marca de Guimarães, concelho de Fafe, 35 kilometros a nordeste de Braga, 360 ao nor- te de Lisboa. No alto do monte de Aboim está um grande templo, dedicado a Nossa Senhora, cuja imagem foi achada por uns pastores. Fertil.
ABOIM — freguezia, Minho, comarca e concelho de Celorico de Basto, 35 kilome- tros de Braga, 360 de Lisboa, 60 fogos.
ABOIM — (S. Pedro de) freguezia, Douro, eomarca e concelho de Amarante, 38 kilo- metros ao nordeste de Braga, 366 ao norte de Lishoa, 120 fogos.
Julgo que esta freguezia se cliamava an- tigamente Abuil, ou Santa Cruz de Abuil, e- foi dada em 922 ao mosteiro de Crestuma. Vide esta villa, Arcebispado de Braga, dis-: tricto administrativo do Porto.
ABOIM DAS CHOÇAS — freguezia, Minho,
comarca e concelho dos Arcos de Valle de, Vez, arcebispado e 45 kilometros ao noroes-. te de Braga, 395 ao norte de Lisboa, 120 fo-:
gos. Orago Santo Estevão. Districto admi-
nistrativo de Vianna. Os viscondes de Villa.
Nova: da Cerveira apresentavam: o abbade.. Na matriz ha reliquias: do padroeiro, trazi-' das de Jerusalem por Paulo Osorio. Diz-se:
teiro, junto à Pica, a qual lhe dera
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que livram de mordeduras de cães dama- dos. No logar das Choças esteve acampido o exercito de D. Affonso 7.º de Leão, artes
de ser derrotado por D. Affonso Henriques,
na Veiga da Matança (ou de Valle de Vez) em 1428. Tambem em 4643, aqui esteve reunindo a sua gente, o bravo D. Diogo de Lima, visconde, de Villa Nova da Cervera, quando foi soccorrer a praça de Monção, si- tiada pelos castelhanos. Diz-se que o nome de Choças lhe ficou das que os hespanhes aqui fizeram em 1428. Tem foral dado por D. Manoel, que está incluido no dos Aros de Valle de Vez. Livro dos foraes novos do Minho, fl. 84, v.
ABOIM DA NOBREGA — villa (Couto ex-. tincto) Minho, comarca de Villa Verde, (até 1855 era comarca de Pico «de Regalados,) Districto administrativo e arcebispado e 24 kilometros ao noroeste de Braga, 360 30 norte de Lisboa, 300 fogos, no concelho 1:100.
No Casal de Eiaro, d'esta freguezia, nas- ceu o célebre capitão mór das nãos da In- dia João Soares Vives, que, por desgostos com alguns fidalgos portuguezes, se passou para Castella, e Filippe IV o fez conde de Nobrega. Pelo meio da freguezia passa o ri- beiro de Aboim, que nasce na. freguezia de Gondomar e desagua no Lima. Tem. aqui
duas pontes de pedra, uma no sitio da La- meira, chamada de Portabril e outra perto
da egreja, chamada Ponte: da, Ordem. O rio cria bôas trutas e as suas margens são, na, maior parte, cultivadas. Foi couto e commen- da da ordem militar de Malta, e depois da corôa. Tinha então: juiz ordinario, dois ve- readores, procurador, meirinho, escrivão da camara e do civel, a cuja eleição presidia o corregedor de Vianna. O juiz.e escrivão dos: orphãos eram os da Barca. O commendador servia de capitão-mór..
Foi senhor d'este couto D. João de: Aboim, rico homem: no tempo de D. Affonso HI e seu. mordomo-mór. Depois foi do-conselho de el-rei D. Diniz. Viveu na aldeia y Ou-
- Mar-
tim Fagundes, commendador de Leça do Bailio e tenente do. grãosmestre D. Gonçalo. Pires, de. Pereira, em 20 de julho de 1270..
D. Affonso Pirês Farinha, prior do Crato, por consentimento do gram-commendador de Hespanha, fr. Faraúdo de Barrioco, lhe ti- nha dado Villa-Verde, em 1260. Estes Aboins e Nobregas eram grandes fidalgos no seu tempo e alliados com nobilissimas familias de Portugal e Hespanha. Tambem eram mui- to ricos.
O orago da freguezia é Nossa Senhora da Assumpção, cuja egreja foi em tempos re- motos mosteiro de freiras bentas. Ha aqui um dente santo que dizem ser de S.Fru-
ctuoso, abbade de Constantim (junto a Villa |
Real) onde está a cabeça delle sem um den- te, outros querem que seja de Santo Eleu- terio, papa, martyrisado em 496, e outros finalmente sustentam que é de Santo Eleu- terio, arcebispo de Braga, fallecido em 350, O. que é certo é ser o povo d'estes sitios muito devoto d'este dente, que, segundo el- le, livra de mordeduras de cães damnados. ABOIM E CODEÇOSO — Couto e concelho extincto (desde 1834) Minho, comarca de Ce- lorico de Basto. Tinha juiz ordinario, cama- ra e respectivos escrivães e meirinhos. Era donataria a collegiada de Guimarães. ABORIM — freguezia, Minho, comarca e concelho de Barcellos, districto administra- tivo, arcebispado e 24 kilometros a oeste de Braga, 360 ao norte de Lisboa, 80 fogos. ABRA —é a palavra arabe abra. Significa enseada ou ancoradouro para pequenas em-
barcações. Deriva-se do verbo ábara, entrar |
para dentro, passar álem, ou, de um para outro lado.
ABRAGÃO — freguezia, Douro, comarca e concelho de Penafiel, districto administrati- vo, bispado e 45 kilometros ao nordeste do Porto, 340 ao norte de Lisboa, 310-fogos.
Foi fundada por a rainha D. Mafalda, mu- lher de D. Affonso 1, em 4470. Pertenceu ao couto de Villa-Bôa-de-Quires, e foi dos mar- quezes de Fontes, que apresentavam os ab- bades, É o solar dos Mourões Guedes,
A egreja matriz, dedicada a S, Pedro, é
templo sumptuoso e foi fundado por a rai- | ] “rio romano, e o consul Decio Junio Bruto lhe .
nha Santa Mafalda (a de Arouca) filha de;D. Sancho I de Portugal, em 4:200. Foi reedi-
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sua custa; o qual fez tambem a residencia,
Jaz na capella mór da mesma egreja em tu- | mulo de pedra.
Antes de se fundar esta egreja, havia duas, uma nas Portellas e outra em Santome. Nºes- te ultimo sitio, chamado actualmente Cam- po do Santo, se descobriram em 1717 varias sepulturas razas e um sumptuoso tumulo, de pedra.
É terra muito fertil em tudo.
ABRALANSE — aldeia, Extremadura, pa- triarchado..
É derivada da palavra arabe Abrelhanagi, composta de abra (entrada) e hanaxe (co- . bra) quer pois dizer entrada da cobra.
ABRAN—freguezia, Extremadura, comar- ca e districto administrativo de Santarem, concelho de Alcanede, 105 kilometros ao nor- te de Lisboa, 200 fogos. É palavra arabe, derivada de abra, significa entrada, emboca- dura, ábra. Orago Santa Margarida. É no, patriarchado. Foi curato do prior de Alca- nede. Tambem se lhe dá o nome de Abrão.
ABRANTES — villa, Beira Baixa, districto. administrativo de Santarem, 135 kilometros a oeste da Guarda, 138 a nordeste de Lis- boa, 1:200 fogos, 5:000 almas. Tinha em 1660, 1:000 fogos. Tem duas freguezias, S. João Baptista e S. Vicente Martyr. Concelho 4:800 fogos, comarca 8:400. Feira a 24 de fevereiro, 3 dias. Situada na direita do Tejo, em fertil e deliciosa elevação. É no bispado, de Castello Branco.
Foi fundada por os Gallos-Celtas, 308 an- nos antes de Jesus Christo.
Consta, que o pretor romano Tubo a ree- dificou e lhe deu o seu nome. Querem ou-. tros que esta povoação foi fundada pelos.
turdulos, 990 annos antes de Jesus Christo.
Chamava-se Tubuci no tempo dos roma- . nos. (Outros dizem que Tubuci era Tancos.)
Ignora-se porém o seu primittivo nome.
Rodrigo Mendes da Silva diz que foi fun- |
"dada por andaluzes, 590 annos antes de Je- "sus Christo, dando-lhe o nome de Tubulli.
“Foi uma florescentissima cidade do impe-
edificou o castelo, 130 annos antes: de Jesus
ficada em 1668 pelo abbade daqui, o dr. | Christo; o
Ambrosio Vaz Golias, natural de Guimarães,
Os godos a tomaram aos romanos. pelos
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annos 'de 409 de Jesus Christo, dando-lhe 0 | havendo disputa de preferencia entre esta
nome de Aurantes, em razão do muito ouro que ali se extrahia das areias do Tejo.
Outros pretendem que foram os romanos que lhe deram o nome de Tubuci-Aurantes.
Os arabes a conquistaram aos godos em 716 e lhe chamaram Libia. D. Affonso I a tomou de assalto em 8 de dezembro de 1148.
Em 41479 veiu sobre ella Aben Jacob, filho do miramolim de Marrocos, com um grande exercito, e lhe pôz apertado cérco, dando- lhe muitos e ferocissimos ataques ; porém os habitantes da villa taes pruesas obraram e tantos mouros mataram que estes não ti- veram remedio senão retirar.
Em 1195 foi novamente cerçada por ou- tro exercito árabe commandado pelo feroz Almançor, com o mesmo suecesso.
Tendo ficado muito arruinada com o cêr- co de 1179, D. Affonso I a mandou logo re- construir, dando-lhe foral com muitos pri- vilegios, em premio da bravura dos seus ha- bitantes. Teve novo foral, dado por D. Diniz em dezembro de 1279. D. Manoel lh'o refor- mou em 1 de julho de 1510, em Santarem, com os mesmos privilegios. Livro dos foraes novos da Extremadura, fl. 52, col. 2.2: Maço 12 dos mesmos, n.º 3, fl, 15 e v. Livro dos foraes antigos, de leitura nova, fl. 44, v. col. 2. Este é o unico foral que não foi subscri- pto por Fernão de Pina; mas sim por Tho- mé Lopes, escrivão da camara de el-rei, que para isso teve especial mandado. No maço 4.º dos foraes antigos, n.º 4, n'aquella mes- ma data, de 4 de junho de 15140, se acha outro exemplar do foral de Abrantes, sub- scripto por Fernão de Pina, porém chancel- lado, o qual tambem foi lançado no mesmo livro de foraes novos da Extremadura a fl. “221 v., col. 1.º Torre do Tombo.
Diz a Historia dos Godos, que em todos os combates que tiveram logar durante o cêr- co de Aben-Jacob, só morreram nove chris- tãos. (Parecem-me muito poucos!...)
Os portuguezes lhe restituiram o nome que'os godos lhe haviam dado, trocando só- mente o u em vw, pois lhe chamaram Avran- tes, e, por fim Abrantes.
Querem outros que o nome actual lhe provem de que, em uma reunião de côrtes,
villa e a de Torres Novas, 0 rei dissera aos deputados d'aqui: «Hablad antes.» (O que é certo é que na Historia dos Godos vem de- nominada Ablantes). Mas é pêta, porque Tor- res Novas tinha assento nas antigas côrtes, no banco 60, e Abrantes no 76, e depois da nova organisação dos Tres Estados, tinha Torres Novas assento no banco 6.ºe Abran- tes no 9.º Nem podia haver conflicto de pre- ferencia, e se o houve ficou Abrantes por baixo, e não hablou antes..
As muralhas de circumvalação foram feitas por D. Affonso II e por D. Diniz, en- tre 1250 e 1300. D. Diniz deu esta villa a sua mulher, a 24 de abril de 1282. D. Fer- nando a deu depois a sua mulher D. Leonor Telles de Menezes, em 5 de janeiro de 1372,
-D. João YV deu esta villa de juro e herda- de a D. Rodrigo Annes de Sá Almeida e Me- nezes, alcaide-mór d'aqui e progenitor dos marquezes de Abrantes.
Abrantes: decaiu tanto do seu antigo es- plendor, que no seculo xvir estava quasi despovoada. D. Pedro II, pelos annos de 1698, a levantou das suas ruinas e reedifi- cou e ampliou as suas muralhas e fortifica- ções e povoando-a de novo.
Era da corôa, e D. João V a doou, com todas as suas jurisdições e titulo de mar- quezado, em 12 de agosto de 1718, a0 3.º marquez de Fontes, e ficou sendo cabeça, dê condado d'esta casa, até à morte da duque- za, neta do 4.º marquez e passou depois pa- ra a corõa.
Em 4809 o principe regente (depois de D. João 6.º) a mandou fortificar à modermas e ainda em 1857 foram concertadas as obras de defeza.
Abrantes, que no seu principio constava apenas de duas. ruas (Rua Nova e Rua do. Castello) que se arruinaram, foi-se estten- dendo pelo monte abaixo até a uns gramdes salgueiraes. (Em memoria d'elles ainda: ali ha a Fonte dos Salgueiros.)
Teve quatro freguezias: S. Vicente, S. Jição: Baptista, (é de tres naves e foi priorado ; é collegiada, com dois beneficios simples,) Sian- ta Maria do Castello e S. Pedro. É muito: an- tiga esta egreja. Era primeiro fóra da vrilla,
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onde hoje chamam Outeiro de S. Pedro, ou
| Carrasqueiros. Tem misericordia e um bom
hospital. Tem tambem um soffrivel theatro.
O seu principal templo é 6 de S. Vicente, cuja primitiva fundação se attribue aos go- dos. D. Sebastião reedificou o corpo da egre- ja, ficando só a capella-mór. Concluiu-se es- ta obra em 1590. Até 1150 se intitulava Nos- sa Senhora da Conceição, e de então para cá S. Vicente; por o seu primeiro aleaide- mór trazer de Lisboa um dente d'este santo. É uma egreja sumptuosissima. É dos me- lhores templos do reino. É collegiada com seis beneficios simples.
A egreja é de tres naves e toda de abo- bada.
A egreja de Santa Maria do Castello é tambem muito antiga, e tanto que se não sabe quando nem por quem foi fundada. É pequena, mas encerra muitos objectos d'ar- te de grande primor, principalmente os mau- soleus de Diogo Fernandes d'Almeida e de D. Antonio d'Almeida, da familia dos mar- quezes d' Abrantes.
Tem quatro conventos, dois de cada sexo.
O de frades dominicos, que fundou D. Lo- po d'Almeida, filho do 1.º conde d'Abran- tes, em 14472, e por ser o sitio doentio, o mudou D. Manuel para dentro da villa, prin- cipiando as obras em 34 de janeiro de 1509 e concluindo-se a 20 de março de 1527, se- gundo uma inscripção que está sobre a por- ta da egreja, da qual consta isto. Chamava- se Nossa Senhora da Consolação. Outros di- zem que o fundou Diogo Fernandes d'Al- meida, pae de D. Lopo, que foi o 4.º conde d'Abrantes. O seu primeiro sitio era onde ainda hoje se chama «Mosteiro Velho» a dis- tancia de 1:500 metros da villa.
O de frades de Santo Antonio (piedosos) foi fundado pelo mesmo D. Lopo d'Almeida (no sitio da Abrançalha) em 1526.
O de freiras dominicas, de Nossa Senhora da Graça, foi fundado por D. Vasco de La- mego, bispo da Guarda, em 1384. Foi pri- meiro de conegas regrantes de Santo Agos- tinho, e se extinguiu por causa da peste que houve em 1438. Chamava-se então de «Santa Maria das Donas». As primeiras freiras vie- ram de Chellas, e foi primeira prioreza D.
VOLUME I
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Maria Vasques, irmã do dito bispo. Para não ficar completamente abandonado, residia n'elle uma commendataria, que, quando morria, era substituida por outra. Durou isto até ao reinado de D. Manuel, tempo em que se tornou a juntar congregação, sendo commendataria D. Beatriz de S. Paulo. Em 1541 professaram a regra de S. Domingos e no de 1548 se mudaram para o Rocio, onde hoje estão. Foi D. João II que lhe deu o novo convento, com muitos privilegios.
Nossa Senhora da Esperança, freiras de Santa Clara (franciscanas) foi primeiro fóra da villa. Era padroeiro João de Campos Bar- reiro. O rei D. Manuel deu-esta villa a seu filho, o infante D. Fernando.
Quando Junot invadiu esta villa (24 de novembro de 1807) com uma horda de fran- cezes e castelhanos, famintos, esfarrapados e descalços, para nos libertarem do jugo dos inglezes, alem de outros muitos roubos que aqui praticaram, libertaram de botas e sa- patos todos os moradores d'esta villa, fican- do tudo descalço. (Os sapateiros depois não tinham mãos a medir !)
Buonaparte em premio d'esta grande fa- canha das botas e sapatos, tão heroicamente conquistados, fez Junot duque d Abrantes !! (Era mais racional fazel-o duque do chinello.) Nem o traidor Afionso de Lencastre, nem q salteador Junot ficaram muito ricos com q ducado d'Abrantes. Tambem tanto direito tinha Filippe IV como o neto do carniceiro de Ajacio, de fazerem duques em Portugal.
Tinha voto em côrtes, com assento no banco 9.º Tem marquez. (É hoje dos herdei- ros do ex.me D. José Maria da Piedade Alen- castre).
O ex-usurpador Filippe IV, fez d'aqui du- que (!) em 1641 (ainda veio a tempo!...) a D. Affonso de Lencastre (que tambem fez 1.º marquez de Porto-Seguro, na Hespanha). Era filho do duque d'Aveiro. (Estes duques d'Aveiro, já de longa data eram muito leaes á patria!)
É praça d'armas, cercada de fortes mura- lhas, com suas torres e cubellos, tendo no mais alto da villa o seu soberbo castello e n'elle um bom palacio dos marquezes de Abrantes, que eram os seus alcaides-mores
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O marquez D. Rodrigo Annes de Sá Almei- da e Menezes o reedificou pelos annos de 4740; mas a sua morte foi a causa de se não concluir esta obra magestosa.
Das quatro antigas freguezias
S. Vicente, martyr — vigariaria apresen- tada pelo rei; collegiada, com seis beneficia- dos, coadjutor e thesoureiro. ]
S. João Baptista —vigariaria do real pa- droado, collegiada, com seis beneficiados, coadjutor e thesoureiro.
Santa Maria do Castello — priorado, que o rei apresentava, collegiada, com dois be- neficiados e cinco capellães, todos apresen- tados pelos marquezes de Fontes, que aqui tinham o seu jazigo.
S. Pedra— priorado da corôa.
O primeiro titulo d'esta villa foi o de con- dado. Foi seu 1º conde, D. Lopo d'Almeida, por D. Afonso V, em 1472, (vide adiante).
O titulo de ducado que Filippe IV deu à D. Affonso d'Alencastre, nunca foi confir- mado pelos reis de Portugal.
D. João V elevou Abrantes a marquezado, em 4718, a favor de Rodrigo Annes de Sá Almeida e Menezes, 3.º marquez de Fontes e 6.º conde de Penaguião, que falleceu n'es- ta villa d'Abrantes êm 30 de abril de 1733.
A ridicula nomeação do malvado e sacri- lego Junot no ducado d' Abrantes, pelo mons- tro corso, deu em agua de bacalhau; mas Junot teve o desaforo de se continuar a as- signar duque d' Abrantes! E o que é ainda Maior desaforo e escandalo é a gente ver al- guns escriptores portuguezes darem seria- mente este titulo caricato a Junot!
Proximo d'esta villa, em 12 de agosto de 4810, houve uma batalha, dada pelo exerci- ão luso-anglo. contra as hordas francezas.
Desde 9 de outubro de 1810 até 7 de mar- co de 1811, a tropa portugueza, o povo da villa e algumas tropas inglezas defendem he- roicamente Abrantes, cercada pelos solda- dos de Massena. N'este ultimo dia levanta- ram o cerco, fugindo para a Hespanha.
Em uma lapide collocada ha poucos an-
“
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nos debaixo da abobada da principal porta do castello, se lê esta inscripção :
FOI ESTE CASTELLO FORTIFICADO POR DECIO JUNIO BRUTO, CONSUL ROMANO, NO ANNO CXXX ANTES DE CHRISTO.
EM 8 DE DEZEMBRO DE 1148 FOI TOMADO DE ASSALTO AOS MOUROS, POR D. AFFONSO HENRIQUES, EM 1279 FOI NOVAMENTE FORTIFICADO PELO MESMO REL, EM CONSEQUENCIA DE FICAR ARRUINADO DO CERCO QUE LHE POZERAM OS MOUROS, CAPI- TANEADOS POR ABEN JACOB, FILHO DO MIRAMOLIM, REI DE MARROCOS —E LHE FOI DADO FORAL, PELA VALOROSA RESISTENCIA QUE FIZERAM SEUS DEFENSORES. EM 1195 FOI DESBARATADO OUTRO EXER- CITO DE MOUROS, PELA SUA GUARNIÇÃO.
FORAM LEVANTADOS SEUS MUROS POR D. AFFONSO 8.º, E CONTINUADOSS POR D. DINIZ, QUE O DEU, EM 9h D'ABRIL DE 1281, Á RAINHA SANTA ISABEL.
EM ô DE JANEIRO DE 1372 CONSTITUIU PARTE DO DOTE DA RAINHA D. LEONOR TELLES DE MENEZES.
EM 1809 roi DE NOVO MANDADO FORTIFICAR, ASSIM COMO A VILLA, PELO -GOVERNO DO PRINCIPE REGENTE. EM 11 DE OUTUBRO DE 1857 VEIO GOVERNADOR, O GENERAL BARÃO DA BATALHA, QUE, DESEJANDO LEVANTAL O DAS RUINASS A QUE SE HIA REDUZINDO, ft TRATOU DE LHE MANDAR
FAZER AS REPARAÇÕES QUE HOJE TEM.
Abrantes é o solar dos Themudos, cappel-
lido nobre em Portugal, e verdadeiramente :
ortuguez. O primeiro que se assignou Te- o o
mudo (por ordem expressa de D. Affomso V) )
foi Ruy Fernandes Temudo, natural (d'esta
villa. Foi um esforçadissimo capitão, que nas | guerras da Africa fez prodigios de valor. Em | premio d'elles, o dito rei lhe augmenttou as | armas, por provisão de 11 de outubro de | 1476, ficando assim construidas — em cam- | po azul, uma aguia d'ouro, de duas caibeças, | azas abertas eos pés firmados sobree uma!
cabeça de mouro, com turbante de jprata,
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cortada em sangue, e por orla um cordão de S. Francisco, d'ouro. Timbre, meia aguia d'ouro. Temudo, no antigo portuguez, signi-
fica temido.
Actualmente é muito numerosa a familia dos Themudos, e se acha espalhada por va- rias provincias do continente, ilhas e mais possessões do ultramar. É notavel que esta familia, ha mais de dois seculos, é muito in- elinada à jurisprudencia, que muitos dos
seus teem exercido com distineção.
É hoje uma grande, bonita é florescente villa, com algumas ruas boas e uma grande praça na qual está à casa da camara, que é
grande e regular, construida no seculo pas- sado.
Residiram por vezes n'esta villa os reis D. Manuel e sua segunda mulher (que aqui
deu à luz os infantes D. Luiz e D. Fernan- do). D. Luiz nasceu em 1505 e D. Fernando em 1507. O ultimo aqui viveu, e aqui mor- reu em 1534, nas casas que depois foram do morgado Caldeira. D. Pedro I, o infante D. Pedro, filho de D. João 1, e D. João II tam- bem aqui residiram.
Tem por armas quatro flores de liz em eruz, quatro corvos a cada canto e uma es- trella no centro. As flores de liz veem-lhe do seu primeiro alcaide-mór, que era fran- cez; os corvos do tal dente de S. Vicente e a estrella indica que foi terra de mouros.
Tem boas pedreiras de lousas (ardosias).
De Abrantes até ao mar é o Tejo perfeita- mente navegavel, sem o minimo obstaculo.
É a 23. estação do caminho de ferro de leste. É preciso notar que na numeração das estações do caminho de ferro, não conto a principal, de Lisboa, contando como pri- meira à do Poço do Bispo.
É quariel de infanteria n.º 41.
Ha proximo d'esta villa varias nascentes d'aguasmineraes, sendo a melhor a agua fer- Tuginosa que nasce na quinta do Ribeirinho.
A villa está em 30 graus e 24 minutos de latitude e 10º e 22º de longitude.
Do castello se avista Punhete, Sardoal, Mação, Castello de Belver, a Torre do Ga- vião, Santarem e muitas freguezias.
O 1.º conde d'Abrantes, foi (como já dis- se) D. Lopo d'Almeida, por D. Aflonso V,
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em 1472, estando em Samora. Pedro de Mariz, diz que foi em 1474, estando em Miranda. D. Lopo d'Almeida era do conselho del-rei, al- caide-mór de Punhete, tendo as jurisdições do Sardoal, Mação e Amendoa. Casou com D. Brites da Silva, dama da rainha D. Leo- nor, mulher do rei D. Duarte, e camareira- mór da rainha D. Isabel. Teve entre outros filhos, a D. João d'Almeida, 2.º conde de Abrantes, D. Francisco d'Almeida, 1.º vice- rei da India e D. Diogo Fernandes d' Almei- da, 6.º prior do Crato, monteiro-mór de D. João IE e alcaide-mór de Torres Novas. Mor- reu em Almeirim a 43 de maio de 1508.
O sr. D. José Maria da Piedade e Lencas- tre, herdeiro primogenito dos ultimos mar- quezes de Abrantes, e administrador do mar- quezado, não quiz receber dos liberaes o ti- tulo de marquez que lhe pertencia. Era um legitimista leal -e decidido, e um perfeito ca- valheiro, de trato ameno e franco e de não vulgar illustração. Morreu a 28 de fevereiro de 1870, em Lisboa.
Tem estação telegraphica de 4.2 ordem (ou do estado).
Aqui nasceu, em 8 de janeiro de 1824, Francisco Alves da Silva Taborda, o actor mais engraçado e popular dos nossos dias.
D. Anna Catharina Henriqueta de Lorena, filha de Rodrigo Eannes de Sá Menezes e Almeida, 3.º marquez de Fontes e 4.º mar- quez d'Abrantes, e de D. Isabel de Lorena, filha do 1.º duque de Cadaval, foi casada (a primeira de que fallei) com seu tio, D. Ro- drigo de Mello, filho de D. Nuno Alvares Pereira de Mello, 4.º duque de Cadaval, 4.º marquez de Ferreira e 5.º conde de Tentu- gal. Tendo D. Anna enviuvado, foi feita ca- mareira-mór da rainha D. Marianna Victo- ria, mulher de D. José I, e logo depois (em k de dezembro de 1753) este soberano a fez duqueza d' Abrantes.
Foi 2.º duqueza d'Abrantes, sua filha, D. Maria Margarida de Lorena, que era mar- queza d'Abrantes pelo seu casamento com D. Joaquim Sá Menezes e Almeida, 2.º mar- quez d'Abrantes e 8.º conde de Penaguião. Ficando viuva, foi elevada a duquezad” Abran- tes, tambem por D. José I. Casou em segun- das nupcias com D. João, filho legitimado do
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infante D. Francisco, irmão de D. João V.
A este D. João chamava:o povo 0 sr. D. João da Bemposta, por ter estabelecido a sua residencia no real paço d'este nome. Este principe foi conselheiro d'estado, mordomo- mór de D. Maria I, e capitão general das ar- madas reaes e -galeões de alto bordo. Falle- ceu em 1780.
D'este casamento não houve successão, e acabou o titulo de duque d'Abrantes.
Uma senhora chamada Queixa Perra (que nome!) doou a Lorvão, em 1176, muitos bens que possuia em Abrantes.
Tinha esta villa até 1834, juiz de fóra, al- caide-mór (com muitas rendas) e capitão- mór, com duas companhias na villa e qua- tro no termo.
ABRAVEZES — freguezia, Beira Alta, dis- tricto administrativo, bispado, comarca e concelho de Vizeu, 285 kilometros ao norte de Lisboa, 340 fogos. Orago Nossa Senhora dos Prazeres.
ABRECHOEIRA — villa de que faz menção Duarte Nunes de Leão na Descripção do rei- no.de Portugal. É na comarca de Thomar. Não ha mais noticias d'ella em outro auetor an- tigo ou moderno.
ABREIRO —villa, Traz-os-Montes, comar- e de Mirandella, concelho de Lamas d'Ore- lhão, situada em alto, proximo da margem direita do Tua (onde tem uma alta ponte de cantaria feita pelos annos de 1760), 120 ki- lometros a noroeste de Braga, 18 de Villa Flor, 370 ao norte de Lisboa, 170 fogos. D. Sancho II lhe deu foral em 9 de setembro de 1225. Confirmado por D. Affonso HI em 1250. D. Manuel lhe deu foral novo em Lis- boa em 2 de agosto de 1514. Ruy Mendes da Silva (Poblacion general à Hesparia) diz que D. Sancho II à povoou em 1225, quando lhe deu o foral. Livro dos foraes novos de Traz- os-Montes, fol. 23, col. 4.º Torre do Tombo.
Foi dos marquezes de Villa Real, que a perderam, por serem traidores à patria, em 1641. Passou depois a ser commenda e isemn- “to da ordem de Malta.
Tinha em 1660 120 fogos. Orago Santo Estevão, martyr.
E povoação muito antiga, talvez fundada
ABR pelos godos. Os arabes a possuiram e lhe deram o nome, pois Abreiro é derivado de âbara. palavra arabe, que significa entrar, ou passar de um para outro lado.
Era vigariaria da ordem de Malta, apre- sentada pelo commendador de Poyares.
Ha vestigios de uma fortaleza romana ou arabe, no alto, onde está a capella de Santa Catharina, virgem e martyr.
ABRILONGO — pequeno rio no termo da villa dOuguella. Mette-se no Chévora. (ou Xevora) proximo e em frente da dita villa.
ABRIGADA (Nossa Senhora da Graça da) — freguezia, Extremadura, comarca e con- celho de Alemquer, districto administrativo, patriarchado e 60 kilometros ao N. de Lis- boa, 320 fogos. Orago Nossa Senhora da Graça.
Esta freguezia, que antigamente era po- bre e pouco productiva, está hoje soffrivel- mente bem cultivada, pelo que é uma das mais ricas e ferteis do concelho.
A aldeia de Atouguia das Gabras, foi sem-
pre e até ha poucos annos o logar maas im- | portante da freguezia, e por isso lhe deu o :
seu nome. Por freguezia de Atouguia das
Cabras é designada em todos os dieciona- | rios geographicos, e officialmente. Tambem | esta aldeia é a que está mais proxima da 4
egreja matriz.
nome de Abrigada do que o de Atouguia das Cabras, se foi desprezando este e adotando
banas do Chão.
tendem-se a 5 kilometros.
é muito estimado. «
dade, que tambem se exporta.
O vinho d'esta freguezia é excelente e: com abundancia, exportando-se para diffe-: rentes partes do reino e para o Braziil, onde.
Cria-se aqui muito gado de toda a, quali-
- O prior de S. Pedro de Alemquer, apre- sentava aqui o parocho (cura) por esta fre-
A aldeia da Abrigada, porém, foi adqui- | rindo tanto desenvolvimento, opulemeia e 1 população, que é hoje a principal da fregue- E zia, e como era mais curto e mais bonito o |
ifiifcacens ác
aquelle, pelo qual é hoje conhecida esta fre- É guezia, que é composta de 5 povoações : É Abrigada, Bairro, Estribeiro, Atouguia e Ga- |
As quintas, mattos e optimas vinhas es- |
iai natas
ABR
guezia ser annexa à de S. Pedro. Tinha de renda (o cura) um moio de trigo, duas pi- pas de vinho e o pé d'altar. Desde 1842, tem o parocho (que agora tem o titulo de prior) 1904000 réis de congrua, incluindo o pé d'altar, que rende uns 603000 réis.
A-egreja matriz dista uns 400 metros da Abrigada, é pouco menos de Atouguia. É um templo pequeno e tosco, que parece ser fundado ahi por meiado do seculo x1v. Pa- rece que o terremoto o damnificou, porque foi concertado no anno de 1768, segundo uma data que se vê na parede exterior.
Em frente da egreja ha um espaçoso lar- go, tendo no centro um simples mas ele- gante cruzeiro, de pedra polida, alli collo- cado em 1862. Em redor d'esteglargo ha al- gumas casas modernas, que servem para à accommodação dos romeiros da antiquissi- ma festa de Nossa Senhora da Ameixocira, que tem logar nos mezes de agosto e setem- bro e são muito concorridas.
Ao pé da sachristia ha uma campa com a inscripção já tão apagada, que se não póde ler. Tem o brazão d'armas dos Araujos, da Abrigada (ou de Alemquer) que são em cam- po de prata, uma aspa azul, carregada com cinco besantes de ouro. Elmo de aço aberto, e por timbre meio mouro com braços, ves- tido de azul, com um capello de ouro, como de caça, na cabeça.
Note-se que só este ramo dos Araujos usa das armas descriptas. O ramo principal traz por armas: escudo esquartelado, no primei- ro uma meia dama vestida de purpura, com flores de ouro na cabeça, sobre uma torre de prata, em campo verde; no segundo um sol de ouro e uma lua (crescente) de prata e sete estrellas tambem de prata, em campo azul; no terceiro e ultimo, duas aves par- das, em campo branco, elmo de prata aber- to e por timbre a mesma dama.
É tradição na freguezia, ser este o jazigo da famika Araujo, da quinta da Abrigada.
Effectivamente é a sepultura de Gonçalo
Vaz de Araujo, fundador d'este morgado, que morreu pelos annos 1620, e de outras pessoas da sua familia.
No seculo passado enterrou-se neste ja- zigo uma menina de 7 annos, filha do então
ABR 21
administrador do morgado. No fim das exe- quias, ouviu o sachristão algum ruido, à que não deu importancia, mas passados al- guns dias, souberam os paes da menina que o sachristão tinha fallado no caso. Manda- ram elles logo abrir o jazigo e achou-se a desgraçada creança sentada nos degraus, onde tinha ido morrer de fome, de frio e de terror!
Em 1856 se construiu proximo à egreja, um bonito cemiterio, murado, e fechado por um portão de ferro. ;
Já n'elle ha dois samptuosos mausoleus, um construido em 1859, é do sr. José Maria Camillo de Mendonça (hoje visconde da Abri- gada) para elle e sua familia, o outro per- tence ao sr. Domingos José da Silveira e aos seus.
A aldeia do Bairro, que no começo do se- culo passado tinha 50 fogos, tem actualmen- te 89. Ha aqui a fonte do juiz, que sendo abundante no verão, sécca no inverno.
A aldeia do Estribeiro, tinha no principio do seculo passado 15 fogos: hoje tem 25. Chamava-se antigamente Destrabeira.
As principaes quintas d'esta freguezia são : da Abrigada e do Casal do Alamo, do sr. F. Raphael Gorjão; das Marés, do sr. D. Joa- quim da Silva; de Vallongo, da Companhia de Credito Predial; do Bairro, e o Casal do Viegas, do sr. Ascencio de Sequeira Freire; quinta do Ex-couto, (que foi antigamente coutada) do sr. visconde da Abrigada; Casal do Marques, do sr. A. P. de Araujo; Casal d' Atouguia, do sr. conde dos Arcos; Casal dos Mogos (dos Marcos) do sr. Antonio Joa- quim. |
Vide Abrigada, aldeia; Abrigada, quinta; Cabanas do Chão, Ameixoeira (Nossa Senho- ra da), e Cabanas de Torres, freguezia; on- de se declara o mais que não vaé n'este ar- tigo, e que pertence á freguezia. Vide tam- bem Atouguia das Cabras.
ABRIGADA — aldeia, Extremadura, fre- guezia de Atouguia das Cabras (vulgo Abri- gada) comarca e concelho de Alemquer, dis- tricto administrativo, patriarchado e 60 ki- Jometros ao N. de Lisboa, 115 fogos. (Tinha no principio de seculo passado 30 fogos).
É tradição que antigamente a esta aldeia
22 ABR
se chamava Amieiro; mas já no principio do seculo xvr se lhe. dava o nome de Briga- da, que se corrompeu em Abrigada. .
Differentes (e, quanto a mim, todas mais ou menos disparatadas) são as origens que se dão ao nome d'esta aldeia, e às variantes de tal nome.
A respeito de Amieiro estamos nós bem, que toda a gente sabe o que é; mas d'onde he vem o nome mais moderno de Brigada ? Não é provavel que venha de briga, palavra celtica, que significa povoação ; nem de Bri- go, &.º rei de Hespanha; porque o nome de Brigada é moderno, e, quando muito, tem 300 ou 400 annos.
Tambem não é verosimil que fossem os fugitivos de Torres Vedras e Villa Verde dos Francos (Vide Cabanas de Torres) que lhe dessem este nome; porque então lhe chama- riam logo Abrigada (e não Brigada) visto que lhes serviu de abrigo. Nem tambem acho geito nenhum à etymologia dada por outros, isto é, que o segundo nome d'este logar pó- de vir de briga, contenda, peleja, etc. Não ha tradição que houvesse por estes sitios facto algum d'esta natureza cuja importancia fos- se tanta que merecesse dar o nome ao logar.
N'estas duvidas, de certo indeslindaveis, cada um pôde inclinar-se para a hypothese que mais lhe agradar.
Deixando estas questões de uma impor- tancia soffrivelmente problematica, vamos ao actual e positivo.
O logar da Abrigada, apresenta um aspe- cto de aceio, de prosperidade e de progres- so; e, com effeito, ha alguns annos tem tido um desenvolvimento muito notavel, o que, em grande parte, é devido a residirem aqui muitosproprietarios abastados c intelligentes.
Em 27 de janeiro de 1870, foi feito vis- conde da Abrigada o sr. José Maria Camil- lo de Mendonça, rico proprietario n'esta fre- guezia e opulento negociante da praça de Lisboa. A sr.2 viscondessa é da familia dos srs. viscondes da Bahia e irmã da esposa do sr. Gorjão da quinta da Abrigada, de que adiante se trata.
ABRIGADA (quinta da) —no logar do seu nome, freguezia de Atouguia das Cabras, ou como hoje se diz, da Abrigada.
ABR
Esta propriedade é muito antiga, e cha- mava-se primeiramente quinta do Amieiro ; porque, como já disse, era. Amieiro o pri- meiro nome do logar da Abrigada; ou, pelo menos, o mais antigo que se lhe conhece. No principio do seculo xy1, era de Fernão Balones, que a vendeu a Fernando Alves Cabral, que depois a vendeu por 3008000 réis a Goncalo Vaz, que a augmentou com varias propriedades contiguas, que comprou. Herdou-a seu filho Gonçalo Vaz de Araujo, que por sua morte a instituiu em morgado, com a condição de seus suecessores funda- rem neste logar uma capella, com uma tasa contigua, propria para dar acolheita a pas- sageiros pobres: sendo a capella dedica- da a S. Roque, cuja imagem deviam ir bus- car ao sitio de Monte Santo, nas faldas de Monte Junto. Esta capella foi saqueada e e padroeiro despedaçado pelas hordas france- zas em 1814. Foi depois reparada e feito um novo padroeiro.
É actual possuidor d'esta Della quinta, o sr. Francisco Raphael Gorjão, casado com uma filha da sr. viscondessa da Bahia, Tan- to o sr, Gorjão, como a sua dignissima es- posa, são geralmente estimados e amados dos povos d'aqui, pelas optimas e rarissimas qua- lidades que os adornam.
O sr. Gorjão descende de um nobre caval- leiro francez, chamado Jean Gorgeon, que roubando na França uma senhora casada, fugiu com ella para Portugal no reinado de D. Pedro 1, que informado da nobreza e in- trepidez d'elle, o recebeu com alegria e lhe deu terras no Trucifal, onde Gorgeon fundou o seu solar, e em cuja egreja jazem muitos dos seus descendentes.
Passados annos, o marido ofíendido, sou- be que elles residiam em Portugal, onde os veio procurar. Encontraram-se os dois ri- vaes junto a uma ribeira, no logar de Enxa- ra dos Cavalleiros, e pelejando, cairam am- bos mortalmente feridos, escrevendo ambos com seu sangue, sobre uma lagem, que que- riam ser enterrados na mesma sepultura !
Esta quinta tem quasi uma legua de ex- tensão, podendo ser quasi toda regada.
É admiravel a rapidez com que aqui se desenvolvem quaesquer vegetaes. Arvores
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ABR
plantadas ha poucos annos, estão tão fron- dosas como se tivessem seculos! Ha n'esta quinta um banco de argilla re-
“ fractaria, que, aproveitada, podia ser um
manancial de riqueza.
Já por duas vezes se tentou aproveitar este barro para tubos refractarios; mas de ambas falhou a empreza, a primeira vez pe- la ignorancia do director dos trabalhos, e a segunda por falta de dinheiro.
Hoje, que tanta extracção tem esta mate- ria e que tão varias applicações tem na in- dustria, é de esperar que se tente um novo commettimento, dirigido por pessoa intelli- gente, e com uma companhia que possa dis- por de fundos necessarios para a exploração.
As casas da residencia dos proprietarios d'esta quinta são vastas, construidas com muita magnificencia e formosamente situa- das. Tem um bello largo, onde ha um tan- que abundante de optima agua, para alli trazida ha' menos de um seculo.
ABRUNHEIRA —- concelho na comarca de Soure, com 1:720 fogos. Vide Verride.
ABRUNHOSA DO LADARIO — villa, Beira Alta, concelho de Satão, districto adminis- trativo, bispado, comarca e 24 kilometros de Vizeu, 300 ao N. de Lishoa, 150 fogos, 600 almas. Orago Santa Maria. Foi conce- lho, com camara e juiz ordinario. Era da corôa.
ABRUNHOSA-A-VELHA — freguezia, Bei- ra Alia, comarca e concelho de Mangualde, extincto concelho de Tavares, 212 fogos, 340 kilometros ao norte de Lisboa. Orago Santa Cecilia. Districto administrativo e bispado de Vizeu, d'onde dista 24 Kkilometros. Tem um lindo e devoto sanctuario de Nossa Se- nhora; foi villa.
Foi antigamente da comarca de Vizeu. Foi elevada à cathegoria de Villa, quando os se- nhores Paes, de Mangualde, foram feitos do- natarios d'esta povoação e de Villa Mendo, no seculo xvirr, ficando aquellas duas povoa- ções formando um concelho, com juiz ordi- nario, camara, e necessarios escrivães e of- ficiaes de diligencias d'ella.
No judicial serviam alternativamente os
| tres do judicial e notas, de Tavares; mas
efectivamente o dos orphãos.
ACH 23
A superintendencia das decimas estava na juizo de fóra de Mangualde e Tavares, e es- tendia-se a mais dois concelhos pequenos, extinctos ha muitos annos.
Um d'estes concelhos extinctos pertencia à ouvidoria de Linhares, outro ao de Penial- va do Castello.
Quando Abrunhosa foi elevada à cathego- ria de villa, se lhe deu o nome de Villa No- va d' Abrunhosa Velha ; mas actualmente tor- nou a perder o titulo de Villa Nova, e só the chamam Abrunhosa Velha.
No concelho de Mangualde ha a aldeia de Abrunhosa do Matto, que é na freguezia de 8. Thomé da Cunha Baixa.
ABRUTELLA — palavra antiga. O mesmo que arroteia, terra recentemente reduzida à cultura. Vide Aral, que vem a ser o mesmo.
ABYSMO — Vide Abismo.
ACCARAR — portuguez antigo, mirar, en- carar.
ACEQUIA — Ha em Portugal algumas al- deias d'este nome. É derivado do arabe as- saquiat, significa regato ou ribeirinho. Vide Assequins. Tambem significa açude, lago ow charco, feito na margem do rio.
ACHA — Vide S. Miguel d' Acha.
ACHADA — pequena serra na Extrema- dura, principia proximo de Cascaes e pas- sando por Monte Redondo continua até à serra de Monte Junto. É aqui a quinta das Lapas dos marquezes de Alegrete.
Achada ou Achaada, no portuguez antiga significava planície, descampado, terra baixa e plana. Tambem significava plató.
ACHANTAR — portuguez antigo, metter, introduzir, espetar, enterrar, etc.
ACHAS — Ha uma herdade d'este nome, no termo de Jalles, (Traz-os-Montes) que era tão importante no seculo xur, que D. Affon- so III lhe deu foral, em Lisboa, a 28 de maio de 1270. Está na Torre do Tombo, Livro 4.º das doações de D. Affonso HI, folha ir co- lumna 4.2
ACHETE — freguezia, Extremadura, dis- tricto administrativo, comarca e concelho de Santarem, 95 kilometros ao nordeste de Lis- boa, 296 fogos. É palavra arabe Axaat (ove- lha) significa povoação da ovelha. Oraga
24 AÇO Santa Maria. É no peteapetatto Era viga- riaria de concurso.
ACISTANO —portuguez antigo, hoje mos- teiro. Tambem se dizia aciterio, acisterio e acitano.
AÇOR — (serra do) na Beira Baixa, prin- cipia no logar do Sobral e acaba em Arga- nil, tem 33 kilometros de comprido e 12 de largo. Á beira d'esta serra ficam as-vil- las de Coja e Avô e muitas aldeias. É em grande parte cultivada, e onde o não é, dá bons pastos para 0 gado. Tem coelhos e per- dizes. A sua etymologia é de facil compre- hensão, isto é, açor, ave de rapina.
AÇOR — (serra do) no Algarve, 18 kilo- metros de comprimento e 15 de largo. Tam- bem lhe chamam Serra da Dobra e serra de Pero Janeiro (segundo os sitios por onde passa). Ao oeste d'ella nasce o rio Delouca (ou Adelouca) e ao éste o rio Encherim. Tem grandes mattas de azinheiros é muita caça. Tinha antigamente muitos javalis.
AGOREIRA — Vide Assureira.
AÇORES — pequena serra, Douro, fregue- zia de Santa Maria das Medas, concelho de Gondomar, a 24 kilometros ao nordeste do Porto. Tem 1:500 metros de comprimento e 1:000 de largo. Ha aqui 12 profundos fó- jos, que se diz serem minas d'ouro dos To- manos ou arabes.
Nasce aqui o ribeiro de Villa Cova, que desagua no Douro. Tem algumas arvores sil- vestres, matto e caça.
Ha n'esta serra a Lagoa da Fisga, que tem 1:500 metros de comprimento e 800 de lar- go. De verão o seu leito está secco e dá op- timo milho (e actualmente mesmo de inver- no, pouco espaço delle é occupado por as aguas).
É tradição que foi uma cidade no tempo dos godos. Dizem alguns que era a antiga Penafiel. Vide esta palavra.
“AÇORES —villa, Beira Baixa, comarca e concelho e 6 kilometros de Celorico da Bei- ra, bispado, distrieto administrativo e 12 ki- lometros ao N. da Guarda, 300 à éste de Lisboa, 120 fogos, 500 almas. A antiga egre- ja matriz era em Aldeia Rica, freguezia hoje unida a esta; mas a primeira egreja anda existe. A matriz era a antiquissima
AÇO
egreja de Nossa Senhora dos Açores, de architectura gothica e de tres naves Es- ta egreja foi demolida, por estar mui- to arruinada, e reedificada quasi pelos fun- damentos, pelos annos de 1790. O Seu ora- go é Santa Maria, ou Nossa Senhora dos Açóres.
Na capella-mór, da parte do Evangelho, está um tumulo com a seguinte inscripção : «Requievit famvla Xpi. in pace. Svintiliv- ba- sub mense. Novembres. Era DCCHIL »
D'esta inscripção semi-barbara se collige que na era de Cesar 704 (666 de Jesus Chris- to) se sepultou aqui Swintiliuba, serva do Senhor. Houve aqui em tempos remotissi- mos um convento duples. No fim do seculo passado se descobriu nos amplissimos pas-- saes dos priores (que provavelmente foram cêrca do convento) as columnas do claustro e as paredes das officinas. A chronica dos. eremitas de Santo Agostinho diz que no se- culo vi houve aqui um mosteiro da sua ordem; mas não adduz provas que satisfa -- cam plenamente.
Ha aqui o nobre é antiquissimo Sanetua- rio de Nossa Senhora dos Açores, que hoje é matriz (como já disse). N'ella se conservam quatro primorosos quadros, 1.º appareci- mento da Senhora ao rustico da vacca; 2.º o do filho do rei ressuscitado ; 3.º do açôr é k.º da victoria que os portuguezes alcança- ram dos castelhanos-proximo d'aqui. Estas pinturas não têem outro fundamento senão a tradição do povo; pois ninguem sabe quem é o filho do rei que ressuscitou, nem quando nem porque foi dada a batalha.
Desde o principio da monarchia, tiveram os nossos reis este sanctuario em grande de-- voção e lhe fizeram boas doações. D. Manuel no foral que deu a Celorico, em 1512 (1.º de julho) manda que a terça parte dos. montados e maninhos, se gastará com os ca-. . valleiros e escudeiros que forem uma vez por anno em romaria q Nossa Senhora dos Aço- res.
A 3 de maio é que se faz esta romaria, pela camara de Celorico e a despeza era. feita pelas ditas terças e por um bom Te- gado que para isto deixou uma devota (não. prevendo que deixava o seu dinheiro para.
ADA se gastar em galhofas, glotonerias, desafios, irreligião e borracheiras.) Este parenthesis é de fr. Joaquim de Santa Rosa de Viterbo. Eu digo o mesmo.
A villa d'Açores nunca teve foral proprio e hoje é apenas uma aldeia.
Pretendem alguns que o nome d'esta fre- guezia lhe provém do milagre que fez Nossa Senhora a um caçador do rei de Castella. Provirá.
Era da coroa.
ADÃES—freguezia, Minho, comarca e con- celho de Barcellos, arcebispado, districto ad- ministrativo e 12 kilometros ao O. de Bra- ga, 360 ao N. de Lisboa, 86 fogos.
Orago S. Pedro, apostolo.
Pertencia ao couto de Villar de Frades e - era curato do mosteiro d'este couto, chama- do vulgarmente bons homens de Villar.
ADAFROIA — (proximo à villa de Pombei- ro), Beira Baixa. Vide Aufragia.
ADAÍL — official que, com alguns caval- leiros tinha obrigação de ir à descoberta. O adail-mór era o chefe dos adaís. Este posto está extincto desde 1655.
O primeiro adail-mór que houve em Por- tugal, foi Pedro de Barros, no reinado de D. Affonso V, e o ultimo foi Manuel Peixoto da Silva, no tempo de D. João IV. Houve só 14 adais-móres. Eram todos fidalgos.
Adail é a palavra arabe addalil, particípio do verbo surdo dalla, que significa guiar, ensinar o caminho, ir na frente.
ADÃO—freguezia, Beira Baixa, comarca e concelho da Guarda, 80 fogos, é no distri- cto administrativo e bispado da Guarda. É provavel que o seu nome lhe provenha de algum individuo chamado Adão que a pos- suisse ou aqui vivesse. É seu orago S. Bar- tholomeu.
ADÃO — pequeno ribeiro da Beira Baixa. Vide Ade.
ADARVADO — portuguez antigo, acastel- lado, fortificado.
ADARVE —portuguez antigo, castello, edi- ficio fortificado.
ADAÚFE — freguezia, Minho, proximo a Braga, 420 fogos. É palavra arabe aldafe, adufe, pandeiro quadrado. Os arabes toma- ram esta palavra do hebraico hadafj, que
ADE 25 quer dizer o mesmo. Tambem póde vir de Adaulfo ou Adulfo, nome proprio de homem,
muito usado antigamente. Vide Luzim. Houve aqui um convento de frades ben-
tos, fundado por Nuno Odoris e sua mulher-
Adozinda Viscoi, da familia dos Sousas, em 1070. Estiveram n'elle frades mais de 360 annos, até que D. Fernando da Guerra o re- duziu a abbadia secular, e el-rei D. Manoel o passou a commenda. D. Affonso HT lhe deu. foral em Coimbra, a 3 de agosto de 1258,
ADAVAL—freguezia, Alemtejo, 24 kilome-. tros d'Evora, 120 de Lisboa, 80 fogos.
Orago S. Miguel.
Concelho do Redondo, districto adminis- trativo e arcebispado d"Evora.
ADDUXER — portuguez antigo, (corrupto. do latim) trazer.
ADE — (corrupção de Adem, pato), ribei- ra da Beira Baixa, nasce junto à quinta de
Perobullo, freguezia de Sant'Anna da Serra.
da Azinha, em uns pantanos que seccam no,
verão (como a mesma ribeira). Juntam-se a.
ella os ribeiros Adão e Luzello. Desagua no. Côa, junto ao logar do Seixo de Côa; tem 18 kilometros de curso.
ADE — Vide Adem.
ADEGANHA — freguezia, Traz-os-Montes, comarca de Moncorvo, concelho da Alfande= ga da Fé, 150 kilometros ao N. E. de Bra-
ga, 395 ao N. de Lisboa, 80 fogos. Nesta. freguezia ha um monte à que chamam do. Castello- Velho, arborisado, e no seu cume ha um grande montão de pedras, que se diz serem restos de um antigo castello de mou- ros.
No sitio chamado Nossa. Senhora do Cas- tello, é tradição que existiu em tempos Te- motissimos uma cidade cujo nome se igno- ra e da qual ainda ha vestígios de muros arruinados.
Orago S. Thiago Maior, apostolo.
D. Affonso III lhe deu foral em Santarem a 16 de fevereiro de 1259.
Nelle se dá a esta freguezia o nome de Adegama.
Livro 1.º das doações. de D. Affonso HI, fl. 37, v., col. 2, in fine.
iloganha; daganha e degana, no antiga portuguez são terras que se haviam empra-
26 ADI
zado ao concelho, ou tomado “dos montes (em todo o caso maninhas) e que se redu- ziam a cultura.
É do arcebispado de Braga, districto ad- ministrativo de Bragança.
Era cabeça de uma commenda da ordem de Christo. Foi do padroado real.
O seu reitor era da apresentação do arce- bispo de Braga.
ADEM ou ADE — freguezia, Beira Baixa, comarca do Sabugal, concelho de Almeida, 90 kilometros ao S. E. de Vizeu, 330 a E. de Lisboa, 90 fogos. (Adem, pato.)
Pertencia ao concelho de Castello Mendo, que foi annexado ao do Sabugal.
Em dezembro de 1870, passou (com as outras freguezias do concelho de Castello
Mendo) a fazer parte do concelho de Al--
meida.
É seu orago S. João Evangelista e no bis- pado de.Pinhel, districto administrativo da Guarda.
ADESERMILHO — vide Sermilho.
ADIBO e ADIBES — portuguez antigo, de- rivado da palavra arabe addib, significa 0 lóbo. Tambem se dava este nome ao espião e ao mexeriqueiro.
ADIÇA — famosa mina de ouro, entre Al- mada e Cezimbra, na qual desde D. Sancho I até D. Manoel se continuou a extracção do ouro, com grande utilidade publica e era a principal mina de ouro de Portugal; por is- so todos os que no reino trabalhavam em minas de ouro, se chamavam adiceiros. Vi- de Almada.
ADIÇGA — (ou Aldeia-do-Sobral) freguezia, Alemtejo, comarca e concelho de Moura, dis- tricto administrativo e bispado de Portale- gre, e a 75 kilometros de Evora, 155 de Lis- boa, 210 fogos.
ADIÇA — serra do Alemtejo ; nasce na fre- guezia de S. Pedro da Adiça e finda na ser- ra do Ficalho, com 9 kilometros de largo e 12 de comprido.
Distante 1:500 metros de Ficalho ha uma cova chamada da Adiça, que no principio tem bastante largura, dividindo-se depois em varias galerias, ignorando-se onde vão terminar algumas, indo outras ter a uma fonte abundante.
ADO
N'esta cova habitavam antigamente (se- gundo a tradição) monges solitarios, e diz- se que o ultimo d'elles morreu em 4727. Lança um braço chamado, «Serra da Abe- lheira.»
Ha aqui minas de ouro.
Vide Abelheira.
ADIVAL — portuguez antigo, hoje corda. Era tambem uma medida agraria.
Vide Aguilhada.
ADOAR— É palavra arabe, significa acam- pamento, ou colonia provisoriamente estabe- lecida em qualquer paiz, emquanto n'elle dura o pasto para os gados,
ADOBE — portuguez antigo, derivado do arabe attobi.
É uma especie de ladrilho, de terra, e séc- co ao sol, de que fazem paredes no Algarve, na Bairrada e n'ontras terras onde não ha pedra, ou ha pouca.
Deriva-se do verbo arabe Tába, que signi- fica, macio, liso, chato.
ADON ou ABDON —nóme proprio de ho- mem.
Ha uma aldeia d'este nome (vulgarmente Santoadou) na freguezia de Arnoia, comar- ca e concelho de Celorico de Basto. (D'esta
aldeia parece que era oriundo o célebre dr.
João Pinto Ribeiro, o heroe de 1640. Vide Arnoia.)
Muita gente persuade-se que Adon ou Ab- don é corrupção de Adão ; mas é a propria palavra hebraica Abdon, sem corrupção ne- nhuma, senão nas Provincias do norte, que pronunciam Adou.
Pelos annos 265 de Jesus Christo, no tem- po do feroz Décio, eram vice-reis do impe- rio romano, na Persia, Santo Abdon e 8. Sen- nen, pois que aquelle implacavel e cruel perseguidor dos christãos tinha tomado Ba- bylonia e outras provincias da Persia, pon- do nos paizes conquistados auctoridades que julgava suas dedicadas.
Sabendo o malvado que por aquelles pai- zes haviam muitos christãos, os manda reu- nir em Córdula (Persia) onde foram todos assassinados. !
Abdon e Sennen foram acusados de dar sepultura aos corpos d'aquelles martyres, pelo que os mandou prender e fez soffrer
ADR
muitos e grandes tormentos; até que, tra- zendo-os. comsigo, a Roma, foram lançados às féras, que se deitaram aos pés dos san- tos, sem os offender. Décio, no auge do seu furor, os mandou degolar.
Parece que isto teve logar a 30 de julho, pelo menos, é n'este dia que a Egreja cele- bra a festa dos dois martyres.
ADORIGO —freguezia, Beira Alta, comarca de Taboaço, concelho de Barcos, 18 kilome- tros de Lamego, 335 de Lisboa, 150 fogos.
Orago Nossa Senhora de Conduzende.
É no districto administrativo de Vizeu, bispado de Lamego.
A DOS CUNHADOS — Vide Cunhados.
A DOS FRANGOS — Vide Francos.
A DOS NEGROS — Vide Negros.
ADOUFE —freguezia, Traz os Montes, co- marca, districto administrativo e concelho de Villa Real, 75 kilometros a D. E. de Bra- ga, 360 ao N. de Lisboa, 290 fogos.
Antigamente Adaufe.
Em 26 de novembro de 1238, deu D. San- cho Il esta freguezia e outras mais, ao ar- cebispo de Braga, D. Silvestre, e seus cone- gos.
Já se vê que é pov vação muito antiga. Vi- de Braga.
Orago Santa Maria.
É no arcebispado de Braga. Era abbadia da mitra primacial.
A mesma derivação de Adaufe.
ADRIÃO — (Santo): freguezia, Beira Alta, comarca e concelho de Armamar. Bispado € 18 kilometros de Lamego, 335 de Lisboa, 70 fogos.
Passa aqui o rio Tédo.
Nesta freguezia tem uma boa ponte de cantaria. Junto a ella ha vestigios de cons- trucções antiquissimas nas duas margens do rio, e uma galeria obliqua na margem di- reita para extracção de metaes, ou (como querem outrospuma especie de tunell que atravessa o rio, pondo em commnnicação
subterranea as fortificações das duas mar- |
gens,
É certo que na e esquerda ha uma propriedade (actualmente do sr. dr. Pedro Augusto Ferreira, abbade de Miragaia, no Porto) em uma elevação, chamada o Castel-
AFI 21
lo, onde apparecem claros vestigios de anti- gas construcções.
Esta propriedade é accidentada, no alta se chama Castello (como já disse) e na bai- xa se chama Picarnel.
N'estas immediações tem apparecido se- pulturas abertas na rocha. Sobre a referida galeria, no alto do monte, está a capella de Nossa Senhora do Saboroso. Vide Barcos.
Foi da comarca de Taboaço, concelho de Barcos.
Desde 1855 é tudo isto de Armamar.
Orago Santo Adrião, districto administra- tivo de Vizeu.
ADRIÃO — tes.
ADUFES — (ribeiro dos) Minho.
Nasce .na serra de Refojos e a 2 kilome- tros da sua nascença morre no rio Lessa. A mesma derivação de Adaufe.
ADUFA — portuguez antigo, do arabe ad- dafia, hoje persiana ou rotula.(de janella.) Deriva-se do verbo dafja, unir, egualar as táboas, juntar umas ás outras.
AFIFE — freguezia, Minho, comarca e con- celho de Vianna do Castello, da qual dista
(Santo) vide Maceeira de Ra-
j8 kilometros'ao N. 0.e8 ao S. de Caminha,
390 ao N. de Lisboa, 2140 fogos.
Situada na costa do Atlantico, em linda e fertilissima planicie, e abrigada do N. e N. E. por uma serra pittoresca. Tem uma linda egreja de 3 naves. É atravessada pela estra- da do Norte, e aqui deve passar o caminho de ferro do Norte (segundo o plano adopta- do actualmente.) Tem um pequeno theatro. O rio da Afife tem na estrada uma linda ponte de cantaria, com guardas de ferro fun- dido, feita em 1857.
A primeira fundação desta ponte é de remota antiguidade: tem tido porém diversas reconstrueções, sendo a ultima a que se fez em 4857, para sobre ella passar a estrada de 4.º classe de Lisboa para o Norte do reino.
Tem bonitas casas.
Ha n'esta freguezia grande numero de trolhas e pedreiros, que se espalham por to- do o reino, pela Hespanha e pelo Brasil.
O orago d'esta egreja, e da freguezia, é Santa Cristina. Até 1834 era o abbade apre-
mew
28 AFI
sentado alternativamente pelo papa, pelo ar- cebispo de Braga e pelos frades dominicos de Vianna do Lima. Proximo à egreja, em um monte, ha vestigios de fortificações.
Mais acima da estrada ha outro e tambem com grandes ruinas, que é tradição serem as de uma antiga cidade.
Querem alguns que em um sitio d'aqui, ainda chamado Cividade, era a Britonia dos romanos. No monte do Crasto, no sitio cha- mado Osseira, ha as ruinas de um castello.
(O sitio da Cividade é na serra de Santa Luzia, ao N. E. da freguezia.)
Ás ruinas d'este castello ainda 0 povo d'a- qui chama Crasto dos Mouros. Tambem lhe dão o nome de Cividade. Suppõe-se, com bons fundamentossque existiu aqui uma po- voação romana; mas é muito duvidoso que fosse Britonia.
Diz-se que o nome de Osseira lhe provem de uma grande batalha que aqui tiveram os lusitanos contra o exercito de Almançor, rei de Cordova, em 985; pelos muitos ossos que aqui ficaram. Está aqui o convento de S. João de Cabanas (vide Bulhente) de frades beneditinos, fundado por S. Martinho de Dume, em 570. Comprehendia, com a cércas uma extensão de 4:500 metros. Foi destrui- do pelos arabes em 746, e logo reedificado por Lopo Munhoz (gallego.)
Em 1382 passou a commendatarios; mas
depois tornou a ser de frades bentos, com a | - ponte de pedra junto ao convento, e quatro | pontões nas aldeias de Loureiro, Senra, Porto-
condição de pagar aos Cartuxos de Nossa Senhora do Valle, de Lisboa, certa pensão que o rei lhe impoz.
Este convento déu o nome de Cabanas à serra, € ao rio que nasce no Chão-de-Covêl- los e desagua no mar, com 10 kilometros de curso.
Este convento foi muito rico, chegando a ter 75 frades. A pedra do edifício é de finis- simo granito destes sitios.
Chamou-se convento de Cabanas, porque os frades viviam primeiro em grutas ou co- vas e depois em cabanas, espalhados pela serra visinha, que das mesmas cabanas to- mou o nome.
Diz-se que antes de aqui bye convento,
havia úma ermida é em redor della algu- |
mas cabanas (outros dizem covas) onde vi-
AFÔ viam certos anacóretas, que S. Martinho. congregou e aos quaes deu a regra de 8. Bento. É disto que lhe veiu o nome de Ca- banas. É hoje propriedade particular de uma neta do general Luiz do Rêgo.
Este convento só tinha um abbade e dois frades, quando foi supprimido.
Esta freguezia tinha antigamente o privi-. legio de não dar soldados, mas tinha obri- gação de defender as praias contra os ata- ques dos piratas. Tem á beira-mar um pe- queno forte arruinado.
É muito abundante de aguas e muito fer- till, mas as terras são quasi todas prazos de- fidaldos, pelo que os habitantes da freguezia são quasi todos pobres e uns meros casei-- ros.
Antigamente era do padroado real, por-- que D. Affonso II deu metade d'esta egreja e da de Sá, em Ponte do Lima, à sé de Tuy a cujo bispado então pertencia (em 1262) em: troca do padroado de Santa Maria da Vi- nha da Ariosa.
Vide Ariosa, Ancora, Cale, Gaia.
AFIFE — rio, Minho, na freguezia do seu nome.
Nasce na serra dê Cabanas, no sitio cha-. mado Chão-de-Covêllos, passa pelo antigo mosteiro de S. João de Cabanas e desagua. no Atlantico (proximo e ao S. do Forte do Cão) com 10 kilometros de curso. Tem uma.
Carrêéço e
do Rio e Feal, além da nova sobre a estrada
' real (da qual já se tratou na fregnezia d'es-- | te nome.) Tambem lhe chamam “rio de Ca-
banas. Recebe 0 tributo de tres ribeiros. AFIFE — (ou Santa Luzia) serra no Mi--
"nho, freguezia do mesmo nome. Tambem
lhe chamam de Cabanas, por causa do con-- vento de que já se tratou na freguezia d'es-
| te nome.
Vide Afife, freguezia.
AFONSIM—freguezia, Traz-os-Montes, co-- marca e concelho de Villa Pouca de Aguiar, 75 Kkilometros ao N. E. de cá 385 e Lisboa, 60 fogos.
Deriva-se'de um individuo assim ido do, que foi senhor d'esta freguezia.
AGO
Orago Nossa Senhora da Assumpção.
É no districto administrativo de Villa Real, arcebispado de Braga.
AGADÃO — freguezia, Douro, comarca de Agueda, concelho de Vouga, 35 kilometros
ao N. de Coimbra, 240 ao N. de Lisboa, 420
fogos.
Orago. Santa Maria Magdalena. Districto administrativo e bispado de Aveiro.
AGADÃO — rio, Douro, nasce na serra do Caramúllo, no sitio- de Almofála. Morre no rio Vouga, na ponte de Almear. A elle se funtam os ribeiros Alfusqueiros e Gértoma.
Vide Agueda.
AGARES — aldeia de Traz-os-Montes, fre- guezia de Villa-Marim. Ha perto desta al- deia- as ruinas de um castello, com sua cisterna e muralhas exteriores, que parece ser obra dos arabes. Ha tambem aqui perto uma cova d'onde se diz haver-se tirado (ha cousa de 200 annos) um grande caixão cheio de moedas de ouro. Mais acima, na serra, está uma estrada aberta nas penhas de 1,50 de largo, com saida para a parte de Erméllo.
Agares é corrupção de algares, palavra arabe que significa plantador, ou (e talvez seja o mais certo) é corrupção do verbo ara- be gára (submergir-se, ir ao fundo) que no substantivo faz algár, cova, concavidade, sorvedouro.
AGGRAVO — (ou Gravo) serra, Douro, na freguezia de S. Pedro de Arcozêllo das Maias, concelho de Vouzella. É toda de alcantilada penedia e com 3 kilometros de comprido e mais de 1 de alto. Ha n'esta serra os loga- res de Quintella, Póvoa da Ussa e Póvoa: do Ladário. É abundantissima de aguas e cria muita caça. Antigamente tinha muitos lôbos e ferocissimos porcos montezes.
AGILDE —freguezia, Minho, comarca é concelho de Celorico de Basto, 40 kilome- tros a N. E. de Braga, 360 ao N. de Lisboa, 220 fogos.
Orago Santa Eufemia, arcebispado e dis- tricto administrativo de Braga.
AGOSTEM E PARADELLA — freguezia, Traz-os-Montes, comarca e concelho de Cha- ves, districto administrativo de Villa Real, 85 kilometros a N. E. de Braga, 430 ao N. de Lisboa, 280 fogos.
AGR
Orago S. Pedro. Arcebispado de Braga. .
AGRA — Ha em Portugal serras, ribeiros
e aldeias assim chamadas.
Uns querem que venha de ágro (campo) outros de Ágra, importante cidade da Asia, antiga capital do Indostão. É mais provavel a primeira etymologia. Vide Arga.
AGRALHEIRA — Vide Gralheira.
AGRELLA —freguezia, Douro, comarca e concelho de Santo Thyrso, 20 kilometros ao N. do Porto, 330 ao N. de Lisboa, 140 fogos.
É palavra derivada do latim agro, que si- gnifica terreno agreste e tambem campina e campo: No antigo portuguez agrella é di» minutivo de agra, vindo a ser pequena agra.
Orago 8. Pedro, apostolo.
Districto administratigo e bispado do Por- to. É terra de mediana fertilidade. Cria bas- tante gado.
AGRELLA — freguezia, Minho, comarca de Guimarães, concelho de Fafe, 18 kilo» metros a N. E. de Braga, 365 ao N. de Lis- boa, 90 fogos. As tropas cabralinas, com-, mandadas pelo então barão do Casal, com- metteram aqui horriveis assassinatos e toda a casta de atrocidades, em 1846.
Orago Santa Christina.
É no arcebispado e districto administra- tivo de Braga. A mesma etymologia. AGRELLA — serra, Douro, na freguezia de Agrella, concelho de Santo Thyrso. É mui alta e alcantilada, Tem 3 kilometros de com- primento. A mesma etymologia.
AGRELLA —rio, Minho, nasce na fregue-. zia de Santa Leocadia de Bésteiros, atraves- sa à de S. Thomé de Caldellas e desagua no Ave. A mesma etymologia. AGRÊLLO — aldeia, Beira Baixa, fregue- zia da Figueira de Lorvão. Perto d'este lo- gar, e no fundo de um valle a que chamam Valle do Gavallo, na raiz de um monte, ha uma concavidade, pelo mesmo monte den- tro, aberta a picão em rocha viva, que pa- rece obra impossivel a forças humanas. Den- tro desta concavidade está uma lagôa pro- funda, cuja agua nem eresce, nem A nem corre. ,
É tradição. que, pelos annos de A7A7, um abbade da fregnezia, chamado Antonio de Magalhães, para saber o que havia dentro
29
Pã
30 AGU
da lagôa, mandou fazer uma bomba, que alli poz, trabalhando nella muitos homens por espaço de 24 horas; e, estando à lagôa en- xuta, foram dois homens com lanternas ver o que havia. Acharam umas escadas e des- cendo-as encontraram uma espaçosa sala onde estavam 4 ou 5 figuras colossaes, apon- tando-lhe suas armas, pelo que elles larga- ram à fugir é ninguem mais tornou a que- rer investigar isto.
Tem foral, dado por D. Affonso TH, em Coimbra, a 14 de setembro de 1265. Livro 4.º de doações de D. Affonso II, fol. 79 v., col 2.2 in fine. Neste foral se lhe dá o nome de Agrellos. A mesma etymologia.
AGRO-BOM e VALLE-DE-PEREIRO — fre- guezia, Traz-os-Montes, foi comarca de Alfan- dega da Fé, concelho de Chacim, 420 kilo- metros ao N. de Lisboa, 150 fogos. É terra de muitos figos e tem-se aqui desenvolvido muito a creação de bixos de seda.
Orago S. Miguel.
Districto administrativo de Bragança, ar- cebispado de Braga. Era abbadia do real pa- droado e sua annexa a freguezia de Valle- de-Pereiro, que hoje está incorporada a ella.
AGRO-CHÃO — freguezia, Traz-os-Montes, comarca de Mirandella, concelho da Torre de D. Chama. 70 kilometros de Miranda, k80 ao N. de Lisboa, 110 fogos.
D. Diniz lhe” deu foral, a 5 de julho de 1288. Livro 1.º de Doações de D. Diniz, fol. 234, col. 1.º, in fine. Torre do Tombo.
Orago S. Mamede. Districto administrati- vo e bispado do Bragança.
Desde 1855 é da comarca de Vinhaes.
AGUADA —rio, Douro, nasce proximo à villa d'Aguada de Cima, de duas fontes (Ca- daval e S. Martinho). Entra no Cértoma, jun- to a Aguada de Baixo, no sitio do Campo do Barro.
AGUADA-DE-BAIXO — freguezia, Douro, comarca e concelho d'Agueda, 25 kilometros ao N. E. d'Aveiro, 240 ao N. de Lisboa, 140 fogos.
D. Manuel lhe deu foral em Lisboa, a 23 de agosto de 1514. N'este foral vem o de
Bostello, Cadaval, Forcada, S. Martinho e |
Valle Grande. Orago S. Martinho.
AGU
Districto administrativo e bispado d' Aveiro.
AGUADA-DE-CIMA-—villa, Douro, comar- ca e concelho d'Agueda, 25 kilometros ao: N. E. de Aveiro, 240 ao N. de Lisboa, 260 fogos.
No sítio da Arioza, desta freguezia, está o Sanctuario das almas, em cuja festividade se véem carros de lavoura carregados de gente, dando voltas ao templo.
D. Manoel lhe deu foral em Lisboa, a 1% de setembro de 1514.
Orago Santa Eulalia.
Districto administrativo e bispado d'Aveirô.
AGUADALTE-—rio, Traz-os-Montes, nasce no sitio da Malla e desagua no rio de S. Mamede, termo de Villa Real. i
AGUADALTE — ribeira, Beira Alta. Nasce com o nome de Rio de Routar, de uma fon- te no logar de Villa Chã, e morre á ponte Fernando.
AGUA DE BANHOS —rio pequeno do Alem-
| tejo, nasce jnas abas de um pequeno: ou-
teiro que fórma a serra de Montargil, e des- agua no Caia, perto da Torre do Mouro. AGUA DE MOURA — Vide Agualva. AGUA DE PEIXES — villa, Alemtejo, co- marca de Beja. Situada em um valle. Era dos duques de Cadaval. Tem proxima uma grande matta, chamada Cerrado d'Agua de Peixes, (0 povo d'aqui chama-lhe Gernado) com muitas azinheiras e sobreiros, enlaça- dos de grande silvedo, esteval e medronhal, que a fazem impenetravel. Cria javalis, lo- bos, corças, veados, rapozas, lebres, coelhos, perdizes, ete., etc. Tem 3 kilometros de com- prido e 1:500 metros de largo. Esta matta chega atê aos olivaes de Vianna. É coutada dos mesmos duques, que n'esta terra téem um grande palacio, bom jardim, pomares,
“ete.
Teve até 1834 juiz ordinario, vereadores, escrivães e officiaes de diligencias, feitos pe- los duques, donatarios. Villa Ruiva era uma pequena comarca a que este concelho per- tencia, e eram donatarios de toda a comár- ca os duques, que até nomeavam correge- dor.
AGUA FRIA —rio, Beira Alta. Nasce pro- ximo da villa d'Alva e desagua no rio Sul, junto á villa de S. Pedro do Sul.
AGU
AGUA LONGA — freguezia, Minho, comar- ca de Valença, concelho de Coura, 40 kilo- metros a N. O. de Braga, 39040 N. de Lis- boa, 140 fogos.
Orago S. Payo.
Foi abbadia dos viscondes de Villa Nova da Cerveira, que tinham grande numero de padroados. É sua annexa S. Thiago de Ro- marigães.
O seu clima é frio mas salutifero. (Carva- lho diz que a gente d'aqui vive de 1400 a 130 annos).
Cria bastante gado e colmeias, do mais não é muito abundante, por ser montanho- sa. Muita caça. Districto administrativo de Vianna, arcebispado de Braga.
AGUA LONGA —freguezia, Douro, comar- ca e concelho de Santo Thyrso, 18 kilome- tros ao N. do Porto, 330 ao N. de Lisboa, 140 fogos.
Orago S. Julião.
Terra fertil. Districto administrativo e bis- pado do Porto.
AGUALVA-—-aldeia, Extremadura, fregue- zia de Bellas, no patriarchado. Chamava-se a esta aldeia antigamente Jardo ou Jarda e n'ella nasceu, de paes humildes, o celebre arcebispo de Lishoá, D. Domingos, que d'el- la tomou o appellido de Jardo. Foi chancel- ler-mór de D. Affonso IV, e a este illustre e benemerito varão se deve a fundação da uni- versidade, que por suas diligencias se es- tabeleceu em Lisboa, no bairro d'Alfa- ma, onde ainda hoje se chama Escolas Ge- raes.
Fundou tambem em Lisboa o hospital de Santo Eloy (hoje congregados) onde se acha sepultado. Morreu em 146 de dezembro de 41293. Querem alguns que seja a Ceciliana dos romanos. (Vide Alcaçovas).
Supponho que a Agualva ou Agua de Moura onde Plutarco diz ter existido a Ge- cana CGastra dos romanos, não é esta, mas a Agua de Moura ao sul do Tejo, proximo de Setubal. Brandaud diz que as ruinas de Ceciliana estão entre os rios Agualva e Agua de Moura.
AGUA REVÉS — villa extincta, freguezia, Traz-os-Montes, comarca de Chaves, conce- lho de Carrazedo de Montenegro, 63 kilo-
AGU S1
metros ao N. E. de Braga, 325 ao N. de Lis- boa. 100 fogos.
D. Manuel lhe deu foral em Evora, a 12 de novembro de 1519.
Orago S. Bartholomeu.
Desde 1855 é do concelho de Valle Paços. Districto administrativo de Villa Real, arce- bispado de Braga. Eram donatarios d'esta freguezia os condes e senhores de Murça, que aqui punham juiz ordinario, vereado- res e mais justiças.
AGUAS -—freguezia, Beira Baixa, comarca de Idanha-a-Nova, concelho de Penamacor, d4 Kkilometros da Guarda, 270 a E. de Lis- boa, 140 fogos. É situada em uma planicie.
Orago S. Marcos, evangelista.
Districto administrativo de Castello Bran- co, bispado da Guarda.
Tem uma muralha de alvenaria, em rui- nas, e um reducto com duas casas dentro. Passa por aqui à ribeira Toulica. Tem aguas mineraes muito adstringentes.
AGUAS BELLAS—freguezia, Beira Baixa, era da comarca da Covilhã, concelho de Sor- telha, 24 kilometros da Guarda, 300 de Lis- boa, 130 fogos.
“Orago Nossa Senhora da Conceição. Dis- tricto administrativo e bispado da Guarda. Desde 1855 é da comarca do Sabugal.
AGUAS BELLAS— villa, Extremadura, co- marca de Thomar, concelho de Ferreira do Zezere, 12 kilometros ao O. de Thomar, 60 ao S. de Coimbra, 145 ao N. de Lisboa, 250 fogos.
É povoação muito antiga, pois já em 139% tinha jurisdieção independente, o que consta da doação de D. Pedro I a Rodrigo Alvares Pereira, senhor desta villa, e feita n'esse anno. Situada em uma baixa, cercada de ar- voredos fructiferos e silvestres, com muitas fontes, que a fazem fresca e agradavel.
Não ha memoria da sua fundação, só se sabe que foi couto e honra desde 0 princi- pio da monarchia. Proximo a esta villa está a serra chamada Valle do Asno. Por a fre- guezia passa 0 Tio Zezere.
D. Manuel lhe deu foral em Lisboa, a 3 de março de 1513.
Orago Nossa Senhora da Graça.
Districto administrativo de Santarem, bis-
pado de Coimbra.
32 AGU
Tinha juiz ordinario, camara e mais em-.
pregados judiciaes. Era da coroa.
AGUAS BOAS —freguezia, Beira Alta, con- “celho de Satão, comarca de Vizeu, 310 kilo- metros ao. N. de Lisboa, 60 fogos.
Orago Espirito Santo.
Districto administrativo e bispado de Vi- 'Zeu.
AGUAS CELENAS — Minho, cidade anti- “quissima dos povos bracharenses, situada ao longo do rio Cávado (que então se chamava Celeno). Faz d'ella menção o Itinerario de Antonino e é differente de outra do mesmo nome, na Galliza, perto de Lugo.
Distava 160 estadios de Braga, e parece ser das suas ruinas que se fez a actual villa de Fão.
Nºesta cidade aportavam as esquadras ro- manas e em pequenos barcos transportavam pelo Cávado as suas mercadorias até Braga, “e d'aqui levavam pelo rio abaixo o que lhes fazia conta. y
Em Aguas Celenas residia um proconsul romano que governava toda a Galliza (como se vê do codice de Theodosio).
Aqui foram martyrisados os Santos Chris- pulo e Restituto, pelos annos 63, no tempo de Nero.
AGUAS FLAVIAS— Cidade illustre que se diz estar antigamente situada nas margens «do Tamega. É mencionada no Itinerario de Antonino, por estar sobre a estrada militar “de Braga para Astorga. Segundo varios ar- cheologos, das suas ruinas se fez a actual villa de Chaves. Vide esta villa.
AGUAS FRIAS — freguezia, Traz-os-Mon- tes, comarca de Chaves, concelho de Mon- forte do Rio Livre, 90 kilometros de Miran- da, 440 de Lisboa, 250 fogos.
Orago S. Pedro, apostolo.
Districto administrativo de Villa Real, bis- pado de Bragança.
AGUAS LAYAS ou AGUAS LUNAS — Na Carta geographica de Abrahão Ortelio, se lhe chama Aque Lee Turudorum, quasi em 40 graus de latitude e 11 de longitude.
Querem alguns que estivesse entre as vil- las de Monção e Valladares, o que não pa- rece provavel.
Contador d'Argote, nas suas Antiguidades
e
AGU
de Braga, julga ser esta a cidade de Lais, capital dos turolicos, e que existia onde hoje chamam S. Martinho de Lanhezes, no con- celho de Caminha.
AGUAS LIVRES — Aqueducto monumen- tal, e uma das maravilhas d'este reino. Vide Lisboa. ;
AGUAS DE MAIAS — aldeia do Douro, proximo a Coimbra. Estando em Coimbra D. Garcia (rei de Portugal e Galliza) vieram atacar a cidade os condes castelhanos D. Nuno de Lara e D. Garcia de Cabras. Saiu- lhes aqui ao encontro o conde D. Rodrigo Dias e seus irmãos (o conde D. Pedro e D. Vermuiz) e derrotam completamente os cas- telhanos em 1067. Vide Coimbra.
Vide Historia de Portugal, 4.º vol., e quan- do este reino deixou o nome de Lusitania para tomar o actual 1.
AGUAS SANTAS — freguezia, Minho, co- marca de Povoa de Lanhoso, concelho de S. João de Rei, 12 kilometros a N. E. de Bra- ga, 360 ao N. de Lisboa, 130 fogos.
Orago S. Martinho, bispo.
Districto administrativo e arcebispado de Braga.
AGUAS SANTAS —freguezia, Douro, con- celho da Maia, comarca e 6 kilometros ao N. do Porto, 318 ao N. de Lisboa, 620 fogos.
Orago Nossa Senhora do Ó.
Esta freguezia e a sua matriz são anti- quissimas. Diz-se que os templarios reedifi- caram a antiga egreja, que é a que ainda existe.
Já em 1130 havia a egreja de Santa Ma- ria Aguas Santas (hoje é Santa Marinha) com seu prior e collegiada; e o seu prior, D. Armigiro, fez a 22 de fevereiro d'esse an- no uma composição com o bispo do Porto, D Hugo II, dando-lhe um casal em Parâmos (Feira) pelo jantar que era obrigado a dar- lhe todos os annos. Isto por escriptura pu- blica d'aquella data.
Havia aqui um antiquissimo mosteiro (igno- ra-se de que ordem e por quem foi fundado, e diz-se que teve principio no vi seculo do christianismo).
Passou a ser de conegos e conegas (mixto
1 A «Historia» a que me refiro é a que deve publicar- se em seguida a este «Diccionario.
,
AGU ou dobrado) de Santo Agostinho (erúzios) mas, por causa das immoralidades que n'el- le se praticavam, passou em 1130 a ser só de frades da mesma. ordem. Foi extincto pe- los annos de 1300, que passou à commenda- tarios. Tendo os cavalleiros do Santo Sepul-
chro (hospitaleiros) sido expulsos de Jerusa- -
lem, pelos turcos, D. Affonso IV deu este mosteiro aos ditos freires, pelos annos de 1340, os quaes aqui fundaram um famoso hospital. (Mon. Lus. tom. 5.º, fol. 152, -col. 3.2) Parece que, ainda depois de ser de hos- pitaleiros, tornou a ter um collegio de cru- zios, cujo prior era de apresentação regia, e foi outra vez mixto (de freiras e frades) e assim se conservou até 1492, em que D. João Il o extinguiu, unindo-o à ordem de Malta, do qual foi commenda. Ha nºesta freguezia quatro beneficios simples, que eram apresen- tados in solidum, pelo commendador de Mal- ta, vivendo cada beneficiado em casas sepa- radas, com 14038000 réis de renda annual. “Junto á fonte da Maia, n'esta freguezia, houve um castello em tempos remotos.
A freguezia de S. Payo de Gouveia, era couto do mosteiro de conegos do Santo Se- pulchro, d'Águas Santas, por doação da rai- nha D. Thereza e seu filho, D. Affonso Hen- riques, que a coutaram. N'essa doação se diz que os moradores de S. Payo de Gou- veia só pagavam Medietatem de homicidio, et de Rauso, et de merda in buca, vel de la- trone: et vadunt in anuduvam Regis. *
A mesma senhora deu tambem ao mos- teiro d'Aguas Santas, a egreja do Ladário. Vide esta palavra.
Este mosteiro e a sua cerca formam hoje uma bella quinta dos bispos do Porto, ainda chamada quinta de Santa Cruz.
É no districto administrativo e bispado do Porto. ;
Foi o unico mosteiro de cavalleiros do Santo Sepulchro que houve no reino.
AGUAS THERMAES —Ha em Portugal in- numeraveis nascentes de aguas mineraes, muitas d'ellas rivalisando (senão excedendo) em qualidades therapeuticas ás melhores das nações estrangeiras; têem unicamente o de- feito de serem portuguezas.
Uma grande parte das nossas aguas me-
VOLUME 1
AGU 33 dicinaes foram aproveitadas e applicadas com proveito pelos romanos, e as sumptuosas thermas por elles construidas na Lusitania, em differentes partes, provam que os roma- nos olhavam com muito mais attenção para isto do que os governos gothicos e portu- guezes.
Mesmo durante a longa dominação arabe tiveram as aguas mineraes lusitanas uma frequente concorrencia e applicação, o que é tambem attestado pelos vestigios de ba- nhos que do seu tempo ainda existem em differentes partes.
Os arabes não só usavam dos banhos co- mo meio hygienico e therapeutico, mas em cumprimento de um preceito da sua religião, que os obriga à varias abluções.
Não me consta que os governos de-Portu- gal prestassem a menor attenção ás nossas aguas mineraes até quasi ao fim do reinado de D. João VI. g
Em 1822 ordenou-se que se estudassem, inventariassem e analysassem as diversas aguas mineraes; mas pouco se fez. ad
Em 1827 deu-se ordem ás camaras mu- nicipaes que remettessem ao governo à re- lação das aguas minecraes existentes nos mu- nicipios. Tambem d'aqui nada resultou de utilidade publica.
Renovaram-se estas recommendações em 1860 e em 1866, com pouco melhor resul- tado.
Em 41866 o sr. João Baptista Schiappa de Azevedo, engenheiro de minas, analysou dif- ferentes aguas thermaes portuguezas e re- metteu as amostras para a exposição de Pa- ris, onde foram apreciadas.
Em setembro de 1867 nomeou-se uma commissão composta dos srs. Guilherme Klaas (chimico do ducado de Nassau, hoje Prussia, ao serviço do laboratorio da escola polytechnica de Lisboa) e dr. J. J. da S. Pe- reira Caldas, professor do Iyceu de Braga, para proceder (a commissão) aos estudos da hydrologia mineral do reino, por meio do sulphidometro de Dupasquier, e n'esse mes- mo anno publicou os Estudos preliminares das aguas mineraes do reino.
Este livro é interessantissimo, não só pelo sen objecto, mas, e principalmente, pela in-
R)
3 AGU
contestavel competencia dos seus auctores.
Deus queira que os trabalhos d'estes tres sabios não sejam inutilisados pela incuria dos nossos governos.
Quem quizer ter noticias especiaes das differentes aguas mineraes de Portugal, veja no diccionario, nas terras onde existem as nascentes.
AGUAS-VIVAS — freguezia, Traz-os-Mon- tes, comarca, concelho e 12 kilometros de Miranda, 470 ao N. de Lisboa, 30 fogos.
Districto administrativo e bispado de Bra- sança.
AGUASIL ou ALGUAZIL—Os arabes cha- mam uazir ao ministro de estado ou conse- lheiro do rei, a que nós chamamos (vizir) e wasil ao que adquire posto ou graça do so- berano. Entre nós significa meirinho, bele- guim, official de diligencias; mas juntamos- lhe o artigo al.
É por isto que muitos escrevem alvazil (Os arabes tambem diziam alvazir e alvazil. Na India corresponde a governador de uma cidade.
Nos primeiros tempos da nossa monar- chia, alvazil era o mesmo a que hoje cha- mamos vereador da camara. Tambem se es- crevia Guazil.
AGUDA —freguezia, Extremadura, comar- ca de Figueiró dos Vinhos, concelho de Ma- cans de D. Maria, 35 kilometros de Coim- bra, 168 ao N. de Lisboa, 380 fogos.
Foi antigamente villa e é do infantado.
D. Manoel lhe deu foral em Lisboa, a 12 de novembro de 1514.
Orago Nossa Senhora da Graça.
Teve até 1834 juiz ordinario, camara e mais empregados judiciaes, tudo posto pe- los infantes.
Diz-se que o seu nome lhe provem de agúdea (tormiga com azas) por aqui have- rem muitas.
É no districto administrauvo de Leiria, bispado de Coimbra.
Era prestimonio dos infantes, que paga- vam ao vigario (que era da sua apresenta- ção) e ao de Avellar, às fabricas de ambas as egrejas e outras miudezas.
“Os dizimos eram para o infantado, que mais recebia de propinas: 6 arrobas de prezun-
AGU
tos, 3 milheiros de verdeaes, 1 millheiro de passas de péra.e outro milheiro de pétego, 2 alqueires de ameixas passadas e o mesmo de cerejas seccas.
O infantado nomeava as justiças..
Esta freguezia foi até 1640 dos marque- zes de Villa Real, que a perderam (e tado o mais até a vida) por traidores, passando en- tão para o infantado.
Vide Caminha,
AGÚDA —serra, Extremadura. Ten 30 kilometros de comprido e 6 de largo. Tem minas de ferro, que se exploravam xo fim do seculo passado, sendo a sua fundição perto de Avellar.
É de clima frio e desabrido; porém, as- sim mesmo, ha nºella muitos logares, de dif- ferentes concelhos. Tomou o nome da fre- guezia da Aguda, que é proxima.
AGUEDA —rio, Beira Baixa, passa ao E. da freguezia de Escalhão, concelho de Castello Rodrigo. Divide Portugal de Castel- la e mette-se no Douro, no sitio de S. Mar- tinho.
AGUEDA —rio, Douro. Tem seu principio em Campia, em duas ribeiras, uma que nas- ce na serra da Silveirinha, que, descorrendo por Agadão (d'onde toma O nome) se junta com o rio Alfusqueiro, que nasce na serra do Caramullo, e juntando-se ambos em Bol- fiar (aldeia da freguezia de Agueda) ali per - de o nome de Agadão e toma o de Agueda.
Suas margens são na maior parte aprasi- veis, cultivadas e ferteis.
A ponte que o atravessa na villa de Ague- da é de cantaria, com cinco arcos. Tem ou- tra ponte mais acima, feita em 1868, sobre a estrada real nova.
Depois de um curso de 36 kilometros, morre na ponte de Almear, onde se junta com o Vouga.
O padre Carvalho e outros lhe chamam Sardão (não sei porque.)
É o Eminio dos romanos.
É navegavel até à villa de Agueda; d'ahi para cima, só o póde ser por pequenos bar- cos.
Sardão é palavra arabe (hardão) lagarto, reptil.
AGUEDA — villa, Douro, districto adminis-
AGU
trativo e bispado de Aveiro, donde dista 18 kilometros a N. E., 40 ao N. de Coimbra e
245 ao N. de Lisboa.
Tem uma freguezia com 740 fogos e 3:000
almas, concelho 2:100 fogos, comarca 8:200. Em 1660 tinha a villa 400 fogos. Orago Santa Eulalia.
Em alguns livros antigos (e ainda em um
Yappa Alphabetico das Povoações de Portu- gal, publicado na Impressão regia, em 4811, anonymo, mas official) se dá a esta villa o
nome de Agueda de Cima, isto para a diffe- rençar de Agueda de Baixo, que é o actual
Sardão.
Situada em planicie, na margem direita do rio do seu nome.
Os campos dos seus arredores são bellos e fertilissimos. A matriz é um amplo tem- plo de 3 naves. Tem bom cemiterio. A casa da camara é o melhor edificio da villa, cu- jas casas são, pela maior parte, baixas e as ruas estreitas, tortas e mal calçadas.
Em frente (ao S.) lhe fica a povoação do Sardão, que é um arrabalde da villa, com a qual communica por uma antiquissima pon- te de pedra (vide Agueda rio.)
Agueda foi na antiguidade uma cidade episcopal importantissima, com o nome de Aeminium, no tempo dos romanos.
Tem dois mercados diarios, muito con- corridos. É muito abundante de peixe, que lhe vem do mar, em barcos d'esta villa, com O que faz grande negocio.
A sua fundação se attribue aos celtas, tur- dulos e gregos, 370 annos antes de Jesus Christo, que então lhe fizeram a ponte (mas não a actual.)
Parece que 0 seu primeiro nome foi Ane- gia e depois Agatha. (O concilio de Toledo, convocado em 609, faz mensão d'esta villa com o nome de Ágatha.)
Note-se que no Languedoc (França) ha uma cidade episcopal e porto do mar, sobre o rio Erool, chamada Agda.
Não longe de Agueda (no antigo concelho de Eixo, comarca de Aveiro) ha uma fre- guezia chamada Eirol. Isto tem-me feito seismar. Quem me diz a mim que alguns nautas francezes que subiram o Vouga e depois o Agueda (pela barra de Aveiro) po-
AGU 35
zessem a esta villa, em tempos remotos, 0 nome de Agueda, pela tal ou qual similhan- ça que tivesse com a sua Agda, e á fregue- zia de Eirol, o nome do seu rio Erool?
Todo o mundo sabe que os nautas fran- cezes percorreram por muitas vezes o nosso litoral.
Querem alguns que S. Pedro de Rates, bispo de Braga, lhe nomeou o primeiro bis- po, no anno 44; mas isto é inverosimil.
A opinião mais seguida é que seu pri- meiro bispo foi Possidonio, no anno 589, (vide adiante, n'esta mesma villa) reinando na Luzitania o gôdo Flavio Ricaredo, irmão de Santo Hermenegildo, martyr.
Tem misericordia e hospital, fundada pe- los duques de Aveiro.
Seguiu a sorte do resto da Luzitania, su- jeitando-se aos diversos dominadores d'el- - la, até que D. Affonso I[ rei de Oviedo, e seu irmão D. Frucia, a resgataram do po- der dos mouros em 739.
Os arabes a deixaram quasi arrasada em 716.
Os godos a acharam quasi despovoada em 739, e D. Affonso I (cognominado o ca- tholico, que era rei de Oviedo, Castela e Leão) a tornou a povoar. Já então tinha o nome actual.
A matriz é muito antiga; mas ignora-se quem a fundou.
A E. da egreja matriz está um cruzeiro antiquissimo, chamado dos mortos, com uma inscripção hoje illegivel.
Proximo está outro cruzeiro mais moder- no (o do Calvario) de boa architectura.
Alboacem-Hiben- Allamar, regulo de Coim- bra, fez conde de Agueda a um christão que governava esta povoação, mediante certo tributo. h
Diz R. M. da Silva, na Pobl. Gen. da Hesp., que asmiulheres d'aquieram muito formosas, e eu digo que ainda hoje são formosissimas.
D. Rodrigo da Cunha, fallando de Agueda, (Catalogo dos bispos do Porto, pag. 1, cap. 2) diz que no anno de Jesus Christo 40, ou 41,
veiu à Lusitania o apostolo S. Thiago e po- zera por bispo de Braga a S. Pedro de Ra- tes, e queseste fizera bispos no Porto, Emi- nio e Tuy.
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E no cap. 3.º, pag. 22, diz que no conci- lio Bracharense (422) se vê assignado Ponto- mio, bispo de Eminio. No terceiro coneilio toledano (589) se assigna: Possidonio, bispo de Eminio ; vindo este portanto à ser o ter- ceiro, e não o primeiro bispo de Eminio.
Se S. Pedro de Rates nomeou bispo para aqui (o que é duvidosissimo) não se sabe o seu nome. O primeiro bispo de que ha no- ticia em Agueda, é Elarzo, que em 412 as- sistiu ao concilio bracharense. (Poblacion Ec- elesiastica de Hespana, por fr. Gregorio de
“Argais, cap. 95, pag. 118.)
No segundo concilio de Lugo (569) o rei godo Theodomiro, supprimiu o bispado de Eminium ; porém vemos (como já se disse) 920 annos depois (589) no terceiro con- cilio de Toledo, figurar Possidonio, bispo de Eminium: o que mostra que, ou essa sup- pressão não chegou a ter efleito, ou 0 teve só depois da morte de Possidonio ; pois é certo que não ha mais noticia alguma de bispo, d'aqui, depois delle.
O allemão Hubner, pretende que Eminja
fosse a velha Coimbra, o que é inadmissi-.
vel. Em 569 já a velha Coimbra estava des- truida; e no segundo concilio de Lugo, con- vocado n'esse anno (como já disse) sendo supprimido o bispado de Eminium, passou esta cidade a ser uma parochia da nova Coimbra, e d'ahi a 20 amnnos já era outra vez bispado, o que não podia ser, se fosse a ve- lha Coimbra, visto já não existir.
Foi conde de Agueda D. Arias, casado com D. Aldara (ou Ilduara) que foram paes de S. Rozendo e progenitores da antiquis- sima familia dos Sowzas. S. Rozendo foi ca- nonisado em 1195.
Do que está dito se vê que 0 actual nome de Agueda vem de Ágatha, nome proprio (romano) de mulher (em portuguez Agueda) ou de uma pedra preciosa assim chamada. A-primeira hypothese é mais provavel. Tal- vez fosse alguma dama romana que désse o seu nome à esta povoação,
“Estava tão decadente nos primeiros tem- pos da monarchia, que nunca teve foral: nem mesmo D. Manoei (que os concedeu a tantas povoações pequenas) chegou a dar foral a esta villa.
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Apenas: se dignou comprehendel-a no fo- ral que deu a Aveiro, a 4 de agosto de 1515. É pois o seu foral o mesmo de Aveiro.
Tinha juiz ordinario até 1834, e era da Universidade de Coimbra.
Feira no 4.º de maio.
Tem estação telegraphica municipal.
Assequins, villa. extineta, pertence a esta villa. .
AGUIAN — vide Aguião.
AGUIÃO ou AGUIAN — freguezia, Minho. comarca e concelho dos Areos-de-Valle-de- Vez, 35 kilometros de Braga, 390 de Lisboa 140 fogos.
Orago S. Thomé, apostolo; distrieto admi- nistrativo de Vianna, arcebispado de Braga.
Chamava-se antigamente Guey.
Era vigariaria do abbade de Santa Eula- lia, que apresentava aqui o parocho.
Está aqui a torre do sr. Francisco Lopes Calheiros, que foi solar dos Aguiares.
Tem de singular esta torre, estar no meio das casas da quinta de Aguian eos senho- res das ditas casas pagam ao da torre um fôro annual, que este não tem querido nun- ca deixar remir.
A casa da Aguian, ou Torre de Aguião, tem sacrario na sua capella e daqui se mi- nistra o Santissimo Sacramento á freguezia.
É casa antiquisssma e das mais nobres da provincia do Minho. Foram moderna- mente senhores da Torre de Aguião, Jaco- me de Brito da Rocha, fidalgo da casa real e capitão-mór dos Arcos; João da Rocha e Brito, tambem fidalgo da casa real, capitão- mór dos Arcos; Simão Antonio da Rocha e Brito, fidalgo da casa real, aleaide-mór do castello de Nobrega e caudel-mór de Vian- | na, e finalmente o sr. Simão da Rocha e | Brito, actual senhor (1873) e representante , desta casa. As armas dos Britos são, em | campo de púrpura, 9 lisonjas, em 3 pallas, | e em cada uma um leão de purpura. Tim- | bre, um dos leões das armas, com uma li- | sonja de prata.
As armas dos Rochas, são, em campo de prata, uma aspa de púrpura e sobre ella 5: vieiras de ouro, guarnecidas de azul. Tim-* bre, a aspa das armas, com uma vieira no: meio.
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Ha outro solar dos Aguiares (com as mes- mas armas) em Aguiar de Traz-os-Montes.
Aguião é portuguez antigo, significa Nor- te. Ainda nas provincias do norte se usa es- ta palavra e guidrra, que é vento norte.
AGUIAR —pequeno rio da Beira Baixa, queentrana esquerda do Douro acima do Côa,
AGUIAR —vide Neiva, Castello de Neiva e 8. Romão de Neiva.
AGUIAR — vide Villa Pouca de Aguiar.
AGUIAR — freguezia, Minho, comarca e concelho de Barcellos, 24 kilometros de Bra- ga, 360 de Lisboa, 110 fogos.
Orago Santa Lucrecia.
No alto da serra existem as ruinas de uma torre (só os alicerces) que se chamou Torre de Aguiar da Neiva.
Districto administrativo e arcebispado de Braga.
Tinha foral, que lhe deu D. Affonso II, em 12 de julho de 1258.
D. Manoel lhe deu foral novo, em Lisboa, a 4 de maio de 1512.
Foi abbadia da casa de Aborim.
AGUIAR — villa, Alemtejo, concelho de Vianna do Alemtejo, comarca, districto ad- ministrativo e 24 kilometros ao S. O. de Evora, 12 ao N. de Alvito, 100 a E. de Lis- boa, 60 fogos.
Orago Nossa Senhora da Assumpção.
Está situada em bonita e fertil planície. B. Diniz lhe deu foral em 1287, que D. Ma- noel reformou em Lisboa, a 20 de novem- bro de 1516.
É abundante em cereaes, fructas, gado e caça.
Bispado de Beja.
Foi dos condes-barões de Alvito, que Ih'a trouxe em dote D. Maria de Souza Lobo, que casou com João Fernandes da Silveira.
(Vide Alvito.)
N'esta villa ninguem se tente a perguntar quantas horas são.
O seu nome primitivo era Agar. (nome
proprio de mulher na lingua arabe) e Agar se lhe chama no foral velho.
D'esta villa se descobrem, para o N. Evo- ra e Evora-Monte, para E. o Outeiro, para o S. Vianna e para o O. Alcáçovas.
Os marquezes do Louriçal apresentavam
AGU 37
os parochos. Mas os senhores donatariós da freguezia, eram os marquezes de Alvito, e à villa d'este nome estava judicialmente an- nexa á de Aguiar.
Foi aqui prior o insigne dré de Rezende.
Entre esta villa e a de Vianna está a via militar romana, que ia de Beja para Evora, e da qual ainda ha vestigios.
Em outubro de 1860, esteve aqui o Sr. D. Pedro V, com seu irmão, o infante D. João.
Chegaram inopinadamente, sem serem es- perados. Foram para casa do parocho, que não tinha que lhes dar senão pão e queijo (da terra) e isso mesmo foi preciso ir-se comprar fóra, ce em toda a villa não appa- receu de repente mais nada. Os viajantes comeram o queijo e beberam o vinho por uma canada de barro por vidrar!
AGUIAR — rio, Beira Baixa. Nasce em 8. Pedro do Rio Secco, e conserva o nome de Rio secco até ao sitio das Juntas (limites de Vermiosa) e d'aqui até se metter no Douro (na aldeia de Calábre) toma o dAguiar.
“ Tem 36 kilometros de curso, e é abun- dante de varias especies de saboroso peixe.
Junto à sua foz e sobre um alto e penhas+ coso monte estão as ruinas de uma grande povoação murada. Querem uns que fosse a antiga cidade de Ravena, outros (com mais criterio e melhores provas) a cidade episco- pal de Caliabria. Vide esta palavra, Almen- dra; Castello Melhor e Urrôs.
AGUIAR DA BEIRA — villa, Beira Alta, comarca de Trancoso, situada na alta serra da Lapa, d'onde se descobre a villa de Li- nhares (a 40 kilometros de distancia) Guar- da e Trancoso (a 12 kilometros a 0.)
Dista da serra da Estrella 12 kilometros, 30 de Vizeu, 310 de Lisboa. 250 fogos. Con- celho 1:600.
Orago Santo Eusebio.
Bispado de Vizeu, districto administrati- vo da Guarda.
Esta villa, ainda que pequena, é muito an- tiga. D. Thereza, mãe de D. Affonso 1 lhe deu foral em 1120, confirmado por D. Af- fonso II em Santarem, em 4220, e que D. Afionso HI e sua, mulher reformaram em 12 de julho de 1258.
antiquario An-
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Viterbo diz que o seu primeiro foral lhe foi dado por D. Affonso Henriques; mas é provavel que fosse sua mãe e elle, como era costume.
Aguiar já era concelho e já tinha castelo no tempo do nosso primeiro rei; mas pare- ce-me que era o castello romano, e que o mais moderno é obra (e não reedificação) de D. Diniz.
D. Manoel lhe deu foral novo, em Lisboa, a 4 de maio de 1502 ou 1512.
Tem um castello feito (ou reedificado) por D. Diniz, que foi muito forte. Tem casa de Misericordia, que é antiquissima.
Os nossos primeiros reis concederam gran- des privilegios a esta villa. Tem um bom chafariz, feito em 1377. No meio da villa ha um poço antiquissimo, com suas ameias e n'ellas as armas de Portugal, e sobre o mes- mo poço tem um passeio que serve de pra- ça à camara e ahi mesmo fica a celebre tor- re do relogio, muito antiga, muito alta, de boa cantaria e muito bem conservada. Está pegada à casa da camara.
Esta villa foi dos condes de Vimioso, que apresentavam as justiças; mas depois passou para a casa do infantado. Foi tambem ca- beça de condado.
Proximo ao logar de Sismeiro (onde hoje está a capella da Senhora do Mosteiro) este- ve um convento de freiras benedictinas, par-
te das quaes Almançor fez martyrisar em |
985, levando captivas as restantes, que fo- ram remidas no combate da Veiga da ma- tança.
Este convento foi pelos annos de 1600 dado aos jesuitas, e por a sua extincção se deu aos bispos de Vizeu.
Ao pé da capella de Nossa Senhora do Castello estão as ruinas de um castello ro- mano, de cantaria. Tambem perto d'esta ca- pella existiu a egreja de S. Pedro (ainda existem as ruinas da antiga matriz e da res- pectiva residencia n'um pequeno valle, ain- da chamado de 8. Pedro, ao sul da villa) an- tiga matriz da freguezia, que por ser dis- tante da villa, e por se partir a commenda de Christo (do real padroado) metade para Santo Eusebio de Aguiar e metade para S.
Pedro de Coruche, foi abandonada, erigindo- |
AGU se em egreja parochial a de Santo Eusebio.
As más linguas, porém, attribuem o aban- dono da egreja de S. Pedro ao appareci- mento da cabicanta, celeberrima e medonha passarola, que atterrou os aguiarenses.
Conta-se assim 0 caso. :
Appareceu aqui, ha seculos, uma cegonha que foi fazer o seu ninho na torre da egre- ja matriz (S. Pedro) como é do costume d'es- tas aves.
O povô ficou horrorisado à vista de tão monstruoso passaro (a. que deu o nome de cabicanca) e não só deixou de ir alli à mis- sa, mas até de transitar por aquelles sitios. O mesmo parocho fugiu da residencia com a sua familia, e foi celebrar os officios di- vinos na capella de Santo Eusebio, ao N. da villa e actual matriz.
Andava o povo assim atterrado, quando aconteceu passar por alli Martinho Affonso (de alcunha Escorrupicha, e de profissão al- mocreve) armado de uma espingarda, arma recentemente descoberta.
Vendo elle que a villa estava mergulhada em profunda magua, desamparando o povo della a agricultura, os negocios, os diverti- mentos etc., ete., e curando sómente de se preparar para o juizo final, que julgava proximo, se compadeceu de tanta desgraça e prometteu dar-lhe remedio.
Dirige-se à egreja, espera que 0 passaro saia do ninho, aponta, dispara e... zás! ferra com a cabicanca estatelada morta no meio do chão. O povo, ao estrondo do tiro e aos gritos victoriosos do cabicanquicida, corre em tropel a ver o enorme bico, o esgalgado pescoço, as longas pernas e 0 feio corpo do bicho. Todos o queriam ver ao mesmo tem- po, pelo que houve pancadaria, a valer (e dizem alguns que houve até mortes, mas o auto da cabicanca não o diz).
Não se póde descrever a alegria d'esta gente, nem às festas que fizeram a Martinho Affonso, que foi levado em triumpho por toda a villa, dando-se os mais freneticos vi- vas, muitos presentes e grande numero de garrafas de vinho (de que o almoereve pelos modos era grande amador) dizendo-lhe to- dos «escorrupicha» e elle escorrupichava, é d'isto lhe ficou a alcunha de Escorrupiche.
AGU
Passados oito dias das mais estrondosas demonstrações de jubilo e agradecimento, se foi o bom do meu amigo Escorrupicha seguindo a sua jornada, coberto de presen- tes, coroado dos louros da victoria e com um nome immortal que irá de geração em geração até à mais remota posteridade.
O parocho ficou pedindo em todos os do- mingos um padre nosso por Martinho Af- fonso, destruidor da cabicanca.
Advirto porém aos que forem a Aguiar da Beira e tiverem amor ás costelas, que não fallem alli na cabicanca nem no escor- rupicha, senão, depois não se queixem!
A feira desta villa foi instituida por D. Diniz, pelos annos 1300 (quando fez ou ree- díficou o castello). Era ao principio no pri- meiro domingo de cada mez e durava tres
dias. Tendo-se opposto o bispo (de Vizeu) |
por se fazer aos domingos, D. João T (em 1408) mandou que ella se fizesse nas segun- das, ferças e quartas (primeiras de cada mez).
Era vigariaria do real padroado e com- menda de Christo.
AGUIAR DA PENA—villa (hoje extincta), Traz-os-Montes, comarca e concelho de Vil-
la Pouca d'Aguiar, 75 kilometros a N. E. de |
Braga, 360 ao N. de Lisboa, 30 fogos.
Era uma povoação antiquissima. D. San- cho I lhe deu foral em março de 1206 e D. Affonso II em fevereiro de 1220. D. Manuel lhe deu foral novo, em Lisboa, a 22 de ju- nho de 1515.
Villa Pouca não era então mais do que uma aldeia, mas foi prosperando e é hoje capital do concelho e comarca, e Aguiar da Pena foi reduzida a aldeia. Os foraes desta pertencem áquella.
No foral novo se trata das terras seguin- tes: Affonsim (ou Fonsim) Alagoa, Balloira, Balugas, Barbadães de Baixo, Barbadães de Cima, Barria, Bom-siso, Bornes, Bragundo, Calvos, Capelludos, Carrazedo do Alvão, Car- razedo da Sabugueira, Castello, Cidadelha, Condado, Coroa, Eyriz, Fontes, Freixeda, Gralheira, Grilhado, Goivães, Lago Bom, Monte Negrello, Monteiros, Nuzedo, Parada, Parada de Monteiros, Paredes, Penduradei- ro, Penoasal, Pontido, Povoação, Reverde-
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chão, Saberoso, Santa Martha, Soutellinho, Soutellinho do Monte, Soutelo, Souto, 'Ti- nhella de Baixo, Tinhella de Cima, Telões, Tourencinho, Trandeiras, Vido, Villa do Conde, Villa Mean, Villa Pouca (hoje cabe- ça), Villarinho, Xudreiros (ou Enxudreiros) e Zimão.
AGUIAR DE SOUZA — villa, Douro, co- marca de Penafiel, concelho de Paredes, 18 kilometros a N. E. do Porto, 325 ao N. de Lisboa, 210 fogos.
Foi concelho e julgado até 1650, extin- guindo-se então, mas ficou sendo cabeça de concelho, que a Constituição de 1820 extin- guiu, tirando-lhe o foro de villa. Esta terra era dos marquezes de Abrantes.
O ultimo representante d'esta nobilissima casa, 0 ex.me gr. D. José Maria da Piedade Alencastre, morreu de repente no fim de fe- vereiro de 1870. Era chefe do partido legi- timista em Portugal e nunca quiz tomar o titulo de marquez, do governo liberal, mor- rendo com o nome de baptismo. Esta terra tinha primeiro sido dos marquezes de Fon- tes. Depois passou para à coroa.
D. Manuel lhe deu foral novo em Lisboa a 25 de novembro de 1313. Houve antiga- mente um castello com este mesmo nome, (de que ainda ha vestígios) na confluente do Souza com o Douro. Vide Penafiel.
Estava edificado sobre um penhasco, e junto d'elle consta ter havido uma villa de que hoje apenas existe a memoria, que era a capital do concelho, e foi despovoada por uma grande peste que houve em 1569. Vide Castello de Aguiar do Souza.
A egreja está na raiz da serra da Cadelta, em sitio solitario e cercada de montes.
Orago S. Romão.
A um kilometro a S. O. e junto ao rio Souza, em um bosque com penhascos em ambas as margens do rio, está a capella de Nossa Senhora do Salto, que appareceu em uma gruta junto ao rio, à qual ainda hoje se vê e junto della ha uma fonte de boa agua.
É no bispado e districto administrativo do Porto.
É povoação muito antiga, pois já em +0
de junho dé 1269 lhe deu foral D. Affonso
40 AGU
IL que foi renovado e confirmado por; D. João I, em 13: de março de 1441,
No foral novo (de D. Manuel) se trata das terras seguintes: Bairro, Bésteiros, Castel- lãos, Crastomil, Crestello, Cunha, Figueiró, Gandara, Gondalães, Guidaxe, Magdalena, Moriz, Novegilde, Parada, Pegueiros, Rebor- dosa, Recarey, São Payo de Gasaes, Sanjo- mil, Santa: Martha, S. Martinho do. Campo, Sobrado, Souzella, Vandoma, Villa Cova e Vitarães.
Na aldeia de S. Mamede de Vallongo, d'es- ta freguezia, no topo de um monte, ha um poco muito fundo (diz o padre Carvalho) que seeca de inverno e rebenta de verão.
Teve juiz ordinario+e camara até 1650.
AGUIAS ou BROTAS — villa, Alemtejo, comarca e 18 kilometros de Arrayolos. Em 1855 (24 de outubro) passou a ser da comar- ca de Montemor-o-Novo, concelho de Mora, 35 kilometros ao N. O. de Evora, 90 ao N. E. de Lisboa, 130 fogos.
Está situada proximo do rio Odivor, que à banha e fertilisa. D. Manuel lhe deu foral em Evora, a 20 de novembro de 1519.
Tem uma notavel torre, com suas ameias, guaritas (ou almenaras) e 16 casas, todas de abobada, de muita solidez.
Não ha memoria da sua fundação. É um edi- ficio formoso, de 17 metros de largo e 20 de alto, com quatro andares e em cada um uma formosa sala e quartos, tudo de abobada. A parede tem dois metros de grossura. É hoje palacio dos condes da Atalaia.
Bispado e districto administrativo d'Evora.
A villa é situada em um alto, mas cerca- da de montes ainda mais elevados. Era dos condes da Atalaia (marquezes de Tancos).
Principiou a ser concelho em à de setem- bro de 4361, desannexando-se da villa; de Coruche; mas já muito antes d'isto tinha o titulo de villa. O chafariz foi mandado fazer pelos moradores de Elvas em 1659.
O terreno da freguezia é, na maior parte, coberto de bosques e produz por isso pou- cos cereaes. A egreja da villa de Aguias dei- xou de ser matriz, e ficou-o sendo Nossa Se- nhora das Brotas.
Pelos seus foraes tinham, até 1834, os mo- radores do concelho o privilegio de não: pa-
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garem portagens e de não darem soldados para o exercito. Vide Brotas. E
Teve juiz ordinario e camara, Era da co- roa.
AGUIAS—freguezia, Beira Alta, Foi couto que se extinguiu em 1834.
Convento de frades bernardos de S, Pedro das Aquias e cuja egreja ématriz da freguezia.
Passa por ella o rio Tavora, por entre pe- nedias. Antes de 1834, só os taes frades nºel-
le podiam pescar, por ser coutado. Vide Pa-
radella e Tavora.
Foi no seu principio, de monges bentas. É mosteiro pequeno, e reedificado no fim do seculo XVII,
Situada na comarca de - Trancoso. Em isento, com jurisdieção quasi episcopal.
AGUIAS (S. Pedro das) — Vide Tavora, Salzêdas.e Cabriz.
AGUIAS (quinta das) —Extremadura, con- celho de Belem, arrabaldes de Lisboa.
Sumptuosissimo palacio, deliciosa quinta e bellissimo jardim dos srs. viscondes da Junqueira, no sitio d'este nome, na margem direita do Tejo, freguezia de Belem. É das mais bellas vivendas da capital e de todo o reino.
Chama-se quinta das Aguias por causa de. duas enormes aves d'esta especie, feitas de marmore e que rematam as columnas que fecham a, entrada principal.
AGUIEIRA — pequena villa extincta, Dou. ro. Pertence hoje à freguezia de Vallongo. do Vouga.
Aguicira significa logar onde ha muitas aguias, ou exposto ao vento norte.
Tinha foral dado por D. Manuel, em Lis- boa, a 6 de maio de 1514.
Tinha juiz ordinario, camara e officiaes de justiça, mas este concelho foi supprimido ha mais de 200 annos Era da coroa.
AGUIEIRA—pequena villa extincta, Beira Alta. Pertence hoje à freguezia de Carvalhal- Redondo, comarca de Mangualde.
Foi antigamente concelho, da comarca € provedoria de Vizeu, a cujo districto e bis- pado ainda pertence. Era da coroa.
Teve camara, juiz ordinario e mais em- pregados judiciaes. Actaalmente não é mais do que uma aldeia.
AGU AGUIEIRAS — freguezia, Traz-os-Montes, comarca de Mirandella, concelho 'da Torre
de D. Chama, 95 kilometros de Miranda, 435 ao N. de Lisboa, 130 fogos.
Bispado e districto rima de Bra- |
gança. “Orago Santa Catharina. AGUILHADA — (e ainda mais antigo, agi-
lhada) medida agraria antiga, particular do
campo de Coimbra. Uma aguilhada corres-
pondia a 2 metros da nossa medida actual. |
Media-se com uma corda à que se chamava | adival. Ainda hoje em algumas terras do reino se usa -esta medida.
AGUILHÃO —rio, Traz-os-Montes, limites
da freguezia de Louredo, comarca de Villa |
Real. Nasce na serra do Marão, em tres fon- tes chamadas do Corvo, do Libio e dos For- nos. Desagua no Corgo, no sitio de Pero Ne- gro. Seu curso é arrebatado e-seu leito pé- dregoso. Tem bom peixe 'e parte das suas margens são cultivadas. Tem uma ponte de pedra em Goncieiro, além de outras de ma- deira.
AGUILHÃO —rio, Minho, nasce no Marão, limite da freguezia de Canadello. Junta-se com tres regatos chamados Campanhó, For- no e Gernado e todos desaguam no rio. Olo, no sitio chamado Foz do Campanhoó ; 6 kilo- metros de curso. Peixe.
AGUILHÕES pequena serra, Douro, con- celho de Bayão, nas abas do Marão. Tem 1:500 metros de comprido e o mesmo de largo. Produz matto e caça. N'ella está gi- tuada a freguezia de Teixeiro.
AGUIM —villa, Beira Alta, couto extincto, 275 kilometros ao N. de Lisboa, 300 fogos, concelho da Mealhada.
É povoação muito antiga, pois já a 24 de setembro de 1258 (1220) lhe foi dado foral, no claustro da sé de Coimbra, pelo deão e cabido da mesma sé. D. Manuel lhe deu fo- ral novo em Lisboa, no 4.º de julho de 15144.
Optimo vinho: chamado vulgarmente da Bairrada,
Tinha camara e juiz ordinario e vereado- res e mais beleguins judiciaes, tudo nomea- do pelo cabido de Coimbra, que era o dona- tario. É terra bastante fertil. —
AIAMONTE-— Vide Ayamonte.
AIR 41
AIÃO—freguezia, Minho, concelho de Fel- gueiras, comarca de Lousada, arcebispado | e 35 kilometros de Braga, districto adminis- | trativo do Porto, 345 ao N. deLisboa, 130 degpei
Orago S. João Baptista.
AIDO ou EIDO — Vide Engxido.
AIRÃES — freguezia, Douro, comarca de | Lousada, concelho de Felgueiras, 35 kilo- | metros de Braga, 360 de Lisboa, 260 fogos. Orago Santa Maria.
Arcebispado de Braga, distrieto adminis- trativo do Porto.
Airães (no singular Airão) Airão significa ramo de-flores de pedras finas que as mu- | lheres usavam antigamente nos seus touca- dos. Tinha o mesmo nome um grande pen- | nacho que os homens traziam nos chapeus ou nos capacetes. Como muitos destes pe- nachos eram de pennas de garça, tambem se lhe dava o nome de garçotas.
Era commenda de Christo e reitoria da | mitra. Foi dada a Lourenço de Amorim Pe- reira, pelo muito que dilatou a entrega da | praça de Monção, que governava, quando os - gallegos a gets em 1707...
AIRÃO (S. João) ou AYRÃO — freguezia, Minho, pop e: concelho de Guimarães, 12 kilometros: de Braga, 345 de Lisboa, 75 fogos. Fertil.
Ha aqui o morgado do Paço, que foi da marqueza de Fuente-el-Sol, mulher do con- de de Valencia, em Castela.
Para a etymologia, vide Airães.
Orago S. João Baptista.
Arcebispado e districto admimistrativo de Braga.
AIRÃO (Santa Maria) ou AYRÃO —fre- guezia, Minho, na mesma comarca, conce- lho e districto; 100 fogos.
Muito abundante de aguas e fertil.
(A mesma etymologia.)
Orago Santa Maria. É no-mesmo arcebis- pado e districto do antecedente,
Ha n'esta freguezia um colosso vegetal, é um pinheiro, que tem 5 metros de circum- ferencia no tronco e 44 de altura.
Em junho de 1873 caiu sobre elle um raio que lhe fez algum damno. Esta mages- tosa arvore é do sr. Barthazar Machado da | | Silva Salazar. E
) AJU
AIRAS — vide Sonto-Redondo.
Airas é corrupção de Arias, nome pro- prio de homem.
Os nossos antigos, e ainda hoje a gente rustica, fazia de Arias, Airas, de vigario, vigairo, de sudario sudairo, de escapulario, escapulairo, etc. etc.
AIRE —vide Ayre.
AIRÓ — serra e freguezia, vide Ayró.
AIVADOS — (ponte dos) Ponte natural for- mada pelo rio Arcão, que nasce do grande olho de agua chamado Borbolegão, 5 kalo- metros ao N. da villa do Grandola, no Alem- tejo.
Esta bella curiosidade: natural, feita em um rochedo calcareo (e de um arco) mos- tra, além do seu merecimento como obra natural, uma linda vista; porque a nature- za, querendo aformosear a obra do rio Ar- cão, engrinaldou com heras o arco da pon- te e guarneceu as margens do rio de ala- mos, freixos, carvalhos e amieiros. Por esta ponte póde passar um carro. Vide Borbole- gão, Diabroria e Grandola.
AJUDA — freguezia, Alemtejo, bispado, comarca e concelho de Elvas, 150 kilome- tros a E. de Lisboa, 40 fogos.
Orago Nossa Senhora da Ajuda, districto administrativo de Portalegre.
AJUDA — freguezia, Extremadura, conce- lho e comarca de Figueiró dos Vinhos, 160 fogos.
Orago Nossa Senhora da Graça.
AJUDA — freguezia, Extremadura, conce- lho de Belem, comarca e 6 kilometros a O. de Lisboa, da qual, sendo um arrabalde, pó- de dizer-se que fórma hoje parte.
É no distrieto administrativo e patriar- chado de Lisboa.
Orago Nossa Senhora da Ajuda.
Tem 1:600 fogos, e 6:400 almas.
A egreja da Ajuda foi no seu principio uma capella, fundada por D. Manoel em 1:500.
Alguns escriptores dizem que esta fregue- zia foi creada por D. Affonso V em 1447, ou por o regente seu tio, o infante D. Pedro (tambem seu sogro) que morreu em Alfar- robeira.
Vide esta palavra,
AJU
N'esta freguezia está o magestoso palácio real da Ajuda.
Ainda em 17142 esta freguezia era exten- sissima, pois tomprehendia Belem, Bom- Successo, Alcolena, Pedroiços, Junqueira, Alcantara, etc. etc.
(Vide Lisboa, onde está tudo o mais que pertence a esta freguezia.)
A freguezia da Ajuda era um rendoso cn- rato, apresentado pelo cabido da sé de Lis- boa. Como a freguezia era grande tinha trez fabricas para administração dos sacramen- tos, uma na egreja, outra no real mosteiro de Belem (Jeronimos) e outra no convento de freiras flamengas de Alcantara.
(Vide esta palavra.) )
Estação telegraphica de 1.º ordem, ou do Estado.
O real palacio da Ajuda foi principiado por D. João VI, sendo ainda principe regen- te, efoi elle quem lhe lançou a primeira pedra.
Havia aqui um antigo palacio dos nossos reis, do qual ainda ha restos no recinto do actual,
Posto que ainda nem metade d'este edifi- cio esteja construido (a seguir-se à planta delle) póde afoutamente dizer-se que é um dos mais vastos e sumptuosos palacios reaes da Europa. A sua posição é elevada, é d'el- le se disfructa um vastissimo, bello e magni- fico panorama.
Para descrever tudo quanto n'este paço ha de notavel, seria preciso um volume maior do que toda esta obra e era certa- mente tarefa superior às minhas acanhadas forças. Direi sómente, na sala da acclamação está um magnifico quadro, devido ao pincel de José da Cunha Taborda; de grandes di- mensões, representando o acto da acelama- ção de D. João IV, que tem sido admirado por quantas pessoas da arte 0 teem visto.
No portico do palacio, estão em nichos de bello marmore 44 figuras, de tamanho qua- si natural, muitas d'ellas do mimoso ecinzel de Joaquim Machado de Castro, que são O enlevo dos olhos, fazendo algumas d'ellas a geral admiração, pela sua elegancia e pela delicadeza a que se poude fazer chegar va- rios objectos (como flores, cabellos, ete.) de marmore, como se fosse branda céra.
AJU
AJU h3
A fachada que olha para E. (que hade ser | e à sua patria, e como tal legalmente inha-
a da esquerda, pois que a frente, concluido o risco, é para O Tejo, ao 'S.) deita para um vasto terreiro, e m'elle se teve por algum tempo a antiga patriarchal.
Nos restos do paçó velho, construido por D. José I, está um theatro onde em Portu-
gal se representou pela primeira vez opera Iyrica italiana.
Foram primeiros architectos do real pa- lacio da Ajuda, José da Costa, os dois Fa- bri, Manoel Caetano e Antonio Francisco Rosa.
Durante o reinado do Sr. D. Miguel I, deu este soberano grande impulso ás obras do palacio, com muito dispendio do seu bolsi- nho, unica fonte d'onde saia o dinheiro pa- ra ellas. Foi no tempo deste tão infeliz co- mo patriotico monarcha que se collocaram a maior parte das estatuas do portico e as que estão nortimpano.
Consta de um documento official, que, só desde novembro de 1813 até ao fim de 1818, se gastaram nas obras d'este palacio, réis 809:1068019, e as obras apenas chegavam ao principio do andar nobre, isto é, estavam feitas só as menos despendiosas. O Sr. D. Miguel I gastou talvez outro tanto.
Havia tambem aqui um collegio com 60 alumnos (orphãos) que o Sr. D. Miguel I vestia e sustentava e mandava instruir em desenho e em todas as artes e officios exer- cidos para as obras do palacio. Este colle- gio foi extincto em 1834, quer dizer, man- daram-se os alumnos para o meio da rua.
Desde 1834 esteve este magestoso edificio em total abandono até 1858, em que a na- ção pagou noventa e tantos contos (!) para remendos e concertos. (As más linguas sus- tentam que nem a terça parte d'esta quan- tia se gastou; O resto foi...) j
Foi no palacio da Ajuda que teve logar em 26 de fevereiro de 1828, a sessão real em que a Sr.º infanta regente, D. Isabel Ma- ria entregou a regencia a seu irmão, o Sr. B. Miguel, depois primeiro do nome.
Teye tambem n'este palacio logar a im- ponente reunião dos Trez Estados do Reino (3 de maio de 1828) os quaes, julgando o Sr. D. Pedro rebelde e traidor a seu pae e rei
bil para ser rei dos portuguezes, proclamou como rei natural e legitimo, o Sr. D. Mi- guel I.
(Vide Hist. Chron. de: Port. N'esta obra.)
Neste palacio residiu desde março até ju- lho de 1833, o herdeiro legitimo do throno hespanhol, o Sr. D. Carlos V e sua real fa- milia, que era, sua primeira esposa, à in- fanta D. Maria Francisca de Assis, de Por- tugal; seus filhos; a Serenissima Sr.º prin- ceza da Beira, D. Maria Thereza (filha pri- mogenita de D. João VI) então viuva do in- fante de Hespanha, D. Pedro Carlos, e que depois veiu a casar com seu primo e cunha- . do, D. Carlos V, e finalmente o infante D. Sebastião, filho da princeza e do seu primei- ro marido.
Havia n'este palacio um museu de histo- ria natural, que em 1864 foi incorporado no museu publico agora estabelecido na Esco- la Polytechnica,
Tem tambem um jardim botanico, e, em um edificio contiguo ao paço, tem um ga- binete de physica. Tudo isto feito pelo mar- quez de Pombal.
O primeiro director do jardim botanico, foi Domingos Vandelli, naturalista italiano e lente jubilado da Universidade de Coimbra; mas tornando-se traidor à sua patria ado- ptiva, por se bandear com os francezes, em 1807, foi demittido e desterrado, sueceden- do-lhe Alexandre Rodrigues Ferreira. Em 18114 foi feito director do jardim e do mu- seu, o famoso naturalista portuguez, Felix de Avellar Brotero, tambem lente jubilado da Universidade de Coimbra, auctor da Flo- ra Lusitana e de outras varias obras de grande merecimento. Morreu a 5 de agosto de 1828.
(Vide Tojal, Santo Antão do)
Proximo de um dos lagos do jardim estão duas antiquissimas estatuas de guerreiros (collocadas aos lados da porta que dá entra- da para o terreiro.) São de granito é cinze- ladas toscanente. Alguns attribuem estas estatuas aos phenicios; mas é mais prova- vel ser obra dos antigos lusitanos.
(Vide Montalegre.)
Proximo ao palacio está a Tapada da Aju-
kh AJU
da, vasta e murada, estendendo-se, pela en- costa da serra de Monsanto, até quasi à ribeira de Alcantara. Consta de uma bella matta, cortada por espaçosas ruas, e terras lavradias, com as necessarias oficinas e as casas do almoxarife, que é administrador da Tapada.
Foi mandada fazer pelo marquez de Pom- bal, para D. José T alli ir seio exercicio de que muito gostava.
É n'esta freguezia: e proximo: ao palacio
real, a egreja de Nossa Senhora do Livra- mento e S. José, vulgarmente chamada Egre- ja da Memoria, fundada por D. José I, em acção de graças por escapar (apenas grave- mente ferido) do attentado de 3 de setem- bro de 1758 (pelas 11 da noite) indo o rei em carruagem, da quinta do Meio (Belem) para o palacio da Ajuda.
Os tiros foram-lhe dados na Calçada do Galvão. Vide Hist. Chron. d'esta obra, e Lis- boa. Vide tambem Chão Salgado.
Foi posta: a primeira pedra no dia 3 de setembro de 4760. Levou esta pedra. uma inseripção latina, que por extensa não co- pio. (Quem quizer ler isto por miudo, veja o n.º 7 do 2.º vol. do Archivo Pittoresco.) A esta ceremonia assistiu o rei, toda a côrte-e immenso concurso de povo.
Na hoeca: do throno ha um grande pai- nel allegorico ao attentado de 3 de setem- bro, pintado por Pedro Alexandrino.
Foi concluida. esta egreja no reinado de D. Maria 1. É pequena e de um só altar; mas obra sumptuosa.
Tinha (e não sei se ainda tem) um outpel: lão, com 3008000 réis de renda e com a obrigação de aqui dizer uma missa todos os dias. Um sachristão com 808000 réis e um faquino com 368400 réis. Teem todos tres casas de residencia, feitas para isso, proxi- mo da egreja.
Tudo quanto faltar na Ajuda, achar-se-ha, em Belem e em Lisboa.
AJUDE — freguezia, Minho, comarca da Póvoa de Lanhoso, concelho de S. João de “Rei, 12 kilometros a N. E. de rnapos 370 ao N. de Lisboa, 40 fogos.
Orago Nossa Senhora. Arcebispado e districto de Braga.
ALA
AL — Julgo indispensavel fazer aqui uma explicação a respeito d'estas duas lettrass,
O artigo al, é uma particula insepawrawvel, isto é, nunca se acha só na oração); mas sempre anteposta a algum nome substamti- vo-ou adjectivo, servindo para todos (os «ge- neros, numeros e casos.
Elle faz que o nome indeterminavell fique restricto, vg. Iskander, o nome de Allexcan- dre, Al-Iskander, Alexandre Magno. IRarris- simas vezes deixa de ter esta força.
(É preciso não confundir o al árabe ceom o al portuguez. Este deriva-se do latin alliud e significa outra cousa. Este era muitio uisa- do antigamente no fôro; vg. «al não «dissse» «Ponha-se em liberdade, não estandlo jpor al preso» etc. etc.)
Na lingua portugueza, a união do aarti- go al com o nome, formou um nome iimeoom- plexo ou indeterminado, vg. o Almocadlem,, a Almofada; considerando o artigo ail como parte integrante da voz que compõe.
Assim viemos a juntar ao artigo ail o ar- tigo portuguez o ou a.
Nas palavras Aldail, Alrabil e outras mmui- tas, os arabes, posto que assim as escrevves+ sem, pronunciavam Adail, Arrabil ete, e mós, escrevendo-as'como elles as pronunciiaviam,,
| lhe supprimimos o 1.
É porque taes palavras são “das «quee os arabes chamam solares, que teem a partiicu- laridade de converter o | do artigo, em uma lettra similhante à que se segue,, vg. se hão de dizer Al-dail, Al-rabil, AMl-ddibo, Al-dufe, Al-sacal ete., ete., dizem, Atd-ddail, Ar-rabil, Ad-dibo, Ad-dufe, As-sacal ete.. ete.
Do que fica dito se vê a razão jporeque ainda hoje muitas palavras se pronunctiam e escrevem com o artigo ou sem elle, ssem que n'isso se commetta êrro, vg. celgia, zzar- cão, lagõa ete., ou acelga, azarcão, alaagõe etc.
O al arabe está adoptado na lingua ypor- tugueza ha mil annos e o al latino lia mmil é quatrocentos. :
Peço humildemente perdão aos homens da sciencia, por estas divagações e, paraa el- les, inuteis explicações; mas este livrio és pa- ra o povo, para o nosso bom povo ponrtú- guez, a cuja classe me honro de pertenecer ,-
ALA
e não lhe serão inuteis estas e outras noticias.
ALA — freguezia, Traz-0s-Montes, comar- ca e concelho de Macedo de Cavalleiros, 70 kilometros ao N. de Miranda, 440 ao N. de Lisboa, 200 fogos.
Orago. Santa Engracia.
Bispado e distrieto administrativo de Bra- gança.
Era reitoria do real padroado. O reitor apresenta. o cura de Brinço.
ALA — serra, Traz-os-Montes, junto ao lo- gar de Viariz, districto da villa de Penas- Royas, comarca de Miranda. É tradição que aqui habitaram mouros e é certo que n'el- la se veem ruinas de edifícios, no cume da serra, com ruas e praças; e no fundo da serra se vê uma fonte que servia aos mora- dores, e d'ella se fórma a ribeira de S. Mi; guel.
Era provavelmente alguma antiga cidade das que hoje se ignora a situação, ou cujo nome e memoria se perdeu.
A serra actualmente só produz matto, ca- ca, lobos, rapozas, teixugos, ete.
ALAFÕES — vide Lafões.
ALAGOA — vide Lagõa.
ALAMO — pequeno rio, Alemtejo, termo de Monsaraz. Nasce na serra do Ramo Alto, no baldio das Caldeiras.
Corre 6 kilometros ao O. de Monsaraz e morre no Guadiana, por cima do monte dos Cordeiros.
Passa tambem à freguezia de S. Pedro do Corval.
ALANDRO — cloendro (arbusto) vulgar- mente, loendro. D'aqui, Alandroal, Loendral, Londral, Landroal, etc.
ALANDROAL — villa, Alemtejo, comarca de Estremoz. 34 Kioridthos ao S. de Elvas, 9 ao S. E. de Borba, 150 ao E: de Lisboa, 380 fogos, concelho 1:200.
Em 1660 tinha a villa 500 fogos.
Orago Nossa Senhora do Castello.
Bispado de Elvas, districto administrativo de Evora, d'onde dista 30 kilometros.
Está situada na chapada de um monte, dividida em duas partes pelo castelo. Á parte de cima se chama Matta, e está en- tre vinhas e olivaes; e à parte de baixo chamam Arrabalde,
ALA h5
Tomou o nome dos muitos alandros (eloen- dros) que havia na fonte ' chamada do Mes- tre (por ser do de Aviz.)
Antigamente escrevia-se Lendroal.
O seu castello tem sete torres em' redor e a de menagem no centro, e trez portas, es- tando a principal entre duas torres.
Na torre da direita (ao entrar) está uma inscripção que diz: Deus é, e Deus será; por quem elle fôr, esse vencerá. ;
Mais acima está outra que diz: Era 1382 (1294 de Jesus Christo) a 6 dias de fevereiro, começaram a fazer este castello, por manda- do do mestre de Aviz, D. Lourenço Affonso, e elle pôz a primeira pedra, M.e. e. & 3.e castello.'
Sobre' outra porta está a cruz de Aviz, com duas aguias, dos braços da cruz para baixo, e d'elles para cima, dois grilhões (co- mo os da ordem de Calatrava) e ao pé umas letras que dizem: mouro me fez.
A torre de menagem tem no meio uma cruz da ordem de Aviz, com esta inscripção: Era 1836, (1298 de Jesus Christo) a 25 dias andados de fevereiro, fez este castello D. Lou- renço Affonso, mestre de Aviz, á honra e ser- viço de Deus e de Santa Maria, sua madre, e das ordens do muito nobre Sr. D. Diniz, rei de Portugal e do Algarve (reinante em aquel- le tempo) e em defendimento de seus reinos. Salvator mundi, salva mé.
Na porta da torre que está sobre o muro em uma grande pedra branca, está esta in- seripção: Quando quizeres fazer alguma cons sa, cata o que te é necessario e depois verás; e a quem de ti se fiar, não o enganes : lealda- de em todas as cousas.
D. João II lhe deu foral em Santarem, em 29 de abril de 1486.
D. Manoel lhe deu foral novo em Lisboa, a 10 de outubro de 1514.
Até 1834 era da comarca de Aviz, prove- doria de Elvas, e tinha juiz de fóra. Era da corõa.
Tem misericordia, muito antiga, e hospi- tal.
Neste concelho corre 0 rio Lucefeci. (vi- de esta palavra.)
Ha tambem n'este concelho, proximo da villa de Terena, uma capella de S. Miguel,
46 ALA
fundada sobre as ruinas d"aquelle célebre e antiquissimo: templo feito pelos lusitanos e dedicado à Endovelico ou ie (Vide Te- rena.)
D'esta villa se descobre Jurumenha, Oli- vença, Evora, Redondo, Monsaraz, Estre- moz e Mourão.
A egreja matriz é dentro do biatdudo e foi da ordem de Aviz.
Eram donatarios da villa os grãos-mestres de Aviz.
No caminho da fonte, que vae para o Ar- rabalde, ha vestigios de um hospicio, que fundou Diogo Lopes de Sequeira.
É tradição que nunca aqui houve peste. Em 1600 aqui esteve fugida a ella a duque- za de Bragança e sua filha, D. Isabel.
No fundo da praça ha uma formosa fon- te com seis bicas de bronze, abundantissi- ma de agua, cujas vertentes fazem moer la- gares de azeite, regam hortas, jardins ete.
Ha outra fonte chamada das freiras, que rebenta de um rochedo, tambem muito abun- dante e com cuja agua se regam muitos campos. Entre esta fonte e a villa, ha um si- tio a que chamam Villares, onde dizem que foi a primitiva villa. Ainda ali se vêem ves- tigios de construcções; mas hoje está tudo plantado de olival.
Ha n'este olival dois algares muito fun- dos, que hoje estão cobertos de abobada. Parece que n'elles tem principio as fontes da villa e que a agua se reparte por meatos subterraneos.
Na Granja, termo desta villa, se vêem al- guns outeiros minados, o que mostra que os romanos ou arabes d'ali extrahiram me- taes.
Ha ainda no termo d'esta villa minas de cobre, ferro, manganez e outros metaes. Al- gumas destas minas estão registadas e an- dam em trabalhos de pesquiza, e muitas ou- tras estão apenas manifestadas na camara,
Ha aqui uma capella dedicada à S. Bento da Contenda.
Passa por aqui a cordilheira de monta- nhas chamada Ossa, que se estende de E. a O. indo-se as suas ramificações perder no Gua- diana, depois de percorrer os termos de Es- tremoz, Villa-Viçosa, Alandroal, Evora-Mon-
ALB
te e outros. Esta serra é composta de altltos montes e valles ferteis,
Tem 40 kilometros. de comprido e 15 5 na sua maior largura. Foi a Thebaida dos 1 re- ligiosos paulistas. (Vide Ossa e Sernache e ou Cernache do Bom-Jardim.
ALANOS — povos originarios da Ásia, ddas proximidâdes do Caucaso, cujo chefe eera Gonderico.
Atravessaram a Hungria e à Allemanhha, reuniram-se aos suevos e aos vandalos, atrtra- vessaram a Gallia e estabeleceram-se na Hdes- panha e na Lusitania, sendo afinal venciddos pelos godos.
Segundo Ammiano Marcellino, eram mmes- sagetes, antigos povos da Seythia, áquem 1 do monte Imáo. Segundo outros, vieram - da parte septentrional da Seythia, onde eststão os montes Alânos.
Entraram na Hespanha em 408. Eram crueis e sanguinarios. Em dois annos qque duróu a sua conquista, fizeram mais daam- nos à Hespanha do que 200 annos de guaer- ra com os romanos. Assentaram a sua ctôr- te em Merida; mas na batalha que lhes ddeu (proximo a essa cidade) Vallia, rei dos wwi- sigodos, em 4140, perderam o seu rei e graan- de multidão de gente, e os que escaparram se misturaram com os suevos, perdenndo juntamente com o rei, 0 reino e o nome.».
ALARDA — rio, vide Arda.
ALARDO — rio, idem.
ALBAFOR — portuguez antigo, do ararabe albachur, significa incenso
ALBARDOS — freguezia, BeiraBaixa, c co- marca e concelho da Guarda, 290 kilonme- tros a E. de Lisboa, 70 fogos.
Albardos é derivado do arabe albammrde (cousa fria.) Vem do verbo barada, ter frírio. Orago Espirito Santo.
É no bispado e districto administratitivo da Guarda.
ALBARDOS ou ALVADOS — Alguns c es- crevem Alvados mesmo por quererem € es- crever errado, para não dizerem Albardolos ; por julgarem que vem de albarda.
Deve só escrever-se Albardos que éo siseu verdadeiro nome e muito proprio, poisis o sitio é frio. (Vide, sobre etymologia, 4 Al- bardos, freguezia.) Serra, Extremadura, ; na
ALB comarca de Leiria. Faz parte da notavel cordilheira de Monte-Junto (o Tagrus dos romanos.)
É nos confins da villa de Truquel. Nasce junto à villa de Porto de Mós e finda em Rio-Maior, com 30 kilometros de comprido e 6 de largo. É aspera e fragosa.
Do alto d'esta serra (dizem os frades ber- nardos) fez D. Affonso I doação a S. Bernar- do de todas as terras que d'aqui se avistas- sem até ao mar, em 1147.
No sitio onde o rei fez a doação se eri- giu depois, para memoria d'ella, um arco de pedra, que ainda lá está, com uma in- scripção commemorativa.
Chama-se ao sitio da serra onde está a memoria, Arrimal. (Vide esta palavra.)
(É provavelmente obra dos frades ber- nardos.)
Este facto (a doação) é contestado e con-
testavel. Em 1793, fr. Joaquim de Santo Agostinho
(Mem. sobre os codices de Alcobaça) prova que este voto é uma invenção dos frades bernardos. Vide Dicc. Chron. e Crit. de J. Pedro Ribeiro, tomo 4.º, pag. 54. Quadros Hist., de A, F. de Castilho, nota à tomada de Santarem.
Esta serra lança um braço para o conce- lho de Truquel, chamado Cabeço de Tyru- quel.
N'elle existe uma extensa gruta, formada
por grandes rochedos, feita pela natureza e |
augmentada pela arte, em eras remotissi-
mas, para habitação dos povos d'aquelle |
tempo, segundo é tradição, o que é prova-
vel, visto que os povos primitivos não ti- |
nham outra casta de habitações.
Em 1869, o sr. Joaquim Possidonio Nar- ciso da Silva, distincto architecto da casa real, fundador da Associação dos Archite- ctos Civis Portuguezes, e do Museu Archio- logico, que está na egreja gothica do Gar- mo; em Lisboa, inteligente e zelozo amador
das antiguidades patrias, fez aqui uma via-.
gem, de proposito para investigar todas as particularidades da gruta, e se à sua exis- tencia pertencia a épocas pre-historicas, co- mo parece provavel.
Viu que a entrada da gruta está meio es-
ALB 47.
condida pela rama de espessos arbustos.e é baixa e estreita. A primeira gruta é uma especie de vestibulo, bastante alta; mas pouco espaçosa; porém, por uma abertura, praticada no rochedo, se passa a outra gru- ta muito mais vasta, tendo ambas, nas ro- chas que lhes formam a abobada, uns bura- cos por onde penetra o ar e a luz. Achou o sr. Silva, a pouca profundidade, uma cama- da de cinza (com alguns ossos misturados) de bastante espessura e occupando todo o centro da gruta. Por baixo d'esta camada de cinza achou uma de areia e por baixo d'es- ta outra de cinza e ossos, como a superior.
Em vista d'isto, é de suppôr que esta gru- ta fosse destinada para necropoles, ou jasigo dos restos mortaes d'esses povos primiti- vos.
Já era muito; mas o sr. Silva tinha fun- dadas esperanças de vir a descobrir instru- mentos e outros vestigios dos tempos pre- historicos.
Como era noite, interromperam-se os tra- balhos. No dia seguinte, quando o sr. Silva chegou à gruta com os criados e trabalha- dores para continuar as investigações, viu que dos respiradouros da gruta saiam den- sas espiraes de fumo. Foram os pastores da serra, que julgando lhes iam roubar thesou- ros, que reputavam seus (apesar de na ves- pera, o sr. Silva lhes dizer que, se appare- cesse algum ouro ou prata, lhe dava tudo à elles) tinham enchido a gruta de matto (pa- ra o que tinham trabalhado toda noite) e lhe haviam lançado fogo.
No dia seguinte voltou o sr. Silva, mas o fumo e o calor não deixaram penetrar na gruta; pelo que reservou a continuação dos trabalhos para o dia seguinte; mas receben- do um telegramma para regressar a Lisboa, ficaram, por emquanto, suspensas as suas investigações.
Por essa occasião, mostraram tambem ao sr. Silva na mesma serra, a distancia de coi- sa de um kilometro da gruta, um dolmen,
| perfeitamente conservado.
Foi um optimo achado, porque não ha- via conhecimento, nem memoria escripta, deste monumento celtico n'aquella locali- dade.
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Nascem n'esta serra tres rios, o Alcoba- | torescas dos arredores de Cintra, ainda não
ca, o Alcobertas e o de Rio-Maior. Ha n'es- ta serra uma famosa quinta chamada de Valle-de-Ventos, que foi dos frades de Aleo- baça.
-"Esta' serra é toda minada por algares. Tem muitas e boas pedreiras de bello mar- more, produz muito alecrim, -rosmaninho e pimenteira. Cria-se aqui bastante gado e tem muita caça e lobos.
“ No braço que lança para Truquel, ha uma lagõa que nunca secca e cria muitas san- guesugas. Ha n'esta serra uma extensa mat- ta de carvalhos, que tambem foi dos frades bernardos.
“Os povosvisinhos d'esta serra lhe cha- mam geralmente Serra de Rio-Maior, por ficar proxima d'esta villa. Ao arco chamam Rei da Memoria, e nutrem fabulosas, e até disparatadas opiniões sobre a origem deste monumento.
ALBARRADA — vaso com asas.
Os Soares teem por armas, em campo ver- melho, duas albarradas de prata, de duas ásas cada uma, cheias de açucenas.
Tambem: se chama albarradas à parede de pedira sêcca (sem cal.)
Ainda se dá este nome a uns montes de terra que os mouros põem entre as suas tropas e as praças que cercam, para as li- vrar dos projectis dos sitiados.
Os arabes chamam à albarrada (vaso) war- rada (al-varrada) de uardon, rosa; por n'el- la se metterem flores.
ALBARRAN — Nome de umas torres que havia no tempo de D. Pedro 1, onde se de- positava o dinheiro que sobrava das rendas da corda. Havia uma no castelo de S. Jor- ge em Lisboa, outra no Porto, em Coimbra, em Santarem e outras partes.
É palavra arabe «albarrãa» (cousa do campo). Tambem significa uma sebólia sil- vestre; mas à esta chamam os arabes mais commummente «baçal-el-far» (sebôlla dos ratos.)
ALBARRAQUE — aldeia da Extremadura, a 4 kilometros de Cintra. Estão-se ali con- struindo (julho de 1873) muitas e formosas casas de habitação.
Esta povoação, uma da mais lindas e pit-
tem uma estrada que a ponha em commu- nicação com Lisboa, Cintra ou outra qual- quer povoação; pelo que, o povo d'aqui, vendo que nem as obras publicas nem o municipio tratam de occorrer a esta neces- sidade, urgentissima, pelo grande desenvol- mento que vae tendo a: terra, se cotisaram entre si, voluntariamente, para construírem uma tal ou qual estrada, de que tanto care- cem.
Segundo alguns, Albarraque é alçunha de homem (arabe,) significa, o leproso. É derivado do substantivo Albarás, lépra. Frei João de Souza, porém, nos: seus: Vestigios da Lingua Arabica, em Portugal, diz que Albarraque é, sem corrupção nenhuma, pa- lavra arabe, e que significa, cousa resplan- decente, lusída, brilhante, derivada do verbo baraca, relusir, brilhar, resplandecer, lusir. O padre Carvalho Costa é desta mesma opi- nião na sua Chorographia.
Seja pois Aldeia Resplandecente. Nada de lepra, que é molestia terrivel (e, pelos mo- dos, contagiosa.)
ALBERGARIA appellido portuguez mui- to antigo e noblissimo n'este reino. Procede do seguinte :
A caridosa rainha D. Mafalda, mulher de D. Affonso Henriques, vendo as grandes min- guas que em Portugal soffriam-os viandan- tes, pela falta de estalagens, mandou à: sua custa edificar e dotar grande numero de al- bergarias, pelos sitios mais ermos e inhos- pitos, muitas das quaes ainda existem.
Já tambem sua sogra, a rainha D. The- | reza, tinha fundado varias albergarias, nas | provincias do norte. Sua neta (de D. Mafal- da) a rainha Santa Mafalda, filha de D. San- cho 1, não cedendo na virtude da caridade, | a sua avó e bisavó, tambem fundou diversas | albergarias.
De todas estas senhoras existem ainda al- 1 guns d'aquelles simples mas uteis edificios, | mais ou menos arruinados; porém testemu- * nhas venerandas da caridade dos nossos an- | tigos monarchas.
É por isto que alguns mosteiros, e varios fidalgos, querendo imitar a rainha na sua | virtude da caridade (a principal das virtu- |
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des christãs) fundaram algumas albergarias,
'* Aue'tambem dotaram com; rendas sufficien-| * ˣs para 0 seu custeamento.: De todas as albergarias fundadas por par-
ticulares ou congregações religiosas, a maior
“e mais ricamente dotada foi a de S. Bartho-. Aomeu, em Lisboa.
Foi seu fundador, pelos annos de 14454, D. Payo Delgado, que a erigiu em morga- do, que ficou a seus descendentes, com a expressa e rigorosa obrigação de a conser- varem no mesmo: pé em que o fundador a deixou..;
Por esta razão e porque a albergaria era edificada junto. ao seu palacio, principiou o povo a denominar esta familia os da Alber- garia.
D. Soeiro Fernandes, bisneto do fundador, foio primeiro que se assignou de Albergaria, seu filho, D. Fernando, tomando o patroni- mico de Soares (filho de Soeiro) se ficou cha- mando D. Fernando Soares de Albergaria.
Eis aqui a origem dos Soares de Alberga- ria, de que hoje ha differentes ramos, sendo os principaes, os da Réêde, proximo ao Peso
da Regoa; os de Travanca, sobre a margem
direita do rio: Paiva, no concelho de Sinfães; os de Refojos (hoje vivendo no palacio do Buraco, sobre a esquerda do rio Ul, fregue- ziado Couto: de Cucujães, concelho de Oli- veira de Azemeis) e os de Areias, no conce- lho de Gambra. Os de Paradella (na fregue-
«gia. de 8. Miguel do Matto, no concelho de - Arouca) desde o fim do seculo passado, em -que: herdou aquella casa uma senhora dos
Azevedos, de Bayão, chamada D. Isabel Soa-
- ves de Azevedo, principiaram a assignar-se,
uns, Soares de Albergaria, e outros Soares
« de Azevedo. O bisavô do auctor d'esta obra,
o dr. Manoel Soares de Albergaria, que era d'esta casa de Paradella, teve varios filhos é
filhas, que uns se. denominaram de Alber- - garia e outros de Azevedo. Meu avô mater- «no; tambem nascido -n'esta casa, mas filho -segundo, chamava-se Francisco Antonio Soa- «ves de Azevedo -e já o irmão primogenito é - imediatos, Manoel, José .e-Antonio (todos -itres-doutores em. direito) adoptarama. o ad
pellido de Albergaria.
Além; destas - familias, ha em Portugal ,
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muitas outras de Soares de Albergaria (que, pelo que se vê, é gente prolifica) que já não teem parentesco nenhum umas com outras, apesar de procederem do mesmo tronco. Se- ria fastidioso nomeal-as todas .e limitar- me-hei a indicar o seu brazão de armas e suas modificações.
O: ramo principal (Lisboa e Réde) tem, em campo de prata, cruz vermelha floreada, or- la do mesmo, carregada de 8 escudetes,
“das Quinas Reaes de Portugal, Elmo de aço
aberto e por timbre uma serpe vermelha, voante, com uma cruz de prata, floreada, no peito.
Os de Cambra, do Buraco e ouíros mui- tos, trazem por armas, escudo esquartella- do, no 1.ºe 4.º, orlados de prata, e na orla oito escudetes das armas de Portugal e no centro um escudo: de, púrpura com uma cruz de prata floreada, no, 2.º, em campo azul, tres flores de liz, de prata, e no; 3.º em campo de púrpura uma arvore verde, tendo de cada lado dois leões rompentes, elmo de aço aberto, e por timbre um dragão ver- melho aládo.
Os de Paradella, não sei porque, adopta- ram as armas dos Azevedos..
ALBERGARIA aldeia, Extremadura, co- marca e concelho do Pombal, 16 kilometros de Leiria, 140 de Lishoa. 24.2 estação do-ca- minho de ferro do Norte.
Albergaria significa casa onde se dá pou- sada gratuita aos viajantes. Deriva-se do al- lemão hebergen (hospedar), ou. do árabe, be- rege, que significa descansar, recolher-se, juntar-se, abrigar-se,
ALBERGARIA DAS CABRAS — freguezia, Douro, comarca e concelho de, Arouca, de onde dista 12 kilometros ao S,, bispado e 80 kilometros a O. de Lamego, 50 a E. do Por- to, 285:a0' N. de Lisboa, 36 fogos.
Orago Nossa Senhora da Assumpção,
Districto administrativo de Aveiro.
Situada ao N. e proximo à serra da Frei-
ta. Eram donatarias as; freiras: de: Arouca.
É terra fria e esteril, apenas: produz al- gum pouco trigo e senteio, algumas arvores
enfezadas e: matto. Em annos de chuva ainda dá algum milho, É terra muito pobre, cá
Nascem aqui tu es Tegatos, que juntando- 4
50 ALB “se, formam o rio Caima. Tem bastante caça e & lohos.
“Perto da matriz (ao N.) se vêem umas ca- sas arruinadas, que era uma albergaria, fun- dada pela rainha Santa Mafalda em 1280, pagando-se uma pensão a quem a certas ho- ras da noite tocava uma buzina, para indi- car aos passageiros perdidos que ali havia albergaria, é para que os não comessem os lobos.
Tambem na serra da Freita, nos limites da freguezia de Rôças, mandou a mesma “rainha, e pelo mesmo tempo, fundar outra albergaria, para o mesmo fim e com a mes- ma pensão. A esta se chamava Albergaria de Róças.
É desta casa que a freguezia teve o nome de Albergaria.
ALBERGARIA DO CANTARO — vide Can- taro, serra, Carvalho, villa.
ALBERGARIA DOS FUSOS — villa, Alem- tejo, comarca e concelho de Cuba, 35 kilo-
“metros de Evora, 105 a E. de Lisboa, 40 fo- gos. Orago Nossa Senhora do Outeiro.
Bispado e districto administativo de Beja.
Foi dos duques de Cadaval, por compra que fizeram a D. Violante de Moura, abba- dessa das freiras de Santa Clara, de Beja (que eram as suas primeiras donatarias) em 17 de dezembro de 1503.
Quem comprou isto, foi D. Alvaro, tron- co da casa de Cadaval e o mesmo que com- HI, prou Agua de Peixe.
Foi esta compra feita por 2008000 réis, e confirmada por D. Manoel, em Almeirim, em 14 de março de 1516 e depois por D. João HI, em 17 de agosto de 1525.
Cria-se aqui muito gado, grosso e miudo, e ha muita caça. Cereaes e frutas produz pouco.
Correm por o termo tres ribeiros chama- dos de Nossa Senhora, da Cegonha e de Odi- vellas.
Tinha juiz ordinario e vereadores, feitos pelos donatarios.
“ALBERGARIA DE PENELLA — vide Pe- nella, concelho.
| ALBERGARIA NOVA — aldeia, do conce- lho e 10 kilometros ao S. de Oliveira de Aze- meis, 275 ao N. de Lisboa, 50 fogos.
Passa aqui aestrada real deLisboa para o N.
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ALBERGARIA VELHA (para a didistin- | guir de Albergaria Nova, aldeia que Ihlhe fi- ca 10 kilometros ao-N.) villa, Douro;o, co- marca de Estarreja, 18 kilometros ao 1 N. de Agueda, bispado, districto administratativo e 18 kilometros a N. O. de Aveiro, 54 « ao 8. do Porto e 255 ao N. de Lisboa,:700 fefogos, 3:000 almas, concelho 1:600 fogos. pe Santa Cruz.
É povoação muito antiga, mas não s'se sa- | be por quem nem quando foi fundadala. Co- mo por aqui passava a estrada que 0s9s ara- bes fizeram em substituição da via mmiliter romana, que ia mais ao O., e pelo que acaquel- la se chamava estrada mourisca, é prorovavel | que a fundação d'esta povoação date d do se- | culo 1x ou x. Durante a regencia de DD. The-. reza, viuva do conde D. Henrique, j.já era povoação de: alguma importancia. ( (Vide adiante, quando se trata do seu foral, e e tam- bem sobre os assassinos e roubos feitdtos pe- los de Val-Maior).
Não tem edifício ou monumento a algum. notavel. É fertil e os seus arrabaldes sisão bo- nitos. Atravessa-a/a estrada real dele mac-. adam que vae de Lisboa ao Porto, e dele Avei-! ro à Vizeu. Tem só uma rua, mas asis casas não teem má apparencia. Deu-lhe o nome uma albergaria (fuiundada! por a rainha D. Thereza, mulher do o conde: D. Henrique, pelos annos de 4120) ) e que ainda existe à entrada da villa. Era p:para 08 viajantes pobres, aos quaes, trazendolo guia, se lhes dava um vintem, e sendo p padres meio tostão. Se estivessem doentes sese cura- vam, e se não podessem andar, se lheaes dava, cavalgadura até à Misericordia mais E proxis ma. Sobre a porta da Albergaria estétá uma, inscripção que diz: Albergaria de popobres:& passageiros, da rainha D. Thereza. Dizem alguns escriptores que, quauando à rainha D. Thereza aqui passou, e mmandou fazer a albergaria, era aqui apenas wum ata: lho deserto, onde os moradores dele Valle Maior vinham assassinar e roubar 00s pass sageiros, e que foi para evitar estas 5 morte: e roubos que a rainha mandou fazezer a al: bergaria, que hoje é propriedade do io m cipio.
Talvez com efeito este sitio então e estive
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se deserto e deshabitado; mas isso seria em | "razão das continuas guerras d'esse tempo ; * porém émuito provavel que aquitivesse exiss-
tido uma maior ou menor povoação, que ti- vesse sido abandonada. “Tinha quatro camas, mais dois enxergõe:s,
“esteiras, lume, agua e sal, para quem aqui
quizesse pernoitar, e os que aqui morriam,
'se lhes dava mortalha e enterramento, com officio de tres lições e missa, e mais tres * missas de altar privilegiado. O corregedor
(de Esgueira) vinha abc OS annos inspecc-
cionar isto. Tem estação telegraphica municipal.
- Franklin não falla em foral algum antigo
ou moderno, dado a esta villa, mas é cerito
que a rainha D. Thereza lhe deu carta die “doação, que lhe serve de foral, pelos annos
1124. a Pretendem alguns eseriptores que o prii-
meiro documento em que D. Thereza se im- titulou rainha, foi n'esta doação, o que é erro. N'aquelles tempos todas as filhas dos reis hispanicos se: denominavam rainhas, o que ainda se usou nos primeiros tempos dia | nossa monarchia. Em mais de um logar | d'esta obra o provo, e muitos e muitos do-
cumentos antigos o evidenceiam.
Esta povoação tem em nossos dias toma do bastante desenvolvimento, devido à suta optima posição topographica, e às estradas
“de Lisboa: ao Porto e de Aveiro a Vizeu, que “por aqui passam. '
No fim do seculo passado ainda toda «a
' freguezia não chegava a ter 400 fogos.
Fica a igual distancia das cidades do Por:- to, Vizeu e Coimbra, isto é, a 54 kilometross de cada uma d'ellas. Fica a 12 kilometros
da estação do caminho de ferro do norte |
» (Estarreja).
Tem os importantissimos estabelecimen-- tos mineiros do Palhal, que emprega na sua lavra mais de 600 pessoas. Tem ex-- cellêntes machinas de esgoto e a moto- -ra é da força de 120 cavallos. Em alguns pontos já chega á profundidade de 950 me-
* tros. Produz pyrites de cobre e cobre cin-
k | zento argêntifero. Produz annualmente mais
4 de 1:350 tonelladas de minerio. Tambem pro-
| + duz anda por 4 tonelladas de galena annual--
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mente, cujo minerio dá em Inglaterra réis 908000 por tonellada. Vide Palhal. Tem mais as minas de Telhadella e Carvalhal; ea 40 kilometros a E. as do Braçal, Malhada e Go- vão da Mó.
Está muito bem dotada. de vias Es com- municação, o que concorre muito para 0 gu engrandece 'imento.
Tem um bom estabelecimento mechanico de serrar madeiras, dos srs. Ferreiras, é uma vasta fabrica de papel de todas as qualida- des, cujo motor é a agua do rio Caima (con- fluente do Vouga) e cuja fabrica está quasi concluida (dezembro de 1872) sendo funda- da já estê anno.
Tem tambem uma fabrica de louça gi naria, dossrs. Henriques, situada em um logar muito ameno e pittoresco, chamado Biscaia.
Está-se tratando do encanamento da agua para abastecimento d'esta villa e os traba-
lhos já estão muito adiantados. É uma boa
obra e de reconhecida utilidade publica. :
Tambem anda em construeção o cemite- rio publico, que era cousa que aqui não ha- via, sendo os enterramentos feitos nas egre- jas, segundo o antigo, anti- -hygienico e ab- surdo costume.
Ha aqui uma soflrivel philarmonica.
A-egreja matriz nada tem de notavel. É seu orago Santa Cruz..
ALBERNÚA ou ALBERNOA — freguezia, Alemtejo, comarca e concelho de Beja, 84 kilometros a O. de Evora, 150 ao S. E. de Lisboa, 140 fogos.
Albernua é palavra arabe, didi de barrelnaua (campo do caroço) composto do artigo al, e dos substantivos berr (campo) e naua (caroço),
Orago Nossa Senhora da Luz. Bispado- e districto administrativo de Beja.
ALBIUBEIRA — Vide Alviubeira,
ALBOBOREIRA (S. Silvestre de) —fregue- zia, Extremadura, comarca. e concelho de Abrantes, 145 kilometros a O. da Guarda, 165 a S. E. de Lisboa, 480 fogos.
Bispado de Castello Branco, districto ad-
|ministrativo de Santarem. Era curato do
mosteiro de S. Vicente de Fóra. Fertil.. - Tambem dão a esta freguezia os nomes de Albobeira e Albiubeira.
“ ALBORDO—sldeia, Beira Baixa, concelho “e Comarca da Guarda. Aqui nasceu em 1842, Feliciano da Assumpção (o menino sem bra- gós mem pernas). Não tinha os minimos ves- tigios d'aquelles membros. Escrevia com a penna mettida entre os dentes, e fazia letra “muito legivel.
Viajou pela Europa e por muitas cidades de Portugal, ao collo de sua mãe, que vivia de o mostrar. Sabia muito bem ler, tinha ex- icellente memoria e era vivissimo. Mostra-
-a-se muito alegre e memorava com grande prazer as pessoas que mais o tinham obse- 'quiado, principalmente senhoras. Tinha voz fina muito desagradavel.
"Morreu na sua terra natal, em março de
“4873, com 34 annos de edade.
“ALBORGE—Vide Alvorge.
ALBORNINHA—Vide Alvorinha. “ALBUFEIRA —villa, Algarve, comarca de Loulé, '30 kilometros a 'S. O. de Faro, 12 a S. E. de Silves, 35 a E. de Lagos, 240 aos, “de Lisboa, 37º 7º lat. N. 14 de long. O.
"Orago Santa Maria. Bispado do Algarve, districto administrativo de Faro. “ Situada na costa do Occeano Atlantico, so- bre a chapada de um rochedo.
A villa está fundada sobre um pequeno valle, cercado por todos os lados de peque; nos outeiros, que fazem com que só se'veja quando 'se estã a chegar à ella. À antiga po-
“voação é dentro das muralhas e está collo- cada sobre um outeiro de pequena elevação, que pelo S. termina em escarpado rochedo, “onde'o mar vem bater furioso em octasião de tempestades. A povoação moderna é di- vVidida ao meio por um pequeno ribeiro que nasce a 3 kilometros 20 N. da villa, e sobre o qual tem uma ponte com dois arcos de al- venaria, que liga a povoação.
O terreno do seu concelho é pela iinior “parte montuoso e cheio de penedias e pou- Cas arvores, e menos fertil que a maior par, te do Algarve. 950 fogos, 2:700 almas, con- celho 2:000 fogos. Feira a 3 de fevereiro, tres dias. É mesmo no centro da villa esta feira,
"É praça d'armas fechada, sobre uma ros cha-sobranceira ão mar, com pórto bem de fendido dos ventos (menos leste) e pôdend receber navios de pequena lotação. Tem wi
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castello com casas dentro, onde moram va- rios habitantes da villa, e tambem lá está a casa da camara, cadeias e quarteis militares-
Soffreu muito como terremoto do: 1.º de novembro de 1755, mas foi depois reparada.
Hoje está outra vez em misero' estado, ameaçando cairem as muralhas sobre a villa. Quando foi do terremoto, entrou o mar com tanta violencia pela villa dentro, que chegou a subir 10 metros. Repetiu o fluxo'e refluxo por tres vezes e com tanta força, que fez desabar todas as casas à excepção de 27, que mesmo assim ficaram muito arruinadas. O povo tinha fugido para a egreja matriz ; mas esta desabou, matando 227 pessoas. O bispo do Algarve, D. Francisco;Gomes de Avellar, mandou fazer à sua-custa a actual matriz, que, estando concluida, é um dos melhores templos do Algarve.
Julga-se ser fundação romana (pelo menos já existia no tempo do seu dominio) como nome de Baltum.
A muralha tem tres portas, a do Norte; a da Praça e a de Sant'Anna.
Tinha voto em côrtes, com assento no ban- co 15.º
Produz alguns eereaes e é irao em vinho, gado, caça e peixe.
Os arabes oceupando-a em 716, lhe iram o nome de Al-buhera, diminutivo de bahróm, = mar, por causa 'de uma grande lagoa que | ! alli havia, formada pelas agúas que, nostem- poraes, o Oceano arremessavapara O interior. Outros querem que elles lhe chamassem Al- Buhar, (que significa tambem mar) masacho mais provavel que fosse Al-Buhera.
Significa pois pequeno mar ou lagoa. Os hespanhoes escrevem e pronunciam esta pa- lavra sem corrupção alguma, Albuhera: É || preciso advertir que o h na lingua arabe é sempre aspirado e nós o substituimos ordi-
“nariamente por f. (Vide amostra de algumas
palavras arabes, no respectivo capitulo.): Foi conquistada aos mourospor D. Affon-
“so TH em 12350, dando-a logo á Ordem mi- itar de Aviz, sendo então: mestre rd tim Fernandes.
“A conquista desta villa ria ico a
| reduziu quasi à miseria,'por lhe cessar -o
grande commercio que fazia com os portos
das costas: africanas. Depois, foi tirando par- tido dos seus immensos recursos (sobretudo
da sua abundante pescaria) e melhorou con-:| |
sideravelmente.'-
Eram alcaides-móres do castello, os con- des de Valle de Reis, marquezes de Loulé. Já-disse que castello e muralhas estão amea- cando eminente ruina e em risco de esma- garem:ascasas' particulares feitas nas suas proximidades. -
Tem Misericordia 'e hospital muito anti- gos. A egreja da Misericordia foi mesquita de mouros.
O seu porto fórma uma soffrivel enseada,
por duas linguetas de terra, que entram pelo mar, chamándo-se Porchel à de E., e Baleei- ra à do:0., mas não é muito abrigada.
Na: preamar, as ondas: vão mesmo bater nos rochedos sobre que está edificada a villa, mas na vasante fórma uma vasta praia.
Tem. por armas umá vacca de ouro em campo azul.' Diz-se que é em razão de se crear por aqui muito gado bovino.
A matriz (Nossa Senhora da Conceição) é construcção moderna e 0 melhor edifício da villa.
Debaixo das rochas que limitam à villa pelo S., ha-uma caverna (chamada Cova do Xorino) para onde fugiram os meuros que escaparamao ferro dos portuguezes, depois da tomada da villa.
Em 1833: poz cerco a esta villa o famoso José Joaquim de Sousa Reis (o Remechido) capitulando os liberaes a 27 de julho. Dizem que os guerrilhas do Remechido assassiria- ram então 74 pessoas. Este cerco tambem damnáficou muito a villa.
Este assassinato das 7% pessoas, é noticia liberal; hade aqui haver cifra de mais, ou (o que é mais provavel) contaram co- mo assassinados os liberaes que morre- ram no combate. Segundo os liberaes, 0 Remechido era um monstro roubando, ' de- vastando e assassinando tudo; mas o que é
verdade incontestavel é que todo o povo do'
Algarve o amava, lhe dava colheita enunca descobria às tropas liberaes que o perse- guiám, o sew' paradouro (que elles muito bem sabiam) e foi isto que'o fez sustentar quatro annôs 'com meia duzia de gatos, mal
“res do governo, em grande força.
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armados e paizanos, contra as tropas regula: Hd | Adiante conto a razão porque os realistas', assassinaram aqui varias pessoas. muul
Alem da matriz e da Misericordia, tem ag» egrejas de S. Sebastião e Sant'Anna e a ca-:: pella de Nossa Senhora da Orada, esta a pe- quena distancia da villa e ornada de uma bonita lameda, um: formoso adro gradado de ferro e dois ricos mauscleus mandados » fazer por a sr.* D. Maria Michaella de Brito. Junto a esta ermida se faz todos os annos, à 15 de agosto, a feira chamada da ng muito concorrida.
A agua da villa é de poço e salobra; mas na Varzea da Orada ha um de muita e opiá- ma agua, e outro 9 N. no sitio da Bolota.
No tempo do figo veem aqui carregar bas- tantes hiates, que levam este genero para Villa Nova de Portimão e outras partes. |
O primeiro barão de Albufeira, foi'o te nente general José de Vasconcellos e Sá, por , D. João VI, em 3 de julho de 4825.
Estação telegraphica municipal.
D. Manuel lhe deu foral em Lishoa, à: v'20 de agosto de 150%.
O pequeno valle em que assenta a villa, é . dominado por encostas pedragosas das altas ras que lhe ficam à N,; E. e O.; terminando : ao'S. por altos e escarpados rochedos, em, que bate o Oceano, no qual vae desaguar um: ribeiro que corta a villa, e que aqui tem uma ponte de pedra de um só arto. nr
Em 24 de julho de 4329, lhe deu D. Affon- so IV privilegio de visinhança, com o con- celho de Loulé, e por carta de 29 de novem- bro de 1376, mandou D. Fernando I que'os concelhos de Silves, Faro, Tavira e Lages, partissem com Albufeira do pão que lhes viesse de fóra.
Antes de 1834 tinha juiz de fóra, govere nador militar, com quarteis, onde chamam Villa a Dentro, e neste logar ainda ha res- | tos dos muros do sew antigo castelo. Tam- bem é aqui a Praça, casa da camara e 'ca- deia, bateria (que serve de registo) ete.''
Tem a villa algumas casas boas, feitas de- pois de 1755, pois O tenPernino de então a» deixou inhabitavel. E 4
A matriz é priorado o tem tres beneficia-
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dos, que até 1834 eram providos; pela:Mesa da Consciencia e nata por ser da Ordem de Aviz. ,
Tem Misericordia; com 7 8000 réis do fo- ros, 124 alqueires de trigo e 5 arrobas de figos, de renda annual.
Além da feira da Orada, ha aqui a feira de 8. Braz, a 3 de fevereiro, que dura tres dias'e é muito concorrida, e na qual, entre varios generos, se' vende muita carne de porco salgada. Tem tambem um bom mer- cado aos domingos.
Prometti dizer a causa porque os realis- tas aqui praticaram algumas barbaridades, em 27 de julho de 1833, ei-l'a:
Em 24 de junho de 1833, o conde de Villa Flor e Palmella, com uma brigada de 2:300 homens, desembarcaram em Cacela (Algar- ve). O gommandante da 5.º divisão do exereito realista, visconde de Molellos, general do Al- garve, com forças muito superiores, aban- donacobardemente o Algarve, não tendo plena confiança na sua gente (6:000 homens quasi todos de 2.2 linha) e desanimado pela trai-
ção do seu chefe de estado maior, Francis- co Cypriano Pinto, com a maior parte dos officiaes de artilheria 2, que desertaram pa- ra os liberaes logo depois do desembarque d'estes, e pouco depois fizeram a mesma
imfamia o brigadeiro Nuno Taborda e Augusto Xavier Palmeirim, tenente coro- nel, e que ia para o Algarve tomar o logar de chefe do estado maior da divisão. De mo- do que os liberaes se assenhoraram do Al- garve em 6 dias, sem resistencia!
(Vide Hist. Chron. de Port., no ultimo vol.)
No Algarve ficou Sá da Bandeira com- mandando os liberaes, e desde: então até maio de 1834, houveram n'este reino varios combates, reconhecimentos e charrafuscas, distinguindo-se sempre os denodados e fide- lissimos chefes realistas, Thomaz Antonio da Guarda Cabreira e Remechido. .
Tendo Remechido sitiado esta praça, a sua guarnição resistiu valorosamente, pelo que os realistas metralharam à villa, do que re- sultou 0 incendio de varias casas.
Tomada a villa, os liberaes fugiram, para o castello, donde continuaram a fazer fogo
ALB
sobre os realistas; mas accommettidos arro-::
jadamente, tiveram de capitular no: rastro
dia 27 de julho de 1833. bio bio
Arvorada a bandeira realista (isto é, a pobé tugueza, que em sete seculos fluctuou ovan- te por-todo o mundo) os liberaes largaram' as armas e sairam em paz, sem a minima offensa. 4 o
Então um navio liberal entra a metralhar os realistas, que irritados por esta-que elles reputavam traição, poderam pilhar 27 dos infelizes liberaes da guarnição do castello, e OS assassinaram, escapando os outros por- que fugiram a tempo. (Os 47 mais que'os liberaes dizem assassinados, são provavel- mente os que morreram defendendo a praça).
Mas, nem deseulpo este acto barbaro dos realistas, nem reputo traição o acto prati- cado pelo navio liberal.
Os defensores do castello nenhuma onbpii tinham no que praticavam os do navio, e este estava no seu direito fazendo fogo con- tra os seus inimigos.
A pequena enseada de Albufeira era de- fendida pela bateria da Baleeira, a O. (junto da qual ha uma grande mina de gesso) e'a de 'S. João, a E. São dependentes da praça de Albufeira os fortes de Pêra, Registo, Val- longo e Quarteira, e as baterias de Baleeira e 8. João.
No-seu porto só entram hi Pesca-se aqui muito peixe, que se exporta em grande quantidade.
Por alvará de D. Manuel, de 19 de feve- reiro de 1505, foi doada ao duque de Goim- bra, mestre da Ordem de. Aviz, a dizima ves lha dos atuns e mais peixe que morresse nas armações do termo da villa.
Entre Albufeira e o forte de Vallongo, na praia, mesmo à beira do mar, rebentam umas nascentes de agua doce (a que chamam Olhos d' Agua) e já dentro do mar, na mesma direcção, e proximo rebenta outra nascente muito grande. A poucos passos d'ellas, para O., deram à costa, em março de 1780, dois cetaceos (delphinus orca) macho-e femea. O. primeiro tinha 55 palmos de. comprido e 10 de . alto, na parte mais grossa. Estes cetaceos são
tas
' rarissimos nos mares da Europa meridional.
en
ALO
“O seu termo não é tão fertil como algu- mas “terras do Algarve; mas, ainda assim, produz excellente vinho, muito figo, algum
sumagre, resinas, gran de carapêto, madei-
ra de azinho, de pinho (do grande pinhal da Quarteira) muita hortaliça, fructa e caça. Fabrica muito bom niipio e telha, que ex-
porta,
ALCABEDECHE villa, Extremadura, co- marca de Cintra, concelho de Cascaes, 25 kilometros a O. de Lisboa, 560 fogos.
Orago S. Vicente, martyr.
É palavra arabe Alcaibedeique composta de alcai (encontro) e daeque (apertado, es- treito) — (Vide Condeixa Velha).
É no patriarchado. Districto administrati- vo de Lisboa.
Era dos marquezes de Cascaes. Está em togar elevado e d'ali se descobre Palmella, Cezimbra, Cabo do: Espichel, monte da Ar- rabida, a serra de Cintra e os navios que entram e sahem a barra de Lisboa.
Tem valles muito ferteis; mas cercados de altos asperos e fragosos.
Tem duas fontes (entre outras) a que se attribuem virtudes medicinaes: a da villa é muito diuretica e cura a dor de pedra; e a de Fartapão cura a diarrheia (!)
O rio a divide em duas partes. A que fica para O. se chama Villa-Velha, e a de E. Vil- ta-Nova. Os moradores de Villa Nova não tinham privilegio algum e pagavam aos mar- quezes de Cascaes 16 alqueires de pão em cada anno e os ceareiros o oitavo. Os de Villa-Velha tinham um privilegio dado por D. João I e por D. Manuel, pelo qual só pa- gavam, cada lavrador meia jugada, que são 8 alqueires de pão, e os ceareiros de 26 um. Nos vinhos tinham o mesmo privilegio, de sorte que os de Villa-Velha, de 125 almudes pagavam 4 e os de Villa Nova 8. A este tri- buto chamavam quinau.
Para os de Villa Velha gosarem este als vilegio, eram obrigados a lerem-no. todos os annos duas vezes publicamente; no ho- gar das Marchas, no primeiro domingo de novembro,e na Malveira no domingo seguim- te. Além d'isso eram obrigados a irem velar uma noite na praia da villa de Cascaes e duas ao Castello dos mouros, em Cintra!
ALC 55
É situada na costa do Atlantico, onde tem: varias fortalezas, a saber: Forte de Santo Antonio da Barra, com seu castello, funda- do sobre um rochedo que entra: pelo mar dentro e fronteiro á fortaleza de Nossa Se- nhora da Luz. Tem armazens para deposita de munições de guerra e bocca, varios quar- teis e agua nativa. Junto a esta fortaleza es- tá o Forte de S. João, ete., ete.
Fica nos limites desta freguezia a serra de Cintra, e é cortada; de 4 rios, que são—:
| Penha-Longa, Porto-Côvo, Malveira e Mani-
que.
Ainda aqui se faz actualmente a antiquis- sima e celeberrima festa do imperador, que tão popular foi em Portugal em outras eras. É uma mascarada soffrivelmente ridicula, e que custa acreditar fazer-se quasi ás barbas da capital e com annuencia e consentimen- to do parocho, que presta menagem e preito ao tal imperador, que é um desengraçado e estupido labrego, vestido carnavalescamen- te; mas que, apesar disso, tem seu throno dentro do templo!
ALCABIDEQUE — aldeia, Beira Baixa, piro- ximo a Condeixa Velha (antiga Coimbra) — - D'aqui ia a agua para a villa, quando era
| cidade, por grandiosos canos e aqueductos
de pedra, obra dos romanos, dos quaes (aque- ductos) ainda alguns estão de pé. Esta agua nasce em uma grande fonte, ao pé da qual. ainda existe uma torre que os arabes con- struiram para a guardarem.
É a mesma etymologia de Alcabedeche, ainda que alguns dizem que quer dizer agua de Deus, mas é erro, porque então seria Wad Allah.
ALCABRICHEL — rio, Extremadura, tre- guezia do Ramalhal.
Nasce em Villa Verde, passa pelos Olhos d'agua de Tremezinho, recebe o ribeiro de Villa-Facaia, junto à Pontinha, o rio da Quinta (por passar por uma grande quinta». hoje destruida) e o de Casal-queimado, pro-- ximo ao Casal das Pontes. Suas margens são em parte cultivadas e ferteis e tem E ar- voredo.
É cortado por 6 pontes de ti que são—a do Machial, a do Ramalhal, Villa Facaia, Casal-de-Payo-Gorrêa, Gunhados e
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Vimnieiró:Tem uma dé ao em Casal da Figueira,
Morre na praia do 'Portó-Novo' fo estoy onde tem úma enseada que pode recolher navios d'alto bordo, pela sua profundidade e'abrigo de duas grandes róchas que tem de cada lado.
“ALCAÇARIAS — palavra arabe, casa feita à maneira de claustro, para alojamento dos mercadores, com uma só porta, que se fecha de noite: É derivada dê Caiçar (Cesar) por- que dizem que este imperador mandou edi- ficar estas casas no Oriente.
Miguel del Molino diz que alcaçarias eram lógares ou ruas onde os judeus só podiam comprar ou vender aquillo de que precisa- vam ou que pretendiam. Em Lisboa dá-se este nome a um sitio (ondé ha casas de ba- nhos) em que antigamente haviam cortumes. Talvez porter alli havido o tal mercado para os judeus: Esta circumstancia fez errar Vi- terbo quando disse que alcaçarias eram pel- tames ou atanoarias.
O manancial d'aguas mineraes das Alca- carias, em Lisboa, fica do lado oriental d'es- ta cidade, no Terreiro do Trigo a uns 60 metros da margem direita do Tejo. Reben- tam de differentes pontos ao fundo da pe- quena colina 'sobré que está edificado o castello de S. Jorge. A maior parte destas aguas são entanadas para dois estabeleci- mentos conhecidos sob à denominação ge- ral de Alcaçarias, mas que se distinguem en- tre si pelos nomes de seus proprietarios — 1.º Alcaçarias do Duque (de Cadaval): Estas rebentam por dois orifícios do pavimento. Como as de D. Clara, do Chafariz d'El-rei, e outras que nascem proximas, teem a par- ticularidade de expellir uma grande quanti- dade de azote, sendo em algumas nascentes tão consideravel, que em poucos minutos pode êncher os gazometros com 12 a 45 li- tros: O gaz colhido nos orifícios não contem nem oxigênio nem acido carbonico. Esta agua é limpida, sem cheiro nem sabor, é é levemente alcalina. Sua temperatura é de 34º centigrados, contendo por kilogramma de agua 0º,7128 de residuo fixo, composto de chlorureto de sodium, de sulphatos de cal, de soda é de potassa; de carbonato de cal,
| D. Clara—
ALO
de magnesia e de' silica.-2.º Alcaçárias de “A agua existe em grande abun= danicia, ein resérvatorios subterrâneos, d'or= de se extrahe, por bombas, para” os banhos. É quasi certo que estas aguas teem a mes=: ma origem das antecedentes, pois" que as suas propriedades chimicas e à sua minera- lisação são identicas. A temperatura das'de D. Clara é de 33º centigrados, e contem por kilogramma, 0º,7275 de printipios salinos com a mesma composição das do Dugre, segundo a analyse feita na exposição de oh ris em 1867.
ALCACEMA —é 6 braço de mar que fica atraz da Torre-do-Bugio, na barra de ri boa.
É palavra arabe Alcacema pr do verbo cacama (dividir) —significa, 0) dá di- vide ou separa.
ALCACER-DO-SAL — villa, edito, 270 kilometros a S. E. de Lisboa, a 40 da foz do Sado e da cidade de Setubal, em linda si- tuação, na margem direita do Sado — 780 fogos, 2:950 almas, em duas freguezias (San- ta Maria do Castello e S. Thiago).
A egreja de Santa Maria do Castello foi feita por D. Affonso IL em 1217, logo depois da restauração — a de S. Thiago foi edifica-- da no reinado de D. João Y, que concorreu para as obras.
Concelho 3:950 fogos, comarca (Tinha em 1660 400 fogos.)
Arcebispado de Evora, districto adminis- trativo de Lisboa.
É cercada de muralhas com um castelo, tudo desmantellado.
Grande commereio de sale obras de vs- parto. Feira no domingo do Bom o ea 10 de outubro, 3 dias.
A feira do Bom Pastor é franca. Ha estão: tambem uma festa ás Onze Mil Virgens.
Foi fundada pelos lusitanos no anno VIE de Cesar (30 antes de Jesus as pelo modo seguinte :
Bogud, rei ow kalifa da Africa, “entrando na Luzitania, levou tudo à ferro é fogo.
Havia aqui um templo dedicado à Diana ou Salácia (nas margens do rio), que os afri-
5:000 ==
| canos profanaram ; mas quando iam no mar
para à sua terra sofireram grande naufragio, -
ALO
no qual''a maior parte d'elles' pereceram, |
com as » eg dr naré nos erro roubado:
Os: om entenderam per “isto era mi- lagrê da deusa, é lhe reconstruiram logo o templo, furideando então a villa; a que deram onome de Salacia.
(Uns dizem que se lhe deu este nome por-'
que era um dos de Diana; outros que por haver aqui muito sal.)
-Tainbem ha quem diga que Aleacer foi fundada por 'Tubal (no anno 1804 do mun-
do ou 2203 antes de Jesus Christo em:
1873 faz 4076 annos!)— Dizem estes que Tubal, entrando a: barra de Setubal, subiu pelo Sado e fundou uma povoação de barro cosido e troncos e folhas de arvores, à qual deu o'nome de Saldubal. -—Isto não é muito verosimil. Veja-se Setubal.
“Conquistada pelos romanos, estes lhe de- ram o nome de Urbs-Imperatoria ou 'Sala- cia-Urbs-Imperatoória; porque Augusto Ge- sar lhe deu a cathegoria de municipio do antigo direito latino:
Foi cidade episcopal, sendo seu primeiro bispo” S. Januario, martyr, no anno 300 de Jesus Christo.
No dia 7-de janeiro ' de: 305 aqui foram:
martyrisados pelos romanos (sendo impera- dor Diocleciano e pretor das Hespanhas' o cruelissimo Daciano) 0 dito bispo S. Janua- rio e seus companheiros Felix, Septimio e For- tunato, presbyteros.
Os arabes a conquistaram em 7145. CGon- struiram wma nova cerea em redor do-cas- tello, para abrigar amplamente a nova povoa-
ção, a que deram o nome de Alcaçar de Sa-.
laria, que depois se mudou para o que 'vae adiante.
D. Fruela I (on Fhoila), rei de Oviedo Ih'a tomou em 753, e Abd-el-Raman, califa de Cordova a reconquistou em: 760. D. Affonso T a resgatou a 24 de junho de: 1158.
Era tão forte o seu castelo e tão corajosa a sua guarnição, que sendo investido por muitas vezes pelos christãosportuguezes, ajudados pelos eruzados, não: se poude to- mar. Ausentes 'os estrangeiros, não desani +:
mou 'o'rei portuguez) é tornando só com os
seus, poz cerco formal, dando-lhe assaltos to-
ALG. 57 dos os di as, até que 'ao cabo de dois mezés, tão forte ass alto lhe deu, que a pin Em voando-a logo de christãos.
Em 1165, estando D. Affonso I m'esta gil. la, sahiu com 60 homens de cavallo e alguns: depé, a descobrir terreno, até ao castello de
| Palmella (ainda em poder dos mouros).-En +
controu-se como rei mouro de Badajoz, que: trazia um exercito de '60:000 infantes e:de 4:000 cavalos. Apesar de tamanha deseguai- dade de numero, D. Affónso lhe deu batalha e 'os venceu, fazendo-os retirar em desor= dem. tio. a) O miramolim de Marrocos a tornou a to= mar em 1491, e, finalmente D.: Affonso IL, com ajuda do aguerrido bispo de Lisboa, D. Sueiro Viegas e de cruzados inglezes, à recupera em 48 de outubro de 1247, depois de dois mezes de apertado cereo'e de repe- tidos assaltos : e só se renderam os mouros (por capitulação) depois da derrota dos que vinham em seu auxilio, no Valle-de-Mutan da, onde foram completamente destruídos os walis de Badajoz, Jaen; Cordova, Sevilha e Xerez; morrendo dois d'elles e 15:000 mouros-
Outros duplicam esta conta, matando trin= ta mil mouros: outros, achando isto ração matam sessenta mil!
Ao Sitio onde se deu esta memoravel bas talha, se ficou desde então chamando Valte- de-Matança. É a 3 kilometros da villa. '
A povoação porém ficou muito arruinada por causa da tenaz resistencia que 'os mou+ ros fizeram, pelo que o rei a mandou 'ree- dificar e povoar de novo, dando-a à ordem militar de S. Thiago, da qual era então commendador mór D. Martim Barregão, que fez grandes proezas na tal batalha.
"Foi depois feito commendador “da ordem o grande D. Paio Peres Correia, 0 qual aqui fundou um convento da mesma ordem, que depois se mudou para Mertolá e pais pas ra Palmella. iria
“O seu castelo (que D. Diniz rofriida em 1289) era fortissimo e muito alto ; mas está. muito desmantellado. Mesmo assim ainda é respeitavel, não só como monumento histo» rico; mas porque' no séu vasto ambito se vêem' ruinas de grandes edificios: ea e outras antiguidades.
58 ALG
Está edificado sobre-um rochedo sobran-. ceiro ao Tio, € delle's se gosa um delicioso panorama.
O castéllo glAdenbent erao mais forte da peninsula, no tempo dos romanos e arabes. Dentro d'elle-se vêem alicerces de robnstis- simos muros. É sobre uma eminencia quasi toda de rocha, e pelo O. e S. cahe sobre o mar. Tem duas' portas, uma para o N. cha-
“mada Nova é outra a E. chamada de Ferro. Tinha trinta torres de pedra, de mais de 25 metros d'alto cada uma, e uma no centro, de cantaria, de 27 metros de alto e 22 de largo. -
Teim! Misericpediá, fundada ponid. Ruy Sal- lema,' commendador de Christo em 1530. Além do hospital da Misericordia, tem o do Espirito-Santo, administrado pela camara.
Tinha voto em cortes, com assento no ban- co 6.º
Aqui celebrou o seu segundo casamento o rei D. Manuel com sua cunhada a infanta de Hespanha, D. Maria, em 1504.
“É patria do grande mathematico Pedro- Nunes, que aqui nasceu em 4492. Foi lente de mathematica em: Coimbra e mestre do cardeal rei, de D, Sebastião, de D. João de Castro e do celebre Nicolau Coelho. Deixou importantes obras, em portuguez e latim, e morreu em 1577.
Foi nomeado cosmographo-mór em 1529 — publicou varias obras notaveis sobre ma- thematica applicada à navegação, que foram traduzidas em varias linguas — foi inventor do instrumento mathematico chamado nonio, que o francez Vernier depois pouco modifi- cou; mas mesmo assim, deu-lhe o seu nome e por elle é lá fóra conhecido.
Alcacer' do Sal tinha dois conventos, um
de freiras franciscanas (d'ara coli), dentro -
do castello, fundado por D. Sancho I, pelos annos de 4200.
Em 1570 obteve D. Ruy Sallema, fidalgo da casa do infante D. Luiz (o mesmo que havia fundado a: Misericordia) que D. Sebastião
lhe desse os paços reaes, que estavam den- | tro do castello, ao pé do convento (onde mo-: rava o duque de Beja, D. Manuel, quando | foi chamado ao: throno) e com estes paços:
ampliou muito o convento. Era padroeiro
ALG
d'este mosteiro Luiz Henriques de Miranda.
Tinha outro convento de frades franeisca- nos (proximo do antecedente) fundado por D. Violante Henriques, mulher do capitão D. Fernão Martins Mascarenhas, em 1524.
Outros dizem que foi D. Fernando Martins Mascarenhas e não sua mulher. Os fidalgos d'Aleacer tambem concorreram para esta fundação. — Dava-se a estes frades o titulo de xabreganos.
No tempo do imperio ommyada de Cor- dova era Alcacer cidade florescente e impor- tantissima, e capital da extensa provincia de Al-Kassr, e tinha então um vasto arsenal, d'onde sairam grandes esquadras.
Os arabes chamaram a esta povoação Ca- cer-ben-Danés ou. Al-Kassr-ben-abu-Danés (fortaleza do filho de Danés) e é daqui que lhe provém o nome.
Cacer, al-cacer ou kassr, significa não só fortaleza, mas tambem palacio-acastellado ; porque m'aquelles tempos de guerras conti- nuadas, os grandes se viam muitas vezes ata- cados nas suas proprias casas; pelo que as construiam em fórma de castello.
Affirmam os antigos escriptores que Alca- cer, no tempo da sua prosperidade, oceupa- va um ambito de 12 kilometros, e com ef- feito n'este espaço de terreno se encontram muitos vestígios de grandes edificios e se tom achado antiguidades romanas e arabes.
Tem consideravelmente decahido do seu antigo esplendor, por causa da insalubrida- de do seu clima, e pelo desmaselo dos go- vernos e das camaras da villa. Tem deixado estragar os seus extensos pinhaes. Seus cam- pos, outr'ora feracissimos, estão hoje torna- dos pantanos infectos e miasmaticos, e ape- nas parte d'elles produzem arroz. Já nó tem- po de Plinio ia em decadencia, pois que elle exaltando a sua passsada grandeza, diz que então se achava muito destruida.
Diz Plinio: —